“After Walker Evans” por Sherrie Levine

  
Na esfera da linguagem fotográfica, um dos trabalhos de apropriação mais aclamados é o de Sherrie Levine, na série “After Walker Evans”, pois, a despeito da autoria, toma a fotografia, do legendário fotógrafo da depressão norte-americana, como sua: “O trabalho de Sherrie Levine [...] observa as imagens e fala a respeito da propriedade delas, do problema de a quem elas pertencem”[i].

Arthur Danto (filósofo e crítico de arte norte-americano) expõe "é uma interpretação que a informação visível por si só não pode fornecer", ou seja, seria uma metáfora levada ao limite, ao deixar óbvio o caráter de simulação e cópia. 

Levine trabalha aquilo que não está visível aos olhos, onde imagens se relacionam com imagens, refletindo-as, representanado-as, imitando-as. A inspiração e espontaneidade são deixadas de lado, as figuras são encaminhadas e trabalhadas para fazer uma eloquência óbvia.

A artista trabalhou com apropriações de forma a romper com os estereótipos de originalidade da obra de arte. Nos faz perceber que tudo pode ser arte, já que qualquer escolha é possível. Regras e parâmetros são desfeitos e a liberdade artísca no campo da criação fica em voga.

Torna-se evidente a era dos simulacros e simulações [ii], chegando a um ponto que a cópia é mais “original” que o “original”, ou melhor, da ideia do modelo, já que não temos um original. Ao olharmos a fotografia de Evans nos remetemos imediatamente ao trabalho de Levine.
           
           
           

[i] DANTO, Arthur. “Arte sem paradigma”, em Arte e ensaio – Revista da Pós UFRJ, nº7.
[ii] Termo cunhado por Baudrillard.


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Madonna em "Basquiat, the radiant child"

Basquiat, the radiant child (2010) é um documentário de Tamra Davis sobre o artista Jean-Michel Basquiat. Madonna e Jean tiveram um breve relacionamento, que é exposto no longa. Segundo Christopher Ciccone, irmão da rainha do pop, ela guarda (ou guardava) as pinturas que ganhou de Jean no lavabo!!! Screenshots!








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Moby Dick

A introdução do livro de Herman Melville contém um grande ensinamento filosófico ...

Venice Beach/CA

"Chamai-me Ismael. Há alguns anos - quantos precisamente não vem ao caso - tendo eu pouco ou nenhum dinheiro na carteira e sem nenhum interesse em terra, ocorreu-me navegar por algum tempo e ver a parte aquosa do mundo. É a minha maneira de dispersar o 'spleen' e de regular a circulação do sangue. Sempre que sinto na boca uma amargura crescente, sempre que há em minha alma um novembro úmido e chuvoso, sempre que dou comigo parando involuntariamente diante da empresa funerária ou formando fila em qualquer enterro e, especialmente, sempre que minha hipocondria me domina a tal ponto que necessito apelar para um forte princípio moral a fim de não sair deliberadamente à rua e atirar ao chão, sistematicamente, os chapéus das pessoas que passam...então, calculo que é tempo de fazer-me ao mar, e o mais depressa possível. O mar é meu substituto para a pistola e a bala. Com alarde filosófico Catão se arremessou sobre sua espada; quanto a mim, embarco tranquilamente. Não há nisso nada surpreendente. Se a maioria dos homens soubesse, fosse qual fosse a sua categoria social, compartilharia comigo, numa época ou noutra, os sentimentos que o oceano me inspira."

Herman Melville, Moby Dick
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A função da tutela penal patrimonial e a criminalização da pobreza no Brasil contemporâneo

A função da tutela penal patrimonial e a criminalização da pobreza no Brasil contemporâneo
“Desejais prevenir os crimes? Fazei leis simples e claras [...]. Que elas não favoreçam qualquer classe em especial; protejam igualmente cada membro da sociedade; tema-as o cidadão e trema apenas diante delas.”
Cesare Beccaria

O início do século XX, no Brasil, foi marcado pelo crescimento das revoltas populares, como os cangaceiros que se viram explorados pelos latifundiários. O Código Penal Brasileiro, de 1940, foi criado por legisladores da elite, com temor aos ataques políticos ao patrimônio através do socialismo, e ainda, com o crescimento das revoltas populares, como a Revolta da Vacina e a grande indignação de Virgulino Ferreira e seus seguidores, motivo que levou o legislador a ser patrimonialista, ou seja, o direito penal privilegia os interesses das classes dominantes desde sua criação.
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Lixo Extraordinário


Lixo Extraordinário


Uma grande surpresa no Oscar 2011 foi a categoria “Documentário”, com dois filmes sobre artistas visuais (algo absolutamente incomum). Enquanto “Exit through the gift shop”, dirigido por Banksy (artista inglês com identidade desconhecida, famoso por suas intervenções urbanas), trabalha com o escárnio absoluto sobre o mercado de arte, “Lixo extraordinário” tenta promover a inclusão social através da arte.
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"Madonna studies" e outras graduações



"Baby I can't get it enough (you get it)
If you do your homework (work)
Baby I will give you more (work)"
 Madonna/Spanish Lesson

Recordei-me de uma pesquisa informal que havia realizado há alguns anos, o enfoque era: as novas graduações. Motivada principalmente pelo curso intitulado “Madonna Studies”, e não se trata da Madonna católica, até porque os princípios de formação religiosa como base para a estruturação do ser humano é tipicamente moderno, e, parafraseando Baudrillard, vivemos no mundo dos simulacros, então se trata da Madonna ícone Pop.
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Basquiat: arte ou produto de marketing?


Capítulo 7

Arte ou produto de marketing?

“Desde os anos 60, a arte [...] distingue-se cada vez menos da publicidade e do marketing.”

(Antoine Compagnon, 1996, p.103)



A obra de Basquiat levanta questões sobre as relações entre marketing e o sistema de arte. Tal como Jean-Michel, muitos outros artistas foram questionados: Jeff Koons, Chris Burden, Joseph Beuys ou Julian Schnabel. E quanto a Picasso e Dalí? São produto de um marketing pessoal? James Gardner coloca que “...a pobreza da arte contemporânea é o preço que ela deve pagar pela liberdade que ela tão conspicuadamente desfruta” (1996, p.32.), sendo assim os artistas seriam vistos pela crítica não por suas qualidades artísticas: “...louvam o artista pelo seu humor, boas intenções, discernimento político, por qualquer coisa que não a mera excelência artística.” (Op. cit.). 
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O primitivismo em Basquiat


Capítulo 6




O primitivismo em Basquiat

Na discussão sobre primitivismo, podemos destacar que “Nos últimos anos essa abordagem foi debatida e relativizada por historiadores e críticos de arte com posições muito diferentes. Uma abordagem que influenciou grandemente o primitivismo é a ‘teoria do discurso’.” (Arte moderna: práticas e debates, 1998, p.4).

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Jean-Michel Basquiat e o multiculturalismo

Capítulo 5
Multiculturalismo

“Basquiat representa uma das classes da sociedade americana às quais as barreiras sociais impedem, geralmente, o acesso à arte.”

(Klaus Honnef, 1994, p.160.)
 
 
Para Terence Turner, a crítica do multiculturalismo procura usar a diversidade cultural como base para a mudança, para a revisão das noções básicas e princípios comuns para a cultura dominante e para as minorias culturais, e a partir daí, construir uma outra, uma aberta e democrática cultura comum (1994, p. 408). Seria uma revisão cultural, que é principalmente uma crítica ao Eurocentrismo, onde entrariam os negros, os latinos, as mulheres, os gays. Podemos exemplificar com o estudo da história da arte, que é a história da arte européia, e estudamos separadamente, de uma forma quase solta no tempo, a arte pré-colombiana, arte primitiva, arte oriental, como se as mesmas não existissem nas abordagens de “A história da arte”. A existência de uma “alta” e uma “baixa” cultura sempre serviu como regra para marginalizar a produção das minorias. A “cultura” permanece como propriedade de um único grupo ou raça, mas aos poucos, o pensamento do multiculturalismo vem reivindicando uma posição de reconhecimento liberal do fator de heterogeneidade da cultura. Cultura para os multiculturalistas, refere-se principalmente a coletividade das identidades culturais, engajadas por lutas de igualdade, não pela busca de hegemonia.
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Algumas observações sobre o debate crítico

Capítulo 4

Algumas observações sobre o debate crítico relativo à produção dos anos 80





            Transvanguarda foi um termo criado por Achille Bonito Oliva. Em Transvanguardia Italiana (1980), Oliva menciona um nomadismo cultural e ecletismo estilístico, uma arte marcada por citações. Seriam “Linguagens próximas e distantes, abstratas e figurativas, internacionais e autóctones, experimentais e tradicionais, cultas e populares convivem numa obra que utiliza estilos de arte como ‘ready-made’, formas pesquisadas através da memória e livremente reconvertidas em obra.” (1998, p. 106). Bonito Oliva inclui Basquiat em sua lista de artistas pertencentes à Transvaguarda internacional (Id. Ib., p. 59). De fato, observamos o trabalho de Jean-Michel repleto de citações: da história da arte, como Olympia de Manet; de ordem política, como ao escrever “Samo does not cause cancer in laboratory animal” (imagem 11); ou de ordem religiosa, como ao mostrar auréolas e tridentes (imagem 6). Ao contrário do que o aspecto casual das citações, em sua materialidade informal do graffiti, pode indicar como superficial, elas se articulam no conjunto da sua obra como que estruturando numa poética bastante pessoal, que menciona sua condição de indivíduo único e sua dimensão de indivíduo socialmente construído — negro, bissexual, filho de imigrantes, urbano, e simultaneamente culto e marginal.
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Jean-Michel Basquiat e os anos 80


 Capítulo 3

Jean-Michel Basquiat e os anos 80 


Imagem nº8: Untitled (1984)


 
Antes de falarmos de sua inserção nos anos 80, faz-se necessário falar sobre esse momento, o contexto histórico em que ele viveu. Nas artes, os anos 80 são marcados pela retomada da pintura através do Neo-expressionismo e da Transvanguarda. Tal como o Expressionismo se diferencia do pensamento racional impressionista, a volta da pintura nos anos 80, como linguagem, colocará em voga novamente o pensamento expressionista, que irá se reestabelecer diante da Arte conceitual e Minimalismo.

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Jean-Michel Basquiat: sua condição de artista marginal


Capítulo 2




Sua condição de artista marginal       


          Jean-Michel Basquiat é o tipo de artista cujo entendimento de sua biografia é essencial para o entendimento de sua obra, já que ela inclui autobiografia, questões raciais, cultura popular e simbologia que nascem justamente de seu contato com o mundo. 

            Basquiat teve uma educação erudita, era de família de classe média, falava fluentemente inglês, francês e espanhol, desenhou desde muito cedo, era interessado em literatura e ópera, mas também em quadrinhos e hip-hop. Negro, filho de haitiano e porto-riquenha, traz consigo diversas identidades culturais. Uma das questões fundamentais — o questionamento a respeito de quanto ele sabia da história da arte — pode ser verificada aqui: sua mãe o levava desde muito cedo para visitar museus e Jean-Michel conhecia as obras de Picasso, Dubuffet, Cy Twombly, Jackson Pollock. 
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Jean-Michel Basquiat: um paradoxo (in)constante


Capítulo 1
Introdução


Folheava um catálogo com as obras de Jean-Michel Basquiat (1960-1988), quando fui tomada pela curiosidade. Comecei a me fazer algumas perguntas e cada vez mais queria entender seu processo de criação, sua origem, suas influências. Talvez o pasmo inicial não tenha nascido essencialmente da catarse causada por sua obra (o que em nenhum momento nega sua “qualidade”, da qual falarei adiante), mas em meus primeiros contatos com ela fui, aos poucos, percebendo sua multiplicidade. Lembro-me de um trabalho em especial, “In italian” (imagem 2), de 1983, que de imediato evidencia inúmeros aspectos presentes em sua linguagem visual e que adiante me levaria a questões sobre sua simbologia, o marketing em torno de seu trabalho, a retomada da pintura nos anos 80 ­— e a periodização e questionamentos sobre o pós-modernismo — as vertentes existentes naquele momento, o Neo-expressionismo, a Transvanguarda, a remanescência Pop, a condição de artista marginal, a rua, o multiculturalismo. Basquiat nos leva a diversos caminhos e vamos trilhando-os lentamente — o que me levou ao tema principal escolhido: o paradoxo, que é inerente a cada passo. A importância de pesquisá-lo é exatamente verificar como ele mixava todas essas influências, todo esse léxico, num posicionamento quase abrupto com o mundo. Em “In italian” (trabalho composto por dois painéis com técnica mista sobre tela, montada sobre madeira) já temos de início, a partir do título, uma relação com seu multiculturalismo, com a globalização artística presente em Basquiat. Nele vemos muitas palavras escritas, que fazem parte da influência do graffiti, da arte da rua, em seu vocabulário plástico. O símbolo da copyright está lá, recorrente em sua carreira, desde quando grafitava o metrô; encontramos também a palavra “crown”, a coroa, que tem para o artista grande significado —  evocava o desejo de poder e de glória. A cor explode em sua tela, com verde, misturado ao vermelho, preto, rosa, azul, branco, cinza — o que seria uma característica neo-expressionista, onde as cores “falam” por si só, havendo ainda a presença do romantismo, ao explicitar suas emoções, e da bad painting. Temos a volta da figuração pictórica dos anos 80. Temos também a representação do negro, que será um dos meios utilizados por ele para expressar seus questionamentos políticos em relação às questões raciais, sobre sua condição de artista negro descendente de latinos. “Blood”, “heart”, “sangre”, “corpus” e “teeth” estão escritos, mostrando seu interesse por questões anatômicas e relacionadas ao corpo humano, que também será comum em sua obra. Vemos o desenho de uma moeda (talvez um “dime”, já que temos ao lado escrito “ten cent”) com a inscrição presente no dinheiro norte-americano: “In God we trust”, decerto ironizando a relação religião-economia, onde a palavra “liberty” aparece riscada.
            A pintura de Basquiat reune palavras e desenhos (imagem 8). Existe uma articulação entre a arte das ruas, desenhos em quadrinho (imagem 9), símbolos populares, presença do figurativismo ao mesmo tempo em que propõe uma arte expressiva, quase visceral, como diria Van Gogh: “A cor exprime algo por si só”[1]. Escreve palavras, as risca, às vezes os traços parecem infantis, rudimentares, mas tudo muito bem orquestrado no plano pictórico, dos desenhos às cores utilizadas. Basquiat parece usar as cores instintivamente, pulsam em suas telas, entram em conflito (imagem 6). Algumas obras apresentam o espaço da tela completamente preenchidos (imagem 5), outras, apresentam a escassez de elementos (imagem 12).
            Observando os trabalhos de Basquiat podemos destacar a gestualidade presente em suas telas, seus traços trêmulos e inexatos variam com a agressividade gestual. O tratamento dado ao suporte é despreocupado de beleza formal, suas pinceladas apresentam grande atividade e variação, vão em todas as direções, e diversificando a espessura. A textura é dada pelas camadas de tinta, de cores contrastantes, que se sobrepõem, existe um colorismo impactante nas obras de Jean-Michel. As distorções das figuras são, por muitas vezes, dramáticas. A profundidade clássica, inexiste, não usa perspectiva, sombra ou qualquer elemento que atribua volume às suas formas, trabalha, essencialmente, na planalidade oferecida pelo espaço bidimensional pictórico.
            É interessante observar suas construções despreocupadas em formar “cenas coerentes”, nem sempre os elementos dialogam entre si, a composição é livre. Ao pintar e posteriormente “apagar” o desenho, ele transforma a figura em fundo novamente (imagem 7). Basquiat costumava dizer que ele apagava, riscava os elementos para que o espectador sentisse curiosidade em saber o que estava escrito ou desenhado, aumentaria a intensidade da observação de quem vê a obra — esse vir a ser, permite um diálogo com os trabalhos de Christo, em relação à atitude (já que trabalharam com linguagens distintas), que estimulava a percepção do olhar através do ocultamento.
            Basquiat declarava-se “escritor”[2]. Dizia que escrevia muitas coisas, por vezes, sem pensar. Isso pode ser verificado em seus trabalhos, embora fosse mais comum em seus graffitis, ele trouxe para pintura as mesmas características. Essa forma de brainstorming: escrever sem pensar, utilização de fragmentos sem nexo, remete de alguma forma à poesia dadá, já que seus poetas escolhiam aleatoriamente as palavras que seriam utilizadas na composição das frases, e ainda, ao processo do automatismo psíquico surrealista.
            Um dos focos de interesse de Basquiat eram os hieróglifos[3]. Podemos então fazer uma leitura de suas obras a partir do seu interesse pelo grafismo, pela escrita dos antigos egípcios, quando ele abstrai do real e transforma o objeto em símbolo, de maneira expressiva e que, não necessariamente deveria realizar alguma forma de comunicação — seu interesse parece ser gráfico. Quando Basquiat une o desenho às palavras, essa associação pode ser melhor compreendida.
Outro foco é o tema Lázaro — o artista brasileiro, contemporâneo de Basquiat, Leonilson, também trabalhou com essa temática em sua instalação “Item Lázaro”. Lázaro representa o milagre da ressurreição (na visão do cristianismo), provavelmente um interesse inerente aos que se autodestroem, uma possibilidade de voltar a viver. Existe ainda, uma parábola espírita que diz que Lázaro representa os excluídos da sociedade terrena, aqueles que a sociedade despreza.
            Irônicas, expressivas, espontâneas, sentimentais — são alguns dos adjetivos que podemos utilizar para descrever as obras de Jean-Michel Basquiat. 


[1] MICHELI, Mario de. As vanguardas artísticas. São Paulo: Martins Fontes, 1991. p.20.
[2] Ele diz ser escritor no filme Downtown 81.
[3] Em Downtown 81, Basquiat diz interessar-se por muitas coisas, entre elas, os hieróglifos.
 
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Estou aqui (I´m here)

I´m here (2010) é um curta verdadeiramente apreciável, de enternecimento imediato.  Direção e roteiro do Spike Jonze, que também concebeu, no mesmo ano, o notável longa "Onde vivem os monstros". Fala sobre o amor entre dois robôs com hardwares danificados, mas com os corações cheios de bytes pulsantes. Mesmo nascendo de um projeto comercial, pois foi financiado pela vodka "Absolut", não perde a capacidade de impressionar, com uma "poética" muito peculiar de Jonze. Vamos aos screenshots!




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Degas e a fotografia

Notamos nos desenhos e pinturas de Degas grande preocupação com o enquadramento das cenas, e ainda, com a angulação oblíqua. Colocava seus modelos em primeiro plano, dando maior profundidade à composição, revelando a influência exercida pela fotografia em sua obra. 
Analisando detalhadamente algumas imagens, podemos compará-las a fotografias instantâneas. Como vemos em "A aula de dança", 1880, que René Huyghe (faço uma tradução livre) dissecou: o rosto da mulher de negro, marcado pelo tempo, é o único que se pode ver por inteiro no quadro, já que, para Degas, o que importava eram as pernas das bailarinas e a nuvem de tule que constituía seus uniformes.

Ao olharmos o desenho, fazemos analogia à composição fotográfica, pois as linhas se convergem até um ponto de fuga lateral e exterior, que geralmente é colocado do lado direito, mas no caso desse desenho, do lado esquerdo. Sabemos que a bailarina não ficaria naquela posição por tanto tempo, deixando claro que ele utilizava-se das fotografias para imobilizar a ação que estavam realizando.

Ao contrário dos seus contemporâneos, quase não pintava cenas ao ar livre ou paisagens, preferia interiores e a luz artificial, mais uma influência da fotografia.
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Warhol

 


 "Sempre suspeitei que estava assistindo televisão ao invés de viver a minha vida" - Andy Warhol
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Schopenhauer e o amor

Alain de Botton, escritor que ficou famoso por divulgar a filosofia, tem um DVD intitulado "Filosofia: um guia para a felicidade", com os seguintes episódios:  Sócrates e a Autoconfiança, Epicuro e a Felicidade, Sêneca e a Ira, Montaigne e a Auto Estima, Schopenhauer e o Amor, Nietzsche e as dificuldades e A arquitetura da felicidade.
Schopenhauer é um filósofo singular, talvez pouco conhecido, mas que influenciou Nietzsche e Freud. Suas reflexões sobre as religiões de salvação, bem como seu estudo sobre a compaixão merecem destaque. Os screenshots demonstram uma frase que parece ironia, já que é conhecido por seu pessimismo desmedido, com frases como "é mais seguro confiar no medo que na esperança". Nunca foi feliz no amor...


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Colonia del Sacramento - Uruguay, 2011


Uma boa dica de viagem, se você estiver em Buenos Aires, é fazer um bate-volta até a cidade de Colonia del Sacramento, no Uruguai, considerada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Fundada por portugueses em 1680, Colonia está localizada na ponta de uma península com posição estratégica no Río de la Plata.



Em Puerto Madero existem algumas empresas que fazem a travessia de Buenos Aires até Colonia. São elas: BuquebusColonia Express e Seacat. Optei por Buquebus, que realizava a travessia de 1 hora (alguns barcos fazem em 3 horas). O ticket de ida e volta custou em torno de R$160,00. O barco possui duty free, bem como área vip no segundo piso.

Em todo caso é uma viagem internacional, portanto, tenha em mãos todos os documentos, pois precisará passar pela imigração uruguaia e argentina, obtendo o documento de entrada e de saída.

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Colonia del Sacramento é uma cidadezinha litorânea, que foi colonizada por portugueses. O ambiente é bucólico, com casas antigas, pequenos restaurantes e uma brisa agradável - ali o tempo passa vagarosamente. Algumas lojas alugam carrinhos de golf para o passeio nas ruas de pedra.
O carrinho alugado para percorrer a cidade
Todos os seus edifícios modestos, no que se refere tanto às suas dimensões e à sua aparência, são um testemunho particularmente interessante para a fusão singular das tradições portuguesas e espanholas que é evidente nos métodos de construção utilizados.
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Ao que parece, Colonia é um refúgio e também uma cidade de passagem, pois a maioria das empresas supracitadas fazem o roteiro até Montevidéu ou Punta del Este de ônibus. É, visivelmente, um ambiente turístico. Não precisei trocar os pesos argentinos por pesos uruguaios, pois os comerciantes aceitam as duas moedas.

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