"Madonna studies" e outras graduações



"Baby I can't get it enough (you get it)
If you do your homework (work)
Baby I will give you more (work)"
 Madonna/Spanish Lesson

Recordei-me de uma pesquisa informal que havia realizado há alguns anos, o enfoque era: as novas graduações. Motivada principalmente pelo curso intitulado “Madonna Studies”, e não se trata da Madonna católica, até porque os princípios de formação religiosa como base para a estruturação do ser humano é tipicamente moderno, e, parafraseando Baudrillard, vivemos no mundo dos simulacros, então se trata da Madonna ícone Pop.


Cheguei a algumas reportagens, principalmente as realizadas pela BBC no ano 2000, no âmbito da educação. Cursos de graduação — alguns parecidos com os politécnicos que temos por aqui — como: Circo contemporâneo, Curso de Golfe, Terapia de Beleza, Estudo sobre Madonna, Confecção de cerveja, Porcos como entretenimento, Vestimentas de tricô, entre outros.

É claro que tal implantação de cursos exóticos estremeceram os alicerces das estruturas educacionais mais rígidas, como a inglesa, mas talvez nem todos tenham tido a mesma sensibilidade para analisar os cursos em toda sua horizontalidade deleuziana. Utilizando títulos como “Universidade para palhaços” ou “Brincadeira qualificada” apresentam uma análise onde existe posição relativa numa escala de valores, e buscam fundamentações nas estruturas hierárquicas.

Muitos levantamentos eram acerca da empregabilidade que tais cursos trariam aos seus estudantes, podemos então nos reportar a Lyotard ao dizer: “No contexto da mercantilização do saber, esta última questão significa comumente: isto é vendável? E, no contexto do aumento do poder: isto é eficaz?”, ou seja, se a princípio o curso não oferecer retorno financeiro ou de status, não teria razão para existir? Este princípio binário do certo/errado, do bom/ruim, do verdadeiro/falso se baseia numa concepção de que só existem dois lados, e não abrem as portas para outras possibilidades possíveis.


E, tal conceito se apresenta de forma a esmagar a multiplicidade de opções. Embora seja contraditório, porque Lyotard ao falar do poder, em A condição Pós-moderna, no capítulo “O ensino e sua legitimação pelo desempenho”, dizia que não haveria mais motivos para uma didática clássica, visto que a maior importância estaria em saber, mas o saber numa sociedade informatizada, onde a moeda seria a rapidez da circulação das informações.

Vivemos uma era de agregação por afinidades ou Neotribalismo, como destaca Michel Maffesoli. Ao selecionar algumas atividades, estaremos eliminando outras, o que torna a questão da educação diretiva mais complexa.

Com a discussão aberta ao público, muitas opiniões apareceram:

Eu sou Mestra em uma Escola Americana de Artes[...]. Universidade é sobre como você aprende, não o quê você aprende. Bravo para os graduados em ´Madonna Studies´.

Quantos empregadores precisam de trabalhadores que possam desconstruir as canções da “Material Girl”?

Sou graduado na University of London [...] Há uma soberba que enoja nas graduações clássicas. Eu acho que as letras da pop music podem ser vistas como poesia, enquanto que a graduação em Estudos sobre Madonna tem tanta validade quanto estudar os trabalhos de antigos poetas.

Se os paradigmas educacionais estão sendo discutidos é porque ainda existem, e se existem, devem ser repensados. É interessante observar que a simples criação de cursos novos implica numa série de contradiscursos, parece que, no que tange à educação, ainda é importante ter um parâmetro a ser seguido, e a menor instabilidade causa enorme comoção.

Ao que parece, pode haver confluências, podemos nos adaptar diante das novidades na educação, no trabalho, na vida. Não precisa ser um divisor, pode ser um multiplicador, e cabe a nós nos readaptarmos, sem a necessidade de cortes temporais: podemos trabalhar com o ontem, o hoje e o amanhã, conjuntamente.

Links:
 

Olha que link engraçado, com as 10 graduações que não possuem qualquer utilidade. Em 1ºlugar: História da Arte! Magoei!

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