O primitivismo em Basquiat


Capítulo 6




O primitivismo em Basquiat

Na discussão sobre primitivismo, podemos destacar que “Nos últimos anos essa abordagem foi debatida e relativizada por historiadores e críticos de arte com posições muito diferentes. Uma abordagem que influenciou grandemente o primitivismo é a ‘teoria do discurso’.” (Arte moderna: práticas e debates, 1998, p.4).



A presença constante da imagem da coroa (imagem 4) nas obras de Basquiat seria, além da linguagem pictórica sintética, mais uma possível vinculação de seus procedimentos com os procedimentos da arte primitiva. Basquiat invertia as imagens e as palavras de poder mágico. A coroa, nesse caso, conjugaria as forças da realeza e heroísmo — adquiridas na dura realidade das ruas. A coroa de três pontas passou a ser praticamente sua logomarca. Basquiat falava sobre o significado para ele: “Escrevia ouro em todas as coisas e fiz todo esse dinheiro depois.” (Robert Farris Thompson, Royalty, heroism, and the streets: the art of Jean-Michel Basquiat, 1992). Quando perguntado sobre a temática de seus trabalhos, ele respondia que seu tema era realeza, heroísmo e as ruas. Essa afirmação de crença do poder das palavras e imagens, da concepção mágica das coisas é o que leva a uma comparação com o Paleolítico Superior, e aqui o sentido de primitivo nasce do conceito utilizado no trabalho, a intenção do artista.

Se por um lado a coroa fazia a ponte entre imagem e realidade — talvez somente no campo da imaginação de Basquiat —, por outro lado sua presença constante parece amplamente simbólica, tal como nos artistas primitivos ela tem uma função, uma finalidade. O artista parte do princípio que a imagem fará a conexão com seus anseios e vontades, e é sobre esse campo imaginário que a obra se constrói.
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