Bagan e seus templos (2ª parte)

Quando viajo sozinha costumo levantar cedo para aproveitar o dia, evidenciando um dos prós da viagem solo, já que sou rainha absoluta para decidir sobre o roteiro. Nem sempre é necessário acordar ao alvorecer - varia de acordo com a cidade que estou. Em lugares mais urbanos, as atrações turísticas às vezes abrem tarde (museus, lojas, parques, etc). Bagan é uma cidade quente (setembro/outubro), logo, a caminhada pela manhã é mais agradável. 

Shwezigon Pagoda
O café da manhã começava a ser servido às 6h. Por volta das 6:30h estava caminhando pelo salão, selecionando o que comeria. Decidi experimentar a culinária oriental no café da manhã, embora adore pães, frutas e café. Um pouco receosa, escolhi tomates assados com alecrim, feijão, tempurá de legumes, e, para meu espanto, tudo estava delicioso.
O hotel

Voltei para o quarto, tomei meu banho. Já pronta, com água e protetor solar na mochila, atravessei a rua para alugar a motoneta. Dessa vez fiz a locação para o dia inteiro (7 mil kyats). O rapaz me surpreendeu e trouxe um capacete - deve ter ficado com medo do meu despreparo no dia anterior.

Preferi seguir em direção a Nyaung-U para visitar a Shwezigon Pagoda. Foi o dia mais emocionante naquela cidade! Talvez por ser sábado, o templo estava repleto de famílias locais. Encontrei turistas, mas poucos...

Shwezigon foi construída como o santuário mais importante de Bagan em 1.076. Era o centro de reflexão e oração para a fé Theravada estabelecida pelo Rei Anawarahta. Fica localizada entre a vila Wetkyi-in e Nyaung-U.

A forma graciosa do sino do templo se transformou em modelo para todos os demais construídos em Myanmar. O pagode dourado fica repousado sobre três terraços. Placas esmaltadas dispostas ao redor da construção ilustram cenas da vida de Buda. Nos pontos cardinais de frente para as escadas de acesso ao terraço encontramos santuários que abrigam uma estátua de Buda de 4 metros.

Assim que passei pelo cruzamento (um drama para quem não está acostumada com moto), estacionei na entrada do templo. Um simpático chinês perguntou quanto foi a locação da e-bike. Contou-me que estava com um grupo, mas gostaria de ter um tempo para passear só. Estavam fotografando com câmeras caríssimas num tour fotográfico.
De capacete dessa vez
Andei pelo extenso corredor até a entrada, que tem muitos artesãos e pessoas vendendo produtos para os turistas. Evito parecer muito interessada pelos artesanatos - eliminando a insistência, já que não tinha a intenção de comprar nada.







As pessoas foram muito atenciosas em Shwezigon. Assim que entrei, três meninas se aproximaram e começaram a mandar beijos para mim. Pena que só tirei uma foto quando já se afastavam. Todos cumprimentavam com um sorriso tímido ou com um olhar fraterno.
As três meninas lindas que sorriam e acenavam pra mim
 
My travelbook



O sol estava intenso e iluminava a pagoda dourada, causando um lindo espetáculo visual. Percorri o entorno do templo e uma senhora pediu para tirar foto comigo (sempre retribuo, mas não estava preparada). Logo após, uma família perguntou se poderia posar com eles. A solicitação foi prontamente atendida.
 
 

Após caminhar por quase todo o espaço, percebi que a maioria das pessoas seguiam para um pátio coberto, mas não tinha turistas no interior. Curiosa, fui até lá, mas não entrei - num primeiro momento. Fiquei observando da escada e um homem veio até mim, com um bebê no colo, e explicou que cada um leva um prato de comida aos sábados e comem juntos ali. Olhando para o menino, disse com orgulho: "esse é meu filho". 

Ele me explicou sobre o almoço aos sábados

Infelizmente não consegui comprar uma câmera mirrorless, que tinha planejado, antes de seguir para Bagan, pois o cenário é mágico. Merece ser fotografado.

É provável que tenha passado mais de 2 horas no templo supracitado, pois estava em êxtase absoluto. Posteriormente, segui em direção à Nyaung-U, visto que pretendia visitar o mercado "Manisithu Market". Após alguns minutos dirigindo, parei para saber se estava na direção correta. Disseram-me que sim. Adiante resolvi perguntar novamente e a senhora disse que estava fechado. No meu roteiro havia a informação que abria todos os dia, então, segui em frente (o mapa dado pelo hotel não facilitava a localização, bem como não consegui baixar pelo google maps).  

A maioria dos mochileiros ficam em Nyaung-U, em razão da grande oferta de pousadas, locação de motos, agências de turismo, mercadinhos. Talvez seja o melhor lugar para se hospedar, já que ter uma e-bike é quase obrigatório e, como é elétrica, tanto faz a distância percorrida.

Quase não conseguia ver o asfalto da estrada principal, de tanta poeira. Nesse ponto da cidade tem casas comuns, pessoas caminhando. De repente, vi uma rotatória com dezenas de motos e gelei. Aguardei o fluxo diminuir. Segui para a direita e percebi que ali poderia ser o mercado. Foi difícil achar um lugar para estacionar.
 


Tinha chovido de manhã e o chão do mercado continha muita lama. Os chineses do tour fotográfico estavam por lá com sacos plásticos até os joelhos. Parei para conversar com o guia deles - um rapaz muito simpático. Entrei na feira, que vende legumes, frutas, carnes, ovos. Não quis ligar o flash e as fotos ficaram escuras, pois o ambiente é coberto. No fim, comprei algumas frutas-de-conde, mas acho que a senhora me cobrou caro, 5 frutas por 1 mil kyats (menos de 1 dólar). 


 


Na volta, tive que suar a camisa para pegar a moto, pois estacionaram atrás de mim. Passado o sufoco, retornei para Old Bagan com o intuito de descansar. Parei no restaurante "Queen" e tomei um suco de laranja. Atravessei a rua, pois tinha uma agência do outro lado, e perguntei sobre excursões. A resposta foi que só fazem tour privado. 

O hotel Umbra
Ressalto que a maioria das pessoas correm para ver o nascer e o pôr do sol, registrando imagens lindas (alguns templos não permitiam escalar, em razão do terremoto de agosto). Não conseguiria dirigir sem iluminação na estrada e não queria pagar uma fortuna para alguém me levar (li que cobrariam 20 dólares pra levar e trazer). No aeroporto de Mandalay encontrei uma brasileira que ficou em hostel e disse que organizavam um tour todos os dias para ver o amanhecer e o entardecer. Talvez seja melhor se hospedar em hostel para ter companhia e opções mais baratas. Prefiro não dividir quarto com estranhos por questão de segurança.

Após o merecido repouso, segui para o templo Gawdawpalin, que tem dois andares, típico do estilo tardio, foi construído no século 11. O plano é quadrado com pórticos nos quatro cantos, no primeiro andar encontramos 4 imagens de Buda. 




 
No caminho fui percorrendo várias estupas, pagodas, etc. Parei no templo TaWaGu (construído em 1.190 por um ministro que doou o templo, escravos e terras, segundo inscrição no interior), de repente o céu escureceu, mas segui até o Shwebonthar, Myet Taw Pyay.




 
 

     
Esse fofo vinha lutando no caminho. Dava socos no ar. Perguntei "posso tirar sua foto". Sorriu e parou. Pena


Estava com fome e decidi retornar ao restaurante do dia anterior: The moon, be kind to animals. Na porta, antes de entrar, apareceu o menino do dia anterior, perguntando se tinha lembrado de trazer a nota do Brasil. Estava numa bicicleta novinha. Dei os 2 reais e tiramos uma selfie. Um funcionário do restaurante, ao ver que abri a mochila, saiu para saber se estava acontecendo alguma coisa.
 

Optei pelo delicioso veg burguer com um suco de laranjas (5 mil kyats). Descansei e retornei para o hotel, mas fui parando em alguns templos pelo caminho. Não entreguei a e-bike de imediato, mas depois concluí que naquele dia já estava sem disposição para explorar a cidade e preferi descansar no hotel.

Giovaninha


A carroça também é um meio de transporte utilizado em Bagan. Custa cerca de 25 dólares o dia.

 



 
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