Ilha Grande (2015)

Pretendia visitar Ilha Grande no feriado de 12 de outubro (a ilha tem 193 km2 e pertence ao município de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro), mas, na semana anterior, fiz uma pesquisa e os preços das pousadas estavam estratosféricos. Sem perder a esperança, na sexta-feira (dia 09), por volta do meio-dia, entrei no booking.com e o preço da diária tinha caído de R$790 para R$280! Comuniquei ao meu amigo, que também pretendia viajar, e topou na hora. Fiz a reserva e fomos procurar passagem no site clickbus.com.br (R$30,00 na viação Costa Verde). 

 
No site supracitado, descobrimos que só tinha lugar no ônibus que sairia às 15h, para Mangaratiba, da Rodoviária Novo Rio. Sem muito tempo, abri o guarda-roupa e joguei algumas peças na mochila, tentei lembrar do básico. Almocei e segui para a rodoviária (peguei ônibus, metrô e táxi, para chegar o mais rápido possível), Victor chegou 10 minutos antes da saída do ônibus.

A viagem de ida foi hilária. Assim que entramos, vimos que tinha uma mulher no nosso lugar (assentos 3 e 4, os primeiros do ônibus) e tivemos que, educadamente, pedir para se retirar. Depois entrou uma senhora e disse que só poderia sentar nos primeiros bancos, pois não poderia deixar suas malas no bagageiro. Houve uma confusão, pois a mulher que estava no nosso lugar, desceria na Avenida Brasil, mas, em decorrência do engarrafamento, o motorista optou por fazer outro trajeto, quando ela deu conta, já estava em outro município. Foi uma gritaria, queria discutir com o motorista. Victor, com medo de um acidente, se levantou e disse para ela se conter e esperar uma parada para resolver o problema.  

Estive em Ilha Grande em 2006, naquela época, peguei a barca de Angra dos Reis na ida, pois saia às 15:30h (a de Mangaratiba sai 8h) e voltei de escuna. O problema é que Angra dos Reis é bem mais distante que Mangaratiba, para quem sai do Rio.

Na primeira parada, perguntamos ao motorista se o ônibus deixava perto do porto de Mangaratiba. Nos avisou que a melhor opção seria descer em Conceição de Jacareí, pois tinha mais opções de transportes. Em Mangaratiba teríamos que esperar a única barca que sairia meia-noite (só tem essa opção às sextas-feiras).

O ônibus passou por Mangaratiba e continuamos na viatura. A viagem deveria durar cerca de 3 horas, mas levamos mais de 5. De repente, o ônibus parou numa estrada escura e o motorista avisou que estávamos em Conceição. Descemos por volta das 18:45h, meio atordoados e sem saber onde estávamos. De repente apareceu um homem e disse que poderíamos comprar o bilhete do “fast boat” na agência em frente, a Vila Nova Tour



A passagem custou R$35,00. Não compramos a volta, como insistiam em vender. Compramos “no escuro”, pois não tínhamos ideia qual era a embarcação. Recebemos as coordenadas para chegarmos ao cais, de onde partiríamos. Atravessamos a rodovia e descemos uma rua até chegarmos na praia. Encontramos muitas pessoas e vários barcos. O “fast boat” é um barco inflável que faz o percurso em ¼ do tempo da barca.   


O bote tem cadeiras e deve caber umas 40 pessoas. De repente, o piloto ligou o motor, colocou um som altíssimo e o barco voa. Em 25 minutos estávamos em Abraão!!! A barca e as escunas fazem o mesmo percurso em 2 horas! É uma experiência assustadora, mas basta olhar o mapa para constatar que Conceição é realmente a melhor opção para chegar na ilha. 
Chegamos na pousada “Portal dos Borbas” e fizemos o check-in, como de costume, bloquearam meu cartão de crédito (perdi 40 minutos no telefone). Na reserva, constava que teria 2 camas no quarto, mas só tinham uma cama de casal. A funcionária, que era muito simpática, disse que arrumaria assim que retornássemos. Tomamos banho e fomos dar uma volta. 



Comemos uma pizza no “Sara Sabores”, que tinha boa reputação no tripadvisor. Gostei e repeti no dia seguinte. Ao retornarmos, o quarto já estava arrumado, mas não conseguimos ligar o ar-condicionado (no outro dia, o funcionário trocou as pilhas do controle remoto), tampouco lembramos que o celular poderia ter substituído o controle. 


Fiquei 9 anos sem visitar Ilha Grande e observei que continua com ruas de terra, sem muitas opções de diversão noturna (na verdade, não tem boates ou bares interessantes), mas tinha mais restaurantes e mercadinhos. 
Café da manhã na pousada
No dia seguinte, acordamos cedo e tomamos café da manhã - tinha muitas opções de sucos, pães, torta salgada e frutas - e decidimos fazer a trilha T1 (2km), que passa pela Praia Preta, Ruínas do Lazareto e termina no Aqueduto, chegando lá, resolvemos seguir a trilha T2 (6km), que finaliza na Praia da Feiticeira, que é linda. Faixa de areia curta, mas com poucas pessoas. Comprei uma água de coco (5 reais) e aproveitei a paisagem. Existem diversas trilhas em Ilha Grande com dificuldade variando entre "leve", "moderada" e "pesada" (a que leva até o Pico do Papagaio tem 18km e altitude de 960m).

  

Aqueduto




Olha o que chamam de cachoeira! A Cachoeira da Feiticeira é apenas uma queda de água.
Subir, subir, subir
Sem forças para retornar pela trilha, a única opção é pagar um táxi boat. O preço cobrado da praia até a vila foi R$25 por pessoa. É bem salgado, se compararmos com o preço dos passeios de um dia inteiro. Pelo menos esse era razoavelmente seguro e rápido.  
 




No retorno, paramos no “Casarão da Ilha” para almoçarmos. Eu queria comer peixe e Victor carne. A comida estava boa e com um preço razoável, mas teve algo que me irritou. Na frente do restaurante, tinha uma placa com o valor da cerveja. Constava um preço para a Stella Artois. Embora não beba cerveja, pedi e fiz uma michelada com o sal, pimenta e limão que tinha na mesa. Na hora de pedir a conta, o valor era outro. A garçonete foi na parede e rasgou o cartaz com o preço. Entrei para falar com a dona, que me disse “Ah, esse valor era de uma festa que fizemos”. Disse que se me cobrasse outro valor, não pagaria os 10%, que era superior à diferença. Cobrou o que constava no cartaz. Ainda me arrependi de ter pago os 10%, pois o cliente deve ser tratado com cortesia e os estabelecimentos devem observar o Código de Defesa do Consumidor.   




Procuramos algo para fazer durante a noite, mas não encontramos nada. Victor comprou saquê e bebemos com suco de caju deitados nas redes que ficam espalhadas no quintal da pousada.

No dia seguinte, procuramos outra trilha e decidimos pela T10 (6 km) conjugada com a T11 (2.4 km). A T10 inicia em Abrão, passa pela Praia de Palmas, Praia de Mangues e termina na Praia de Pouso. A T11 consiste na travessia entre a Praia de Pouso e a Praia de Lopes Mendes, que deve, obrigatoriamente, ser feita a ida e volta, já que não tem barcos em Lopes Mendes, em razão do mar revolto.   
A pousada

 


O dia estava muito quente e, por sorte, ao contrário do dia seguinte, levei uma garrafa de água e uma maçã. Victor queria ficar em Palmas, pois estava cansado e não aguentava mais andar. Começou a reclamar. Disse que iria até Lopes Mendes. Decidiu ir também, mas reclamando a cada 2 minutos. Também estava "morta", pois sou sedentária, mas queria experimentar a aventura. No retorno, pegamos um táxi boat na Praia de Pouso e foi uma das piores experiências da minha vida. Pagamos sem saber qual era o barco. Veio um daqueles bem antigos e super lentos. No meio do caminho, muita água entrava no barco. Como não nado, coloquei o colete, tentei colocar o celular na toalha. Depois tinha certeza que o barco viraria, pois, quando passavam outras embarcações, o barco não conseguia ficar estável. O retorno durou cerca de 1 hora! Foi uma tortura! 

Praia de Palmas
Praia de Palmas




Praia de Mangues
Praia de Pouso

Particularmente, discordo da classificação do Tripadvisor, que coloca a Praia de Lopes Mendes como a 2ª mais bonita do Brasil! O mar é muito revolto, a coloração da água não é impressionante. A praia dessa vez estava lotada, sem lugar na sombra. Não tinha qualquer vendedor, portanto, a maioria das pessoas levavam muitas bebidas e comida. 
Praia Lopes Mendes


Na segunda-feira, dia que terminava nossa hospedagem, perguntamos se tinha disponibilidade para mais uma diária, mas a pousada já estava lotada. Compramos, pela internet, as passagens de ônibus (só tinha 3 lugares) de Mangaratiba, saindo 14h. Fomos procurar uma forma de sairmos da ilha. Não tinha disponibilidade de barca. Perguntamos sobre o "fast boat" para Mangaratiba e informaram que não existe, em razão da correnteza naquele percurso, por fim, encontramos uma escuna na agência "Desireê". Chegamos em Mangaratiba 2 horas depois, mas o ônibus demorou quase 2 horas para aparecer. Comi um pastel no bar do chinês e fiquei me sentindo mal. Cheguei na rodoviária por volta das 20h e tive que pegar um táxi, pois não lembrava como sair de outra forma. 


O guia Lonely Planet elegeu a região da "Costa Verde" como um dos melhores lugares do mundo para conhecer em 2016.

Ponto de ônibus em Mangaratiba.
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