Os encantos mexicanos, parte 2


Como relatado no post anterior, pretendia visitar Chichén Itzá logo no meu segundo dia em Playa del Carmen, mas em razão do descumprimento do contrato pela “best day”, acabei contratando o tour, por 50 dólares, no próprio hotel. Na realidade, a empresa igualou o preço ao do folder da Easy Tours (empresa não é muito bem avaliada no Tripadvisor), que tinha pego no dia anterior.

Desagrada-me o passeio em grupo, se por um lado é uma oportunidade para conhecer novas pessoas, por outro, você fica limitada em razão do roteiro preestabelecido. A van foi me buscar por volta das 8 horas, mas depois passou em vários resorts para buscar os demais integrantes do grupo (levou quase 2 horas recolhendo passageiros).
 
A primeira parada foi no Cenote Palomitas, que já me deixou entristecida, uma vez que queria muito conhecer o “Ik Kil” (fica a poucos metros de Chichén), considerado o mais bonito do mundo, mas não verifiquei o roteiro, apenas me garantiram que seria o mesmo que constava no folheto da empresa supracitada.



Os cenotes geralmente ficam dentro de propriedades particulares. Recebemos a informação que permaneceríamos por cerca de 30 minutos. Tinha banheiro para trocarmos as roupas, além de existir a possibilidade de alugarmos coletes e toalhas.

Vestia biquíni por baixo da roupa, além de levar uma toalha de secagem rápida. Aluguei um colete por 20 pesos e desci as escadas que levavam ao rio subterrâneo. Deixei a mochila na pedra e entrei. O lugar é deslumbrante, de um azul cintilante, mas a água é super gelada, pois só entra um raio de sol pela parte superior da caverna. A profundidade impressiona: 45 metros!
 

Seguimos para o almoço num lugar tipicamente construído para turistas, com uma loja imensa de artesanatos caríssimos, e, somente depois de muitos minutos esperando no local possibilitaram a entrada no restaurante. Era um bufê de comidas mexicanas (estava incluído no pacote), mas com a qualidade muito ruim. Nem consegui tirar fotos para mostrar. Experimentei um taco, um pouco de macarrão e tomei uma sopa (que os próprios mexicanos, de Chiuaua, desconheciam a origem). 

De volta à van, seguimos para o sítio arqueológico. A entrada fica abarrotada de ônibus, carros, vans. Só não é assustador porque já fui, em 2012, na Basílica de Guadalupe, na Cidade do México, e presenciei a mesma multidão. 
Vermelha, descabelada e morrendo de calor
O guia nos deixou em um ponto de encontro e foi buscar as entradas. A sensação térmica era avassaladora, mesmo para uma pessoa que está habituada aos 40º do Rio. Uma turista italiana passou muito mal (não sei se em razão da comida ou do calor) e não pôde completar o passeio. Estava tão impaciente que não conseguia ouvir as explicações do guia. Achei que fotografaria todos os detalhes, mas estava com tanto calor que não conseguia segurar a câmera. Levei a boneca Giovaninha para conhecer Chichén (ela esteve comigo na Ásia em 2013, a pedido da minha sobrinha), fiz uma foto dela, meio desfocada e tentei ouvir as explicações sobre as construções.
Olha a Giovaninha
A capital dos Itzáes (povo maia) está situada ao norte da Península da Yucatán. A cidade controlou os portos comerciais e as salinas, também dominou o tráfego marítimo de Yucatán até a América Central. O cenote sagrado era considerado a entrada ao mundo dos deuses, ideia que foi utilizada para submeter a cidade, seus habitantes e os inimigos através dos rituais de sacrifício. Seu auge e florecimento é tardio, apenas após a queda de Teotihuacan, no entanto, há evidências de ocupação humana naquele lugar desde o último milênio, mas apenas entre os anos 650 e 800 a urbe foi formada.

A pirâmide, com nove níveis, foi construída no século XII e tem inúmeros fenômenos, como a serpente, as sombras ou a acústica, que ecoa o som de um quetzal (pássaro), assim que aplaudem em sua base. O guia mencionou que há suspeitas acerca de um cenote abaixo da estrutura, mas nunca foi confirmado pelos arqueólogos. 



Há alguns anos a estrutura não pode ser escalada, objetivando evitar o desgaste da construção. Em 2007, a Pirâmide de Kukulcán foi eleita uma das sete maravilhas do mundo, junto com o Cristo Redentor, a Grande Muralha da China, Petra, o Coliseu, Machu Picchu e o Taj Mahal.

Um dos lugares interessantes de observar é o Tzompantli (a tradução é “fileira de crânios”), uma plataforma onde as cabeças de pessoas decapitadas eram exibidas. A decoração foi realizada com diversas caveiras.

O “Juego de Pelota” (jogo de bola) praticado em Chichén era o Pok-Ta-Pok, jogado com objetivos ritualísticos, que estava associado ao culto do sol. O campo é retangular, um pouco maior que o de futebol.
Campo para jogar bola
O “Templo dos guerreros” ganhou esse nome pois cada pilastra representa um guerreiro. Foi construído sobre o antigo templo de “chac mool”. 


 

No entorno da pirâmide, estão instaladas diversas barracas de artesanato. Nada tem um preço fixo, portanto, se quiser sair com alguma lembrança, será preciso negociar e barganhar.



Não fiquei arrebatada com a pirâmide maia e tenho certeza que é uma das 7 maravilhas por tudo o que a civilização maia representou. Angkor Wat, pra mim, é uma construção mais poderosa e imponente, embora não tenha tal classificação.

A última parada do dia foi na cidade colonial de Valladolid. A limpeza das ruas me impressionou. Caminhei e comprei uma camisa com estampa da Frida Kahlo, que não estava barata, mas a vendedora foi tão agradável que acabei levando. Dei uma passada na Igreja de San Servacio e voltei para o automóvel. 


La iglesia

Ansiava pelo retorno, pois estava muito cansada. Cheguei por volta das 19h, sem ânimo para fazer nada naquele dia.

No dia seguinte, acordei cedo, fui ao Walmart comprar 
tequila (minha irmã tinha pedido), tomei o café da manhã e segui para a Calle 2 (rua 2), que é o ponto final das vans de Playa. Perguntei qual delas seguiria para as ruínas de Tulum e entrei. Por 40 pesos, em poucos minutos, o motorista me deixou na avenida, próximo da entrada. É preciso ter atenção, pois existe van (e também o ônibus ADO) tanto para o centro da cidade de Tulum quanto para as ruínas de Tulum.

Em razão do sol escaldante, paguei o bilhete do “el trenecito”, um trenzinho que leva até a entrada do Parque Nacional – cerca de 1 km. A pulseira também dá o direito ao retorno pelo mesmo meio de transporte.


 

Paguei a entrada (57 pesos) e segui para apreciar as ruínas. Queria ter encontrado o cenário deslumbrante das fotos que vi na internet, mas, o sargaço tinha coberto aquele imenso mar azul turquesa. Tirei algumas fotos e desci a escadaria que leva ao mar e, apesar da coloração marrom, não titubeei e tirei a roupa, coloquei a mochila na pedra e entrei para me refrescar. 



Tulum (significa “muralha”) é um sítio arqueológico localizado na Riviera Maya, que fica dentro de um parque nacional. Embora existam inscrições datadas do século VI, as edificações foram construídas por volta do ano 1.200. A principal edificação é conhecida como “El castillo”. Antigamente a cidade era chamada de “Zamá”, traduzido como “amanhecer”, em maya, por sua localização, onde primeiro se desponta o amanhecer na região. 



Foi uma comunidade mercantil portuária, privilegiada por sua localização. A vida cotidiana estava relacionada com política, rituais religiosos, artes, observação astronômica, principalmente do planeta Vênus.

A presença da muralha foi importante para salvaguardar seus residentes, pois apenas a elite habitava a cidade murada, as pessoas comuns viviam fora. Só existia 5 entradas e altura dos muros era irregular, seguindo os contornos do terreno. 

Caminhando pelas ruínas me deparei com as inúmeras iguanas que habitam o local.  
Na saída, perguntei o sentido da “Playa paraíso”, todavia, de paraíso não tinha nada. Fui numa época que as algas vieram com tudo. Depois de caminhar por 20 minutos, cheguei numa região com areia branca, mas seria impossível entrar no mar, pois as algas na borda chegavam até a altura da minha cintura! Morria de sede, mas não havia sequer um quiosque. No caminho, tinha um senhor vendendo cocos por 5 dólares!

Retornei e entrei em uma van parada, que seguiria para Playa, mas esperou aparecer mais passageiros. Fiquei ali por uns 20 minutos. Estava faminta e parei num bar, Pollo rojo, na própria Calle 2, onde as vans param. O preço era muito mais acessível que na 5ª avenida. Pedi uma limonada (eles sempre servem num imenso copo), guacamole, nachos e batatas fritas. O atendimento foi excelente. 




Queria seguir para Cozumel (as barcas para a ilha saem de Playa del Carmen http://www.granpuerto.com.mx/en), mas estava exausta e optei pela piscina do hotel. O paraíso dos mergulhadores ficará para uma próxima visita. Passei na praia apenas para olhar o mar.


Minha grande surpresa foi o restaurante “El tapas company”, anexo ao hotel, onde tomei café da manhã todos os dias. Sentei e pedi a maravilhosa bebida “ojo rojo” (parece michelada, mas é feita com suco de tomate temperado, gelo, limão, molho inglês, pimenta e depois é adicionado cerveja) e croquetes. Até a entrada estava deliciosa: pão e azeitona. Por estar hospedada no hotel, tinha 10% de desconto, além de receber uma dose de licor de cortesia. O custo foi 170 pesos! Depois caminhei pelo Palácio Municipal, localizado na frente do hotel. Ali vi diversos moradores conversando e crianças brincando. 
Clamato, suco de tomate já temperado para fazer "ojo rojo"


 




No dia anterior já havia comprado a passagem para o ônibus ADO, rumo ao aeroporto de Cancún. 
Rodoviária Nova
Acordei por volta das 8h no dia 10/09, fui na loja Corazón do México comprar artesanato, depois no Walmart. Fiz o checkout e deixei a mala, no retorno, recebi um mimo incrível: um coração (o hotel é decorado com muitos corações). Na mesma calle 10, estive no restaurante natureba “Balché playa” e pedi uma “agua de balche”, veio uma garrafa de 1 litro. Ela disse que era feito uma raiz (maca?) do Peru e era mais forte que café. Para comer pedi pães torrados com patês. Olhei para o relógio e vi que faltava 10 minutos para a saída do ônibus. Levei tudo para comer no caminho. Corri com a mala, mas a rodoviária ficava a apenas uma quadra.  

Água de balché


Cheguei com tempo suficiente para fazer o check-in e despachar as malas. O problema foi aguentar 6 horas de conexão no aeroporto de Miami. Tinha pesquisado uma sala vip do Lounge Key, o Club America, mas ficava em outro setor, perguntei ao policial e disse que poderia sair, mas depois teria que passar novamente pela imigração. No way! O jeito foi matar a fome no Wendy´s. 

A melhor surpresa, ao chegar, foi encontrar um café da manhã preparado pela minha sobrinha, Giovana, de 6 anos! Tinha pão de queijo, frutas, suco, iogurte, mel, geleia e um bilhete cheio de amor. 


Parece inacreditável, mas no dia seguinte, 12/09, seguiria novamente para a América do Norte, rumo a Nova York. 


A região da Riviera Maya tem inúmeros atrativos que ainda pretendo conhecer, seja um hotel all inclusive em Cancún; Isla Mujeres; os parques Xplor, Xel-há, Xcaret; nadar com as tartarugas de Akumal, com tubarão-baleia em Holbox; conhecer os diversos cenotes, como Dos ríos...

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