De passagem por Macau


Se você procurar a lista dos lugares mais visitados do mundo, levará um “susto” ao constatar que mais pessoas viajam para Macau que Nova Iorque. 



Macau é uma das duas regiões administrativas da China (a outra é Hong Kong), tem bandeira e moeda própria, a Pataca (1 dólar americano = 7 patacas). E a melhor parte: não exige visto para brasileiros (ao contrário da China). Em razão do domínio português, que perdurou por 400 anos, o idioma oficial é o português e o chinês (tradicionalmente o cantonês).


Em princípio, Macau não entraria no meu roteiro, todavia, após horas de busca de passagem para Bali, tive a brilhante ideia de procurar saídas a partir de Macau, não de Hong Kong, e o preço era muito mais baixo!

Acreditando que passaria um dia inteiro, fiz um roteiro que incluía uma visita ao centro histórico (Patrimônio Mundial da Unesco), principalmente as “Ruínas de São Paulo”, e uma visita a um dos dois grandes cassinos, Casino at Venetian ou Casino Lisboa.


Meu amigo decidiu que queria ir a loja da Apple no centro de Hong Kong, em razão disso, só saímos em direção ao terminal do ferry (balsa) por volta das 15 horas – que comprometeu a visita a Macau. O taxista ficou meio irritado em fazer o curto trajeto. Embora o google mostrasse que levava apenas 10 minutos caminhando (a hospedagem em Macau visava a proximidade com o ferry), o táxi foi a melhor opção, pois o valor é ínfimo. Custou cerca de 13 HK dollars, mais o valor das malas, 2 HK dollars.

O ferry Hong Kong-Macau custou 164 hk dollars. Embora a passagem estivesse marcada para 16 horas, foi permitido embarcar no ferry que saía às 15:30, pois ainda tinha lugares. O percurso levou 1 hora. O interior do ferry é muito confortável, com poltronas macias e tem banheiro.



Na chegada em Macau é preciso passar pelo controle de imigração. O passaporte não foi carimbando, assim como em Hong Kong, só recebi um papel com a data da entrada e o período de permanência.

 
Informações turísticas, em português.
É interessante observar que tudo está escrito em português, embora não tenha encontrado ninguém falando o nosso idioma.

Escolhi um hotel na ilha de Taipa, Regency Hotel, onde está localizado o aeroporto, já que o voo para Bali era na manhã seguinte. Li que ofereciam o serviço de shuttle. Na saída do terminal de ferry, perguntei a algumas pessoas até achar o ponto. Pelo que pude observar, a maioria dos hotéis oferecem transporte. E a grande maioria é cassino!


Um simpático casal filipino, que também aguardava o shuttle do hotel, começou a conversar e disseram que estavam ali para assistir algumas lutas. Poderia dizer que Macau é a Las Vegas da Ásia, mas Macau arrecada muito mais!

Não tinha uma imagem preconcebida de Macau e me surpreendi com uma paisagem cheia de grandes prédios, grandes cassinos. As ruas são muito limpas e tudo parece funcionar bem, embora não seja uma “cidade” com a mesma mobilidade de Hong Kong.


O hotel era um 4 estrelas que provavelmente já foi exuberante no passado, mas as instalações eram antigas. E foi bem desagradável pedirem depósito – a maioria dos hotéis não pedem. Só tinha wi-fi no térreo. Meu amigo estava enjoado e disse que não sairia. Já estava frustrada por chegar tão tarde, corri pro banho e fui buscar informações de como sair do hotel e chegar em algum lugar interessante.


Na recepção, peguei um mapa e me disseram que seria melhor trocar dinheiro no centro. Sem um centavo de pataca no bolso, entrei no último shuttle que deixava no Casino Lisboa. Ele me disse as linhas de ônibus que poderia pegar para voltar ou seguir para o Venetian.


Assim que cheguei na região do Casino Lisboa bateu um desespero, pois não tinha um centavo da moeda local e corri para procurar uma casa de câmbio. Andei uns 15 minutos até achar. Depois descobri que aceitam o Hong Kong Dollar!






 

Queria comer e simplesmente não avistei um restaurante ocidentalizado nas ruas. Nada. Nem starbucks, Burguer King ou Mc Donald´s. Aproveitei apenas para me encantar com as placas escritas em português.

Sem forças para andar, decidi entrar no Casino Lisboa, que é gigantesco, subi uns 10 andares. Parece um bingo gigante. Muitas mesas. Milhares de pessoas. Shows com mulheres nuas. Não pode fotografar no interior do cassino.


Visitei o restaurante e a lanchonete do cassino, entretanto, nada me apeteceu. Saí decidida a pegar um ônibus para o outro cassino famoso, pois li que tem um centro gastronômico. Primeiro tive dificuldade para encontrar o ponto. Depois os ônibus já vinham lotados e estava tarde, cerca de 22 horas.


Outro drama: pegar um táxi. A fila do Casino Lisboa era gigantesca, além dos valores absurdos. Após me informar com o segurança, andei até achar um ponto de táxi para os locais. Peguei o táxi e dei o cartão com o endereço para o motorista, que me deixou na porta do hotel. Custou 40 patacas.

Na recepção, comentei que estava morta de fome, sem enxergar nada. Me disseram que na rua ao lado seria possível encontrar algo. Andei e finalmente achei um mercadinho. Comprei sorvete, refrigerante e biscoito.

No retorno para o quarto, assim que entrei, ouvi um barulho na porta, fui olhar no olho mágico e tinha um chinês socando a porta. Achando estranho e com medo, liguei para portaria e avisei que tinha um cara louco tentando derrubar a porta do quarto. De repente, desapareceu.

No dia seguinte, pude observar o maior show de horrores da Terra: o café da manhã. Sim, a comida era péssima: muito macarrão frito, ovos cozidos, repolho e outras coisinhas estranhas, mas o detalhe era que chegamos no café às 7h, assim que abriu, e estava lotado. Os chineses corriam com os pratos e não saiam da mesa principal, já comiam em pé mesmo. Nunca vi nada igual. Depois de muito tempo consegui pegar (tive que brigar ahaha) um pão de forma, mas as frutas já tinham sumido. Meu amigo começou a ficar desesperado em pensar que passaria fome novamente e comeu macarrão.

Seguimos para o Aeroporto Internacional de Macau, que estava bem vazio, para pegar o voo da AirAsia rumo ao paraíso.

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