Siem Reap, Camboja

A cidade de Siem Reap fica no Reino do Camboja e é um dos grandes polos turísticos da Ásia em decorrência da suntuosa construção chamada Angkor Wat, além de outros inúmeros templos construídos na época do Império Khmer. A maioria dos templos são de influência Hindu, no entanto, alguns contêm elementos budistas. 




Os trechos para Siem Reap foram os mais caros da viagem. De Hanói para Siem Reap, voei pela Vietnam Airlines por aproximadamente R$500,00, após três dias, de Siem Reap para Bangkok, voei Camboja Angkor Air por R$500,00.



O aeroporto de Hanói estava superlotado, mas consegui fazer o check-in tranquilamente e em pouco mais de 1 hora aterrissava em Siem Reap. Pense num calor enlouquecedor às 19 horas. Fomos recebidos com várias nuvens com alguns milhares de insetos, parecia uma locação cinematográfica. Jamais vi algo igual.



Uma tristeza é constatar que qualquer aeroporto, por menor que seja a cidade, é melhor que os maiores aeroportos do Brasil. 

O Camboja exige visto para brasileiros. A modalidade é "visa on arrival", ou seja, visto na chegada, sem precisar de carta-convite, como no Vietnã ou Laos. O serviço é muito rápido, todo o trâmite dura 5 minutos. Basta preencher um formulário e entregá-lo com uma foto 5x7 e pagar a taxa de 20 dólares (valor de uma entrada).


Já havia lido relatos sobre a dolarização naquele país, contudo, não sabia como seria difícil utilizar a moeda local, o Riel. No aeroporto, troquei dólares por Riel e depois suei para que fossem aceitos. 

O hotel fornecia transporte de tuk-tuk gratuitamente, contudo, o horário não foi comunicado e o preço do táxi para o centro é praticamente tabelado, custa 10 dólares. Com pouco tempo na cidade e ansiosa por Angkor, o serviço do motorista foi contratado. No dia seguinte viria com um guia para visitar os três principais templos. Ofereceu, naquela mesma noite, uma cortesia, levar pra jantar, pois o hotel fica um pouco afastado do agito.

Li diversos relatos de pessoas que optaram por pedalar, mas nem consegui imaginar tal façanha naquele calor. Bem como não sei em que local as pessoas deixariam o transporte. O carro com motorista custou 40 dólares, de 5h da manhã às 5h da tarde. O guia custou 35 dólares.

O hotel escolhido foi o Gloria Angkor Hotel. Imaginem um hotel cobrando 38 REAIS A DIÁRIA. O que você vai encontrar? No Camboja, um excelente hotel 3 estrelas, embora afastado da Pub Street, rua mais agitada, oferecem o serviço de tuk-tuk gratuitamente, te recebem com chá gelado e batatinhas, os quartos são novinhos, amplos e limpíssimos. A piscina é enorme. No fim, ainda deram um lenço de presente.



Um mimo na chegada

Na primeira noite, o motorista perguntou se queria comer num restaurante local ou turístico, fui para o "local" comer minha pizza. O grande problema foi pagar com Riel. Chamei o gerente e disse que não pagaria com dólar. No fim, tudo foi solucionado. Conclusão: convertem um preço em dólar e você acaba pagando mais.



Spicy FROG hahaha
Coloquei o celular pra despertar e às 5 horas da manhã o motorista estava na porta do hotel. Primeiro paramos para comprar o "Angkor pass", tíquete que deve ser mostrado para entrar nos templos e custa 20 dólares. Tiram sua foto que fica estampada no documento.

Chuviscou um pouco e, de repente, o dia clareava. Uma multidão munida com centenas de câmeras, aguardando o momento ideal, o melhor raio de sol, o melhor reflexo no espelho d´água diante de Angkor Wat. Inesquecível!!!

A multidão chegando em Angkor Wat, ainda de madrugada.
Encontrará muitos vendedores locais. Sabia que em alguns templos teria que vestir calça, mas jeans seria impossível naquele vapor, então comprei a calça "Ali Babá". Comprei um livro sobre Angkor por 5 dólares. Depois descobri que vendem até por 1 dólar. Eles insistem e baixam cada vez mais o preço.
A bandeira do Camboja
Siem Reap foi o lugar mais conturbado na viagem, pois existem inúmeras crianças pedindo dinheiro. Em alguns momentos, é irritante, não é falta de humanidade, mas é a insistência que incomoda. E falam qualquer idioma! rs




Voltei para o hotel, tomei o café da manhã e o motorista voltou com o guia Tiger, às 9 horas. Seguimos em direção ao templo Ta Prohm, cenário do filme Tomb Raider, com Angelina Jolie. É uma estrutura feita basicamente de pedra, entrelaçada com as árvores centenárias. Foi criado por Jayavarman VII (o sufixo varman significa "protegido de" em sânscrito) no século 12.



Em seguida, o grande templo Angkot Wat, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, além de ser um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo. Construído inicialmente hindu  - dedicado ao deus Vishnu. Tiger disse que a maioria dos cambojanos professam 3 religiões: o hinduísmo, o budismo e ainda acreditam no poder da natureza e dos espíritos. Quando conheci Machu Picchu, achei grandioso e fiquei emocionada, mas nada é capaz de descrever Angkor, só vendo com seus próprios olhos.

  



Angkot Wat, além de ser uma verdadeira obra de arte, foi o centro político e religioso do Império Khmer. Criado por Suryavarman II no século 12. Possui uma pirâmide de três níveis e diversas galerias. É, acima de tudo, o microcosmo do universo hindu, cheio de simbolismo.

 
Dançarinas que chegavam em Angkor, provavelmente para alguma apresentação

Finalmente uma parada para o almoço, depois de suar alguns litros na caminhada pelos dois templos. Não posso fazer qualquer análise da culinária khmer, porque simplesmente não consegui comer nada típico. Meu almoço foi batata frita com sanduíche de atum e água de coco. 

Depois da pausa, visitei o maravilhoso templo Bayon, localizado em Angkor Thom (a maior cidade do Império Khmer). É uma das construções mais enigmáticas e poderosas da história. Apresenta um sincretismo entre um panteão de deuses, hinduísmo e budismo. Inicialmente continha 49 torres, no entanto, hoje restaram apenas 37, todas com 4 faces esculpidas.







Ao chegar no hotel, morta, só pensava no ar-condicionado e nem cogitei relaxar na piscina. Após merecido repouso, peguei o tuk tuk até a "Pub Street". O interessante é que nenhum guia ou blog me deu a dimensão daquela rua. É lotada de turistas e tem muitos restaurantes bons. Comi uma bela pizza no restaurante italiano e voltei, mas fiquei tentada com a boate na frente que estava lotada, tocando o que gosto: divas pop.




No dia seguinte, paguei 18 dólares ao hotel para o tuk-tuk me levar em dois outros templos, que ficavam em outra região, cerca de 1 hora de Siem Reap. Pela primeira vez tentaram me aplicar um golpe, o motorista disse que a gasolina seria "por fora", mandei parar a geringonça que ia descer. Entrei no hotel e disse que não era o combinado, me mandaram outro motorista, que foi perfeito. 


 
O percurso me encantou, pois pude conhecer a vida real dos cambojanos, um dualismo interessante, ao mesmo tempo que são pobres possuem uma cultura riquíssima. Vi muitas crianças a caminho da escola, a maioria de bicicleta, todavia, alguns menos sortudos tinham que caminhar muito. Os "postos de gasolina" estão pelo caminho, mas se resumem em garrafas com o combustível.

Olha um "posto de gasolina"
Finalmente cheguei em Banteay Srei, que foi o templo com a melhor estrutura turística. Tinha banheiros, lojas, folders, exposição de fotografias, balcão de informação. O motorista disse que me esperaria a alguns metros, que não precisava ter pressa. 






O pequeno e isolado templo foi construído no século 10 com barro vermelho e é dedicado ao deus Shiva. É conhecido como "a joia da Arte Khmer" e seu nome significa "baluarte das mulheres ou da beleza".


Segui em direção ao último templo (existem dezenas de templos em Angkor, seria necessário uma semana para visitar todos): Banteay Samré, que estava absolutamente vazio. É um dos templos que menos recebe visita em Angkor porque fica isolado em East Baray. Também foi construído no século 12 por Suryavarman II.
Selfie. Uma característica do solo traveler
 



A outra forma de fotografar a si próprio num lugar vazio: programar a câmera. rs


Lá tive uma experiência incrível, surgiu um senhor bem idoso e pediu para que eu sentasse na sua frente. Pensei que queria dinheiro, mas, me contrariando, disse "Quero apenas que você seja feliz!". Fez uma prece, acendeu um incenso e amarrou uma pulseira amarela e vermelha no meu pulso, que já tinha um mini terço budista. A pulseira parece ser um nadachhadi hindu. Fiquei mexida e uso até hoje. Que as palavras dele tenham força!

My travelbook

Retornei ao hotel e fui caminhar pela última vez na Pub Street, comi um excelente nhoque no restaurante Le Tigre de Papier, que recomendo, a pizza do dia anterior também estava deliciosa. E ainda, quando disse para garçonete que a limonada estava amarga, prontamente me trouxe outro suco. Segui para o Night Market (excelentes mercados - são vários - para comprar quinquilharias). Comprei tanta besteira que tive que adquirir outra bolsa. Depois fui receber uma massagem nos pés, mas muito aquém da "thai massage".


O aeroporto de Siem Reap é pequeno, mas muito bonito. Gastei 30 dólares com temperos (dá pra acreditar?) no duty free.

Após intensa experiência no solo do Camboja, me surgiu uma inquietação: tenho duas graduações, direito e história da arte, e, no segundo curso, jamais foram mostradas obras do Império Khmer, me levando à uma conclusão óbvia, somos muito condicionados àquilo que está nos livros e aprendemos apenas a história da arte ocidental. O oriente ainda é enigmático e preciso conhecer de perto.

Próximo destino: Bangkok novamente.
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