I Amsterdam


Embora o senso comum veja Amsterdã como destino para o consumo de drogas e mulheres, afirmo que é muito mais: em 2013 voltou a ser um paraíso para os amantes de arte. Isto porque, no final de 2012, o Stedelijk reabriu (em novo prédio), o Hermitage (filial do famoso museu situado em São Petersburgo) foi inaugurado, em 2013, e, depois de 10 anos de reforma, o Rijksmuseum reabriu e o Van Gogh Museum também.




Comprei a passagem pela KLM, que permite stopover em Amsterdã (o destino final era Berlim). Sempre tento encontrar uma poltrona sem passageiro ao lado - para ter um pouco mais de conforto (tarefa difícil). Meu companheiro de viagem, Ivan Polonsky (confirmei o nome olhando os passaportes dele haha), um russo lindo que passou alguns meses no Rio, foi divertidíssimo - tanto que sequer cochilei durante 13 horas. Além de me servir vinho (disse que mulheres não se servem na Rússia), queria deitar no chão para me deixar com mais espaço. Embora tivesse que passar 8 horas em Schipol, não pôde sair do aeroporto, pois precisava de visto. Apenas o abracei e agradeci pela companhia.

Um fato curioso é o meu mimetismo. Explicarei: comumente me perguntam se sou natural do país que visito (já aconteceu na Itália, França, Alemanha), mas nunca pensei que me confundiriam com uma holandesa. Fiz escova (para ter a certeza que chegaria com uma aparência arrumada - os cachos não permitem) e a coloração estava muito clara. Ivan achou que eu era holandesa. Um francês - no espaço de lanches no avião - também perguntou.

Para sair do aeroporto, além do táxi, tem o shuttle connexxion (http://www.schipholhotelshuttle.nl/) por 26,50 euros ida e volta (na ida fui de van, pois tinha 7 passageiros, na volta, sozinha, enviaram um táxi). Poderá tomar o trem até a Centraal Station (a estação fica dentro do aeroporto) ou o ônibus vermelho 197 connexxion (opção barata pra quem fica perto da Museumplein - usei para ir a Keukenhof). 

Se optar pelo shuttle, veja se o hotel escolhido consta no site ou se está próximo de algum hotel. E, ao comprar passagem de ida e volta do shuttle, você ou o Concierge terá que ligar para marcar o retorno, no dia anterior. E não funcionam durante a madrugada.

O motorista da van, o italiano Tony, falava muito bem o português! Mas se enganou e pensou que era holandesa e ficou surpreso com a resposta negativa. Fui sentada ao lado dele e conversamos até a chegada ao hotel.

O taxista que me buscou apareceu dirigindo uma Mercedes-Benz novinha, de terno, e com uma simpatia incrível, me falou sobre o sistema de saúde e disse que esteve no Brasil, pois nasceu na América Central.
Paisagem de Amsterdã: canais e bicicletas.
 
A hospedagem em Amsterdã é cara. Procurei muitos B&B recomendados, no entanto, estavam lotados. Recorri ao tripadvisor.com e o hotel que escolhi, Hampshire Hotel - Eden Amsterdam, tinha umas avaliações que, normalmente, me fariam desistir: mencionaram furto no hall e no quarto. Sem muita opção, reservei. A localização era ótima: Rembrandtplein, na frente do rio que dá o nome à cidade: Amstel. 15 minutos da Centraal Station e 20 minutos da Museumplein - caminhando. O que me desagradou mesmo: o horário do check-in (fiquei 2 horas aguardando) e a falta de proteção acústica dos quartos - me permitia ouvir tudo no quarto acima e ao lado. Por precaução: antes de sair guardava tudo na mala e não deixava dinheiro no quarto.


Na porta do hotel: o rio Amstel.
Rua das flores, próximo ao hotel

O presente da minha sobrinha: o famoso tamanco.


No primeiro dia, fiz um reconhecimento da vizinhança. Tirei fotos na Rembrandtplein e do rio Amstel. Depois procurei a "comida típica": sopa de ervilha. Tomei um susto quando vi a conta: o suco de laranja custava 7 euros!!! Observação: muitos estabelecimentos não aceitam cartão de crédito. Pergunte antes.


O cara simplesmente se infiltrou na minha foto! Sai daí! Achei que a fotógrafa era namorada dele, mas fiquei na dúvida depois dessa. A ronda da noite na Rembrandtplein (já tinha passado da meia-noite e era ronda noturna literalmente).

Uma dica: pesquisei os cartões da cidade, somei os valores no excel, e concluí que a melhor opção - para quem gosta de museus - é o Museumkaart (museum card): custa 44,95 euros (os museus são caros na cidade e custam, em média, 15 euros) e é válido por um ano. A lista de museus pode ser visualizada aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Museumkaart. No primeiro museu que você visitar, faça o cartão.
O museumkaart e o ingresso impresso no autoatendimento
Cherry blossom na Museumplein
Segui para o Museum Het Rembrandthuis ou a casa do Rembrandt - um dos grandes pintores flamencos. O lugar é lindo e vale a visita - poderá apreciar tanto as obras como os móveis e utensílios da casa do mestre holandês.

Percebi que a gastronomia não é o forte dos Países Baixos: experimentei as vlaamse frites (batatas fritas) cheias de maionese e o delicioso e econômico kroket da máquina da Febo (você coloca o valor e abre a gavetinha com o salgado quentinho). Tentei experimentar a cerveja e redescobri o óbvio: odeio cerveja.
Delícia de kroket por 1.60



Lasanha e cerveja no restaurante La Madonnina http://www.lamadonnina.nl/

Habitualmente tomo o café da manhã do hotel, no entanto, custava 19 euros e optei por comer na rua. Não foi tão cômodo (não penso sem tomar café da manhã), mas conheci vários lugares (todos próximos ao hotel) e indico: Coffee Company, Bagels and Beans e Starbucks. A melhor opção (custo-benefício) é a loja Hema (vende de tudo).

Uma das relíquias da praça dos museus, o museu Van Gogh é uma preciosidade (você também encontrará as obras do Vincent no Stedelijk e no Rijksmuseum): conheci obras que jamais havia apreciado. A série inspirada nas gravuras japonesas é primorosa. Fui no fim da tarde e não encontrei fila (durante o dia fica bastante cheio).
Museu Van Gogh

Van Gogh e a inspiração advinda das gravuras japonesas
Minha maior aventura: aluguei uma bicicleta, no Mac Bike (o atendimento na cidade é péssimo e as pessoas não são gentis), por um dia, contudo, não andava desde 12 anos de idade. Comentei com a atendente - e fui ignorada. Minha maior dúvida: usar a trava e o cadeado corretamente (não consegui na primeira tentativa e deixei a bike com a corrente de forma que qualquer um poderia levá-la até perceber e corrigir meu erro). Nunca suei tanto. Bicicleta e mapa na mão. Ainda ter que andar no meio dos carros ou na ciclofaixa. E quanto estava na contramão e até me xingaram (será que minha falta de orientação é decorrente da ausência de carteira de motorista?)! Me senti segura apenas no Voldenpark, extingui o medo de morrer atropelada. 
Aventura rs


Voldenpark
Lá fui eu para a "visita obrigatória da cidade" - toda cidade tem aquele ponto turístico "obrigatório". Em Paris tem a Torre Eiffel - completamente descartável aos meus olhos -, em Amsterdã: a Anne Frank Huis. Uma hora na fila e o lugar tem uma energia péssima.
Anne Frank Huis

O Rijksmuseum tem duas entradas e a fila era imensa (descobri - recentemente - que tenho hérnias de disco e estava medicada, mas ficar muito tempo parada é árduo). O museu é lindo e enorme. O quadro mais festejado é a Ronda da Noite, do Rembrandt. Todavia, os meus preferidos sãos os quadros do Vermeer: a leiteira e a carta de amor (são 4 quadros do artista ao todo!!!). Não podemos esquecer outro pintor local - criador do Neoplasticismo - também exposto no museu: Piet Mondrian. No pátio da Museumplein encontramos o letreiro I AMSTERDAM.
O Rijks ao fundo. Em primeiro plano, o letreiro.

A ronda da noite
A leiteira do Vermeer no Rijks!


O melhor museu, na minha opinião, é o Stedelijk - seja a arquitetura do prédio ou as obras de arte expostas. Uma coleção incrível de arte contemporânea e moderna: Matisse, Newman, Kusama, De Kooning, Klein, Oldenburg, Warhol, Lewitt, entre outros. Quem estiver com o museumkaart, basta encostá-lo na máquina de autoatendimento e o ingresso é impresso (o mesmo no Hermitage).
Malevich no Stedelijk
Escada que leva ao subsolo do Stedelijk
O Hermitage fica em um prédio enorme, datado de 1681, nas margens do Amstel. Encontrei apenas uma exposição sobre Peter the Great (Tsar na Rússia). Confesso uma ponta de decepção. Será que a sede do Hermitage segue a mesma linha curatorial?  



Andei muito em Amsterdã (não posso comentar sobre os meios de transportes como bonde e metrô), mas considero uma excelente alternativa o Canal Bus (várias linhas e pontos próximos da maioria dos pontos turísticos). Utilizei o serviço por um dia, comprando o "canal bus daypass adult". Custou 20 euros e me permitiu ver toda a cidade e chegar nos lugares mais distantes.  

Boat trip com o "canal bus"
A arquitetura de Amsterdã é incrível. Além dos prédios antigos, as novas construções chamam atenção: o prédio do EYE (Film Institute Netherlands) - não visitei - e a biblioteca pública OBA (Openbare Bibliotheek). Além do NEMO, que é um museu de ciência e tecnologia em formato de navio. Fiquei poucos minutos e estava lotado de crianças. O museu possui vários brinquedos para ensinar ciência de forma divertida.  
Educação sexual no NEMO
NEMO - diversão garantida para as crianças. 




OBA - Biblioteca

EYE - Filmmuseum inaugurado em 2012
Visitei ainda o FOAM (Fotografiemuseum Amsterdam), um museu de fotografias. Tinha uma mostra interessante: Foto Galatasaray, com o arquivo de fotos de Maryam Şahinyan.
Na porta do FOAM - não é permitido fotografar lá dentro

Sobre os coffeeshops (estabelecimentos legalizados para consumir maconha): são vários em diversos pontos da cidade - mas vi gente usando nas ruas também. Admito que jamais consumi qualquer droga ilícita, se tivesse acompanhada, quem sabe poderia experimentar - embora odeie o cheiro com todas as forças. 
Loja de camisinhas e coffeeshop
Visitei o Red Light District (zona de prostituição com sexo pago e legalizado) num feriado e as ruas estavam agitadíssimas. Eu ria sozinha observando as pessoas e as lojas. Estava flanando quando, de repente, me deparei com uma mulher horrível numa daquelas janelas. Por outro lado, também vi uma mulher lindíssima - de cair o queixo. Fiz duas visitas no mesmo dia - para ver como me diverti. Comi por lá, fotografei e pensei em visitar um show de sexo explícito na casa mais famosa: Casa Rosso. Fiquei olhando os frequentadores - muitos chineses. Desisti, pois achei muito turístico. aahahaha
Red Light District


Red Light District

Adorei Amsterdã, os pontos turísticos, a segurança, a possibilidade de fazer tudo andando ou de bicicleta e, principalmente, a liberdade. Lá cada um faz o que gosta, ama quem quer. O fator negativo são as pessoas. Evitando generalizações, encontrei indivíduos simpáticos, mas, em geral, não são agradáveis. Dizem que não chove apenas 5 dias por ano na cidade, portanto, tive sorte: não vi chuva e a temperatura estava ótima para a primavera.


Loja linda! Amo vermelho e a loja (no red light disctrict) só tem peças vermelhas.Não parece a instalação red room da Louise Bourgeois?

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