Balcãs: Eslovênia, Croácia, Bósnia Herzegovina e Montenegro
Elaborar o roteiro para os Balcãs foi desafiador, pois a maioria das pessoas aluga carro, que não era uma alternativa pra mim. A dificuldade começou na compra da passagem, uma vez que pretendia chegar por um país e sair por outro. Pesquisei arduamente, no entanto, algumas companhias atendem um país, mas não atendem outro.
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| Dubrovnik |
Faltando um mês para o início das férias, decidi comprar um voo pela Ita Airways para Trieste, na Itália, que não compõe a região dos Balcãs. Custou R$5.059,33, que é um valor alto, mas o novo normal para Europa (ainda mais se não estiver voando para um hub europeu ou se não é voo direto).
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| Lago Bled |
Os Balcãs (Balkans = montanhas) são uma região no sudeste da Europa com grande diversidade cultural, religiosa e étnica, composta pelos seguintes países: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Kosovo, Montenegro e Macedônia do Norte. Banhados pelo Mar Adriático, Jônico e Negro.
A segunda etapa foi mais complicada, pois tive que escolher quais cidades visitaria. Fiz inúmeras versões, mas avaliando o tempo de deslocamento, valor de passagem aérea. Como teria que retornar para Trieste no fim da viagem, tomei uma decisão de comprar uma passagem aérea de Dubrovnik para Zagreb no dia 24 de maio, pois percebi que era o último lugar na aeronave (57,87 euros). Devido ao grande número de deslocamentos, ainda estava reservando transfer na véspera da viagem.
A ordem das cidades visitadas:
- Liubliana, 🇸🇮Eslovênia (com visita a Bled)
- Zadar, 🇭🇷Croácia (com visita aos Lagos Plitvice)
- Split, 🇭🇷Croácia
- Mostar, 🇧🇦Bósnia e Herzegovina
- Dubrovnik, 🇭🇷Croácia
- Kotor e Perast, 🇲🇪Montenegro
- Zagreb, 🇭🇷Croácia
- Trieste, 🇮🇹Itália
O voo partiria às 14:25. Viajar para Europa com bagagem de mão é complicado, pois em alguns lugares ainda está frio em maio. Embora a companhia permita 7kg, em voos saindo do Brasil o limite é aumentado para 10 kg. Já tinha voado com a antiga Alitalia, mas nunca com a Ita Airways e achei o serviço bom. Foram pontuais, a aeronave era nova, a comida estava boa.
Embora os meus cartões de crédito forneçam o seguro viagem, como funcionam por reembolso (alguns têm atendimento virtual, como o Visa), emito, mas ultimamente tenho feito um seguro viagem adicional com alguma seguradora, pois com o tempo a gente aprende que é uma economia burra pelo transtorno que pode causar.
Tive 2:30 de conexão em Roma. A primeira luta foi ativar a internet no celular. Antes de viajar comprei o E-sim da Airalo de 3 GB para 30 dias por 10 dólares (usando o cupom DANNYM2762 você ganha 3% de desconto). Pela primeira vez usava e-sim, ou seja, simcard virtual, pois anteriormente meu celular não estava apto para tal tecnologia e comprava sempre o chip físico. Consegui habilitar com a internet do aeroporto.
Segui para a Sala VIP Prima Vista Lounge – Domus. Não tinha nada especial, mas qualquer economia em euro é bem-vinda. Estava lotada. Bebi cappuccino, comi pão, tomei iogurte.
O aeroporto de Trieste, na Itália, é pequeno, mas bem conectado com o centro da cidade. Não ficaria na cidade, mas iria direto para a Eslovênia. Achei curioso que o ponto de encontro era "Danieli" (que é um nome masculino naquele país). Dois dias antes de partir, fechei um transfer no site da GoOpti https://www.goopti.com/en/, que custou 17 euros. Cada horário tem um preço. Então escolhi 12:15 que estava mais barato, mas ficaria quase 2 horas aguardando. Precisava da internet, pois informam por e-mail o local exato 2 horas antes. A mensagem:
Pick-up location
Trieste Airport (TRS), Via Aquileia, 46, 34077 Ronchi dei Legionari, (Arrivals exit, parking lot P8 accross the street (use passage bridge on the right hand side)), Trieste, Italy
GoOpti vehicle will be waiting for you at the parking lot P8 accross the road.
Como a empresa tinha algumas reclamações, deixei um plano B, caso não aparecesse:
Pegar trem do aeroporto (5 euros) até a Trieste Centrale. Andar até a Autostazione (do lado) e pegar ônibus.
Ou
Ônibus DRD que sai 12:20 e 13:16 e leva até Hotel Union. R$140,00
Ou
Transfer Nomago para 11:15 ou 13:15 (já sem vaga para os horários diurnos)
Assim que atravessei a passarela, desci no estacionamento P8 e vi uma van. Não tinha qualquer adesivo. Bati na porta e perguntei se era a GoOpti. Conferiu meu nome e entrei para aguardar o horário de saída. Foram quase duas horas no trajeto, mas a van era confortável e fez uma parada pra irmos ao banheiro. Levei um susto que, de repente, parou no meio do nada. Acompanhava pelo Google Maps e estava longe do centro. Chamou um táxi e mandou eu e uma jovem espanhola entrarmos. O motorista foi muito simpático e nos deixou no local previamente combinado (tem um ponto da GoOpti perto da estação de ônibus/trem).
📍DIA 1 - LIUBLIANA, ESLOVÊNIA
Após descer do transfer, caminhei cerca de 300 metros até o Hotel Ibis. Tive dificuldade para encontrar a entrada, pois o endereço oficial é uma rua, mas a entrada é pela lateral. Já sabia que o check-in era apenas às 15h e não fizeram questão de tentar antecipar. Estava há 24 horas em trânsito e morta de cansaço, mas naquele dia ainda iria conhecer a cidade.
Fiquei no Ibis Styles Ljubljana The Fuzzy Log (R$230 a diária no site All.accor.com), que tem hotel e hostel no mesmo prédio. Já tinha me hospedado em hostel, mas em quarto privativo. No hostel tem 3 opções de hospedagem: cápsula, tenda ou sarcófago (não é esse o nome oficial). Fiquei na última opção (cabem duas pessoas) e paguei um pouco mais pra ficar na opção que o colchão fica na parte de baixo, tinha um que a cama fica no alto. O espaço é individualizado, tem porta, armário, uma mesa, lugar pra deixar a mala. O banheiro era compartilhado, todavia, tinha um local quase privado, pois você entra numa porta e tem 4 banheiros completos, que você fecha e toma banho, usa o sanitário. Tinha um espaço só com sanitários. Nunca precisei esperar pra usar o banheiro. Por outro lado, ficava muito sujo.
Assim, que cheguei, deitei para esticar as pernas, depois tomei banho. Como sabia que era um banheiro de hostel, levei uma sacola para colocar tudo dentro: roupa, toalha, nécessaire. O chuveiro era quente tinha boa pressão. Tinha sabonete líquido. Se tivesse limpo seria perfeito. O hotel tem um terraço com vista para o Castelo de Liubliana, cozinha bem equipada, além de ter vários espaços comuns.
O dia estava incrivelmente bonito, fazia calor. Coloquei uma bermuda, camiseta e chinelo e fui explorar a cidade caminhando. Segui para a Praça Prešeren, onde fica a Ponte Tripla, a estátua que homenageia o maior poeta esloveno, France Prešeren, também a igreja Fraciscan of the Annunciation. A região é muito movimentada.
Vale ressaltar que, embora Liubliana não seja Patrimônio da Humanidade, a "Obra arquitetônica de Jože Plečnik" é, pois o arquiteto deixou um legado, que foi a transformação da cidade entre 1920-1950, como a construção de pontes, biblioteca nacional, mercado central, cemitério.
Tinha a intenção de almoçar, mas, embora tivesse vários bares no caminho, não vi ninguém comendo. E tinha apenas aquele dia e metade do seguinte para ver a cidade, então segui. Pensei na possibilidade de visitar o Castelo de Ljubljana (17,10 euros), pois o acesso ao pátio é gratuito, mas quis preservar meus joelhos no primeiro dia (com problema nos meniscos e o joelho sofreu nessa viagem), mas pode subir de funicular ou trilha. Segui o curso do rio e fiquei admirada com a beleza da capital da Eslovênia. Tem passeios de barco. Fui até o Mercado Central, que estava fechando. Tirei fotos na Ponte do Amor (Butcher´s Bridge). Caminhei até a Ponte do Dragão, que é símbolo da cidade.

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| Sátiro de Jakov Brdar |
| Adão e Eva de Jakov Brdar |
Retornei e comprei uma iguaria da região: Burek. Existem vários sabores e custou 3,50 euros. Achei saboroso, mas gorduroso. Visitei ainda Metelkova (bairro de graffiti perto da estação de trem). É uma sociedade artística, mas tinha usuários de drogas, além de placas com aviso para não fotografar, portanto, não demorei muito. Passei no mercado Lidl para comprar algumas coisas no retorno (chá, pão, salame, bombom kinder). Quando anoiteceu sairia para caminhar, entretanto, caiu um temporal e não levei guarda-chuva.


📍DIA 2 – LIUBLIANA-BLED, ESLOVÊNIA
No dia seguinte, assim que acordei, o termômetro marcava 11 graus (levei apenas 1 casaco), mas depois o tempo esquentou. Naquele dia iria até a cidade de Bled, visitar o Lago de Bled. Comprei a passagem de ônibus (ida) online por 5,90 euros https://www.ap-ljubljana.si/en. Horário de saída: 8:45. Tinha que levar o PDF impresso. Deixei para comprar a volta no local. Tem a opção de ir de trem até Bled Jezero, mas fica a 5 km e precisa pegar um ônibus. https://potniski.sz.si/en/
No dia, segui em direção à rodoviária, que é perto da estação de trem. Não ficou claro sobre o local para pegar o ônibus. Pedi ajuda a um taxista que estava parado e me apontou um ônibus do outro lado. Chegando lá, vi que estava escrito “aeroporto”, logo, esperei. Para a minha a sorte, assim que chegou outro uma turista resolveu perguntar e o mesmo ônibus que vai para Bled é o do aeroporto (perdi uma hora nessa espera). Entrei e entreguei a passagem impressa para o motorista. Quando chega em Bled tem um fluxo grande de pessoas indo na mesma direção, descendo para o lago.
O belíssimo Lago de Bled é o destino mais procurado da Eslovênia. Pode nadar. Tem uma atração que pode ser visitada: Igreja Mother of God/Igreja Assunção de Maria (Cerkev Marijinega Vnebovzetja). Para ir a ilha tem barco (elétrico ou pletna/madeira, 16 euros/20 euros). Dentro da igreja está o “sino dos desejos “, construído em 1534. Dizem que quem toca o sino e faz um pedido tem seu desejo realizado. Acho o valor um pouco alto, pois a igreja com o barco daria uns 30 euros.
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| A trilha para o Castelo de Bled |
Preferi visitar o Castelo de Bled, pois queria ter uma vista do alto. Para chegar tem duas opções: carro ou trilha com escadas. Foi um teste subir o penhasco de 130 metros. O ingresso custava 18 euros https://www.blejski-grad.si/en/. A vista da igreja é incrível. O castelo é o mais antigo do país, datado do século 11.
Embora tivesse um café no castelo, deixei para provar a torta “fatia creme” num restaurante já no caminho para o ponto de ônibus (e estava mais caro). Pedi a kremsnita (7,5 euros) e um café (2,50 euros). Estava duma delícia. Tudo pago com Wise (via Google Pay no celular).
Fui para o ponto de ônibus (deixei o valor separado, pois acho que não tinha leitor de cartão) e esperei. Tive que ficar atenta para descer no local certo. Antes de entrar no hotel comprei lanche no mercado e burek. Comi e segui para visitar a região dos museus.
Decidi visitar o museu National Gallery (Narodna Galerija) https://www.ng-slo.si/en/. Paguei 8 euros para visitar apenas a coleção permanente. O museu é grande e estava vazio. Em uma sala ficava uma senhora responsável para dar o acesso para a exposição temporária sobre o Barroco esloveno. Ela me chamou e perguntou “Você quer ver? Pode ir lá”. E mandou eu ir, embora não estivesse com ingresso para a exposição. E achei incrível. É uma oportunidade para conhecer trabalhos que nunca tinha visto em livros de História da Arte. Comprei um lápis (tenho coleção de lápis de museu).
Andei até o Park Tivoli que é uma região com bastante entretenimento, além da enorme área verde, muita gente de bicicleta (todos andam de bike), zoo, complexo esportivo, museu de arte contemporânea, castelo construído no século 17.
Embora tenha ido para Europa várias vezes, nunca tinha me deparado com os temidos “bed bugs” (inseto). Deitei e deixei a luz ligada (tinha controle da luz e podia deixar baixa), de repente, virei e vi um bichinho ao lado. Surgiu outro. Tirei foto. Esmaguei e tinha sangue. Saí desesperada para a recepção e o homem que estava lá disse que a gerente não estava e não tinha outro quarto igual ao meu! Voltei novamente mais tarde e nada. Fiquei apavorada, fechei a mala, mas não achei outros (não levantei o colchão). O jeito foi ficar ali mesmo. No outro dia madruguei. Mostrei as fotos na recepção, chamaram a gerente, ela se desculpou e disse que devolveria o valor das duas diárias. Fez o estorno no cartão de crédito.
Fui num mercado próximo comprar um suco e pão para tomar café da manhã.
📍DIA 3 - ZADAR, CROÁCIA
Seria um dia longo, pois teria conexão em Zagreb. Antes das 8h segui para a Ljubljana bus station. Tem uma placa mostrando a parada dos ônibus da Flixbus. Comprei pelo app da Flixbus e paguei em Reais (R$183,97). Foi o pior trecho Liubliana-Zagreb (trecho que pode ser feito por trem), pois o ônibus estava uma bagunça, com gente e sacola de lixo no corredor, pessoas sentando em qualquer lugar. Saiu 8:25 e cheguei 11:10 em Zagreb. Subi com mala para o segundo andar da rodoviária e senti muito o joelho. Queria ir no banheiro e não tinha as moedas, então comprei um burek pra pegar o troco e ir no banheiro, que custa 40 centavos (tem uma catraca com lugar para colocar as moedas).

Tinha lido a respeito do lounge da Flixbus, bem como as padarias da rodoviária. E realmente existem, mas onde estava achei tudo muito estranho e preferia não sair, pois meu outro ônibus sairia de uma plataforma ali embaixo. Fiquei o tempo todo de olho no monitor para saber a plataforma, pois li vários relatos de pessoas que perdem ônibus porque o que é indicado no app não é observado no local. Sairia 12:30, então desci 10 minutos antes e nada do ônibus, quando perguntei, estava em outra plataforma diferente, quase perdi!!!
Cheguei em Zadar por volta das 16h. Vi que tinha um ponto de táxi bem perto, mas chamaria uber, então andei até o McDonald´s pra ter um ponto fácil de encontro. Lá também funciona Bolt, mas como meu cartão já está cadastrado no Uber, ficaria mais prático. Paguei 5 euros e o carro que apareceu? Um táxi. Eles fazem ambos os serviços.
O carro me deixou no “The land gate”, que é o portão da cidade histórica de Zadar, construído em 1543. Já estava exausta e, em tese, em 5 minutos estaria dentro do apartamento que aluguei. Simplesmente não achava o local, depois de andar por mais de 1h. Entrei em contato com o dono e me liguei por vídeo via WhatsApp. Bastava ter colocado imagens em um passo a passo, pois era perto. Podia indicar a sorveteria que tinha quase em frente. A questão é que tinha que entrar numa porta verde, entrar numa vila e lá tinha o apartamento – isso não foi comunicado em nenhum momento. Fiquei no Zee Apartment, paguei R$341,00 pela diária. Era um apartamento grande, que tinha até terraço. Se eu quisesse usar a máquina de lavar, que estava no anúncio, seria impossível, pois deixaram um cartaz que estava fora de uso.
Abri a mala, escolhi uma roupa. Por sorte, só escurecia por volta das 21h, logo, teria tempo para ver a cidade antes do anoitecer. Deixaram o boiler ligado. O boiler é um tanque que armazena água aquecida presente em muitas casas na Europa. E aquece com energia elétrica, tem que ligar igual a luz elétrica. E se não deixam ligado precisa esperar esquentar. E se tiver mais de uma pessoa é bom organizar quanto tempo cada um ficará no banho. Era uma banheira e bati a cabeça duas vezes no boiler.
Me hospedei no centro histórico, então, os atrativos estavam próximos. Caminhei pela Riva Zadar (orla) até chegar no Órgão do Mar (Morske orgulje), um instrumento sem similares, obra do arquiteto croata Nikola Bašić. Conforme as ondas batem nos tubos instalados nos degraus de mármore o som vai ecoando. O local fica repleto de turistas. É uma experiência única e imperdível. Próximo fica outra obra do arquiteto: Saudação ao sol (Pozdrav suncu), que é um círculo de 22 metros de diâmetros com 300 painéis solares que absorvem energia e durante a noite apresentam um festival de luzes. Não fiquei até anoitecer, só no dia seguinte.

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| Essa turista chinesa pediu foto comigo e sempre retribuo quando acontece |
Passei pelo Fórum Romano de Zadar, que foi construído pelo primeiro imperador romano, Caio Júlio César, entra século I a.C. e III d.C., quando fazia parte do Império Romano. Perto tem a Igreja de São Donato, que foi construída no século 9 em formato circular. Perto tem a Catedral de Santa Anastásia, que é a maior da Dalmácia. Tem uma torre com vista panorâmica do centro histórico. Dalmácia é a região histórica na costa da Croácia.
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| Tem várias lojas desses patinhos. Olha a Madonna!!! |
Retornei pra dentro da cidade e escolhi o restaurante “Fish House”. Escolhi a opção “Fish & chips” misto, que vinha peixe, camarão, batata frita, molho (14,50 euros) e bebi um copo de vinho (3,50). Estava ótimo.
Passei no mercadinho (dentro do centro histórico só tem mercadinho) e comprei uma garrafa de sidra (amo), suco, sachês de café, biscoito e iogurte. Fiquei no terraço saboreando minha sidra – pena que no Brasil não produzem (não vale Cereser). Sempre que estou na Europa compro.
📍DIA 4 – ZADAR-LAGOS PLITVICE, CROÁCIA
Tomei café da manhã no apartamento e saí por volta das 7h, pois tinha que chegar na agência Zadar in and out, pois a saída estava marcada para 7h30.
Conheceria o atrativo turístico mais visitado da Croácia: Lagos Plitvice. É possível visitar por conta própria com ônibus Flixbus, mas achei a logística complicada. Reservei o passeio pelo site da Viator (pode cancelar até 24h antes). Paguei R$304,84 (cobrança em reais) sem a entrada ao parque. A entrada custava 23 euros https://www.plitvicenationalparktickets.com/pt/, que paguei ao guia na agência.
A viagem foi realizada em um ônibus grande e estava cheio. Conversei durante com uma turista dos EUA, que estava viajando com o marido, mas só ela queria ir até os lagos, embora não fosse sua primeira vez.
Realizamos uma parada num café (Borje) para tomarmos café da manhã, usarmos banheiro e comprar algum sanduíche para levar, já que dentro do parque não tem muitas opções e são mais caras. Comprei um sanduíche pra levar e tomei um café pra aquecer, pois fazia 1 grau! O local também é uma região de camping. O percurso levou cerca de 2h e fiquei surpresa com a paisagem com muito verde.
Dentro do parque existem várias trilhas, de A a K https://np-plitvicka-jezera.hr/en/plan-your-visit/istrazite-jezera/activities/lake-tour-programmes/. O guia não acompanhou, apenas indicou para seguirmos o caminho e fixou o horário de encontro na praça de alimentação.
É um lugar absolutamente deslumbrante. São várias quedas d´água e lagos super transparentes. Mesmo num mês de maio, que ainda não é alta temporada, estava lotado. Grande fluxo de pessoas sobre as passarelas de madeira. Precisa ter cuidado para não cair na água (não pode entrar). Teve um passeio de barco, que estava incluído no ingresso.
Os Lagos Plitvice são o parque nacional mais antigo e maior da Croácia. Classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. São 16 lagos, que correspondem a 1% da área do parque florestal, além de 90 cachoeiras.
No retorno, ninguém respeitou o lugar que veio, logo, sentei ao lado de uma senhora portuguesa que tinha conversado anteriormente. De repente, uma mulher veio (parecia italiana) exaltada dizendo que ela tinha guardado aquele lugar com uma garrafa, pois a amiga dela sentaria. Eu disse que não levantaria, pois no lugar que vim tinha outra pessoa. Até que o guia apareceu e disse que ela e as amigas não estavam no tour dele.
No tour que comprei tinha um passeio guiado grátis no centro histórico de Zadar, disponível para participação em qualquer dia às 18h. No entanto, estava exausta e com dor nos joelhos. Fui conversando com uma pessoa jovem alemã (acredito que trans) que trabalha num aeroporto da Alemanha e falava oito idiomas. A pessoa ficou feliz em falar português.
Novamente passei no restaurante do dia anterior, “Fish House”. Escolhi a opção “Fish & chips”, mas dessa vez só com lulas e tomei vinho. Depois caminhei para ver o pôr do sol perto do Órgão do Mar e presenciou o festival de luzes na Saudação ao sol.
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| Vi Havaianas falsas na feirinha |
Na manhã seguinte ainda caminhei pela cidade vazia para tirar algumas fotos.
📍DIA 5 - SPLIT, CROÁCIA
Deixei no roteiro a opção de ir numa praia (Beach Maestrala que ficava a 900 m) pela manhã, mas estava frio e preferi caminhar pelo centro de manhã sem praticamente ninguém.
Caminhei até a portão da cidade para chamar um uber e veio uma van! Só eu numa van de 16 lugares por 4 euros.
Quando procurei ônibus tinha dois critérios: viagem pela manhã e com poucas conexões ou direto. Isto para diminuir a chance de algum furto, porque, embora minha bagagem fosse uma mala de mão ela ficava no bagageiro. E, apesar dos Balcãs ser bem seguro, tem relatos de furtos em ônibus quando as pessoas cochilam. A passagem foi comprada no site da Flixbus, mas seria operado Antonio Tours. Custou R$127,00. É uma viagem curta. Saiu 10:45 e cheguei na rodoviária de Split 13:05.
A rodoviária, a estação de trem e o porto ficam grudados em Split, facilitando muito a vida do turista. Até me assustei quando vi a estação de trem, pois em momento cogitei essa opção, mas é um trem vai para a capital Zagreb (leva de 6 a 8 horas, dependendo do trem). Custa cerca de 18 euros pela Croatian Railways (HŽPP).
Split é uma cidade muito procurada, uma vez que do porto partem ferries para as ilhas paradisíacas de Hvar, Brac, Vis. Em maio a temperatura do mar ainda é muito fria e tenho pavor de água gelada. Queria uma opção barata para me hospedar. Tinha feito uma reserva que apenas aceitava pagamento em espécie, como levaria pouco dinheiro (e acabei não fazendo qualquer saque lá) cancelei e fiz reserva em outra hospedagem um pouco mais cara. A outra hospedagem ficava mais próxima da rodoviária: uns 10 minutos andando (era subida).
Me hospedei na Maja Rooms (R$329,00 a diária), que é um apartamento dividido em 3 quartos com banheiros privados. Tive um pouco de dificuldade para localizar, um atendente de uma lanchonete me ajudou, mas não tinha como abrir a porta do prédio. Algumas hospedagens (geralmente apartamento) enviam WhatsApp para facilitar a comunicação, que não foi o caso. Abri o Booking e enviei uma mensagem, que foi respondida em um minuto. A Maja apareceu e ainda subiu com minha mala, pois ficava no 4º andar. Muito simpática, deu uma explicação sobre o quarto, pegou um mapa e mostrou os pontos de interesse. O quarto e o banheiro estavam muito limpos e cheirosos.
Fui caminhar pela Riva (orla) de Split, que tem muitos restaurantes de frente para o mar. Existe muita oferta de passeio de barco.
Numa das vielas decidi entrar para comer em razão da decoração exuberante: Picasso Pizza Bar. Pedi uma margherita (14 euros) e uma Coca-Cola. Não me senti só no paladar, pois mesmo no meio da tarde tinha várias pessoas comendo pizza!
Segui para Palácio de Diocleciano, que foi um imperador romano 284–305 d.C. O local é Patrimônio da Humanidade. O complexo histórico de Split e as ruínas do Palácio foram construídos entre o século III e IV. A catedral foi construída na Idade Média, aproveitando materiais do mausoléu. Na região tem igrejas românicas, fortificações medievais, palácios renascentistas e barrocos. Passou por transformações ao longo dos séculos, passando de residência a cidade.
Para ficar na praça diante da fachada do palácio é grátis, no entanto, paga para visitar catedral, templo, torre. Entrei na bilheteria para decidir o que visitaria. Tinha combos de 9, 10, 12, 13 e 15 euros, mas também poderia pagar pelas atrações individuais, entre 3 e 7 euros. Acredito que a vista mais bonita seria da Bell Tower (campanário), mas foi uma viagem de muita limitação física em razão dos joelhos, tive dificuldade para subir uns 10 degraus pra entrar na igreja!!! Comprei o “blue ticket” por 9 euros, que dava direito a visitar 3 lugares: Catedral, Cripta e Batistério (Templo de Júpiter).
A Catedral de São Domnius é uma das mais antigas do mundo. Originalmente foi construída como mausoléu para o Imperador.
O peristilo é a praça central do palácio e com um átrio e colunatas, que servia para receber os convidados importantes – hoje em dia ficam homens vestidos de imperador romano cobrando por fotos, tem também um café, além de ter apresentações de musicistas.
O Templo de Júpiter foi construído em homenagem ao deus supremo dos romanos, contudo, no século VI foi convertido em um batistério dedicado a João Batista. A esfinge que fica na frente do templo veio direto do Egito.
Decidi voltar para o apartamento (ficava relativamente perto), passei por um feirinha, que já estava fechando, e achei os produtos com bons preços - 1 kg de morango por 2 euros (não comprei porque no outro dia iria para outra cidade). Quase ao lado do apartamento tinha um bar em homenagem ao Ayrton Senna: Pivnica Senna. Também passei no mercadinho, que era o único aberto no domingo (caminhei até o mercado grande, mas estava fechado).
Voltei para Riva, comprei um sorvete de “frutas do bosque” na sorveteria “aRoma”, sentei em um banco com vista pro mar. Dei ainda outra volta até o Palácio Diocleciano, que agora tinha um artista tocando, as pessoas sentando consumindo café e bebidas nas escadas.
📍DIA 6 - MOSTAR, BÓSNIA E HERZEGOVINA
Perto do apartamento tinham duas padarias, mas optei pela de melhor aparência: Bobis (é uma rede que está presente em várias cidades da Croácia). Pedi 2 bureks, um para comer e outro para levar (o valor vai de 1,30 a 2 euros, dependendo do sabor) e pedi um café (gastei 3,50 euros). Ainda dei uma volta na feira, antes de fazer o check-out.
Apenas deixei a chave por dentro e bati a porta. Meu ônibus partiria às 9:30. Existem algumas empresas de ônibus que fazem o trajeto Split-Mostar, mas escolhi a Centrotrens, pois precisava chegar na rodoviária “Mostar East” (são duas rodoviárias), para ir caminhando até a hospedagem. Comprei no próprio site https://centrotrans.com/. Nas passagens compradas na Flixbus o valor da bagagem já está incluso, contudo, nas demais empresas precisa verificar. Nesse caso tinha que pagar 2 euros ao motorista. Para lugares menos comuns a pesquisa de ônibus pode ser feita nos sites como Omio ou Rome2Rio.
A passagem custou 19 euros (R$125,59). O ônibus chegou no horário e era confortável. Fez o caminho pela costa. Em tese, levaria 5 horas, chegando em Mostar às 14:30, mas demorou mais, pois a imigração é muito lenta. O motorista pega o passaporte de todos os passageiros e segue para o posto policial. Todos descem. O ônibus estaciona mais na frente. Cada pessoa busca seu passaporte com o policial. Só que simultaneamente vários carros passam e são poucos policiais. Após a saída da Croácia tem que parar na imigração da Bósnia, mas não demorou e não precisamos descer do ônibus. Conversei algumas vezes com um casal dos EUA - muito simpáticos. Perguntaram se conhecia os EUA, e após minha afirmativa, responderam que NYC e LA não é os EUA de verdade. Levavam a vida num sítio e produzem tudo que consomem.
No caminho percebi que a hospedagem tinha mandado uma mensagem, informando que não teria ninguém para me receber, informando onde encontraria as chaves.
A moeda da Bósnia é o Marco conversível (BAM). 1 Real = 0,29 marco. Aqui cometi um erro, pois tinha algumas máquinas ATM para sacar dinheiro na rodoviária, inclusive o casal parou para sacar. Pensei que seria fácil pagar com o Wise, afinal, é uma cidade na Europa, mas não foi. Alguns lugares até aceitam Euro, mas em espécie (e já não tinha euro trocado). Poucos lugares aceitam cartão. Admito que morro de medo do cartão ser engolido pela máquina e ficar sem (embora tenha também o Nomad e ambos estão cadastrados no Google Pay).
O caminho até o hotel seria de 1,7 km, que seria possível caminhar. Me localizei no mapa e segui, o problema é que a maior parte do caminho as ruas são de paralelepípedo, então, morri de pavor de perder as rodinhas da mala. Obviamente teria chamado Uber, mas lá não tem aplicativo de transporte. E táxi precisa negociar. Encontrei o casal dos EUA no centrinho e pagaram 30 marcos (15 euros) pelo transporte, que é um valor absurdo pela distância.
Quando cheguei na hospedagem consegui pegar a chave da porta principal, mas tive muita dificuldade em fechar por dentro. A chave do meu quarto estava na recepção (que não tinha ninguém). Fiquei na Pension Most, reservado pelo Airbnb (também estava disponível no Booking, mas teria que pagar em espécie, já no Airbnb paguei com pix em reais e preferi deixar tudo pago. Cada diária custou apenas R$120,41.
O quarto era simples, mas tinha tudo o que precisava: banheiro privado com água quente, tv, ar-condicionado, cama. Aqui meus joelhos já estava me matando e tive que arrumar forças para continuar. O tempo estava ruim, mas corri para tomar um banho rápido e andei até o centro histórico, cerca de 10 minutos de caminhada.
Na Bósnia vivem muçulmanos bósnios, ortodoxos sérvios e croatas cristãos, logo, encontramos igrejas e mesquitas. Os minaretes chamam atenção. No centro histórico de Mostar tem muitas lojas, ou seja, um bazar, que é comum nos países muçulmanos. Ultimamente com a limitação da bagagem de mão quase não compro suvenires, mas são mais baratos que na Croácia, por exemplo.
O principal ponto turístico de Mostar é Stari Most, a ponte velha. Mostar e a ponte são classificadas como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O povoado se estabeleceu ali no século 15, nas margens do Rio Neretva. Em 1459 tinha duas torres ao redor da ponte. O nome da cidade deriva de “mostari”, os guardiões da ponte. Tem características otomanas, mas compartilhada desde aquela época por várias crenças: muçulmanos, cristãos e judeus sefarditas.
Na Guerra da Bósnia, em 1990, a ponte criada pelo arquiteto Hajruddin foi completamente destruída, sendo reconstruída apenas em 2004, mas observando todas as técnicas e materiais autênticos.
Fui até a ponte, tirei fotos, atravessei e desci para vê-la da margem do rio, mas com muita dificuldade em razão dos joelhos. Embaixo da ponte existe um serviço de passeio de bote pelo rio. Começou a chuviscar e, de repente, veio uma chuva torrencial.
Tive sorte de parar na frente de um restaurante, tentando me proteger, pois estava sem guarda-chuva. As ruas estavam enchendo. Entrei no TimaIrma, que aceitava cartão (perguntei previamente). Pedi um cevapi com 5 bolinhas de carne por 8 kunas e tomei um suco 5 kunas (paguei 6,71 euros no Wise). O cevapi é lanche comum no país, sendo montado com carne de bovina, cordeiro e suína (exceto para muçulmanos, pois não comem porco). É servido com cebola picada e creme ajvar, que é pimentão assado, berinjela, vinagre, azeite e alho. O sanduíche era delicioso e feito ali mesmo pela dona do estabelecimento. Não tinha banheiro (vi alguns turistas reclamando porque não podiam lavar as mãos). Depois pesquisei e vi que é um dos melhores restaurantes da região.
Quando a chuva parou, atravessei a ponte e encontrei um vasto comércio. Tinha deixado no meu roteiro a possibilidade de fazer um Free Tour (https://ihouse-mostar.com/mostar-free-tour/, que começava às 18h, mas não consegui. Nessa modalidade você faz uma contribuição no fim. Não faço esse tipo de tour habitualmente, mas acho que seria interessante para conhecer a história do conflito e sobre a reconstrução da cidade. Deixei vários lugares para visitar, mas não foi possível, pois às 19h, embora não tivesse escurecido, tudo já estava fechado: Mesquita Koski Mehmed-Pasha, A Torre do Relógio (Sahat Kula), Museu de Herzegovina, Museu da Guerra e das Vítimas do Genocídio, Kajtaz House (Casa Turca).
Estava sentindo tanta dor, que fui para a parte nova da cidade com o objetivo de comprar remédio na farmácia. Expliquei o problema e comprei um gel anti-inflamatório e um remédio de dor - a atendente me mostrou um, mas disse que aquele já tinha, aí me deu outro (Nalgesin). Paguei 11,79 euros. Ainda apareceu uma bolha gigante no meu dedinho e o dedão estava roxo – muitas emoções.
Na região tem muitos cafés e estavam cheios, mas com homens muçulmanos. Não percebi qualquer tipo de assédio, que pode ser comum em alguns países. Tentei também comprar morango numa quitanda, que era muito barato, mas só aceitavam kunas.
📍DIA 7 – MOSTAR (TOUR), BÓSNIA E HERZEGOVINA
Reservei o passeio pelo site da Viator (pode cancelar até 24h antes). Paguei R$225,20 por um dia de passeio com a Future Travel Mostar, que levaria para visitar: Zipline Fortica, Blagaj, Kravice Falls, Plocitej e Bunski Kanal Most. Fiquei um pouco preocupada porque assim que fechei o passeio o perfil da agência começou me seguir no Instagram e curtir todas as minhas fotos, mas não cancelei. E o tour foi ótimo.
Me mandou mensagem no WhatsApp um dia antes para confirmar o horário e o local da hospedagem (em algumas agências você tem que ir até um ponto de encontro). Tinha lido que o hotel oferecia café da manhã por 4 euros, no entanto, não tinha ninguém na recepção e nunca teve. Não vi um funcionário durante a estadia. Só vi um outro hóspede, que me ajudou a fechar a porta da hospedagem.
A padaria mais próxima, única que estava aberta, não aceitava euro ou cartão. Fez muita falta não ter sacado a moeda local. Ainda dei uma volta na cidade antiga, que estava vazia, pra ver se encontrava um local para tomar café da manhã.
Veio me buscar pontualmente às 8:30 e sentei ao lado do guia, que disse que já me conhecia pelo Instagram. Na van tinha uma irlandesa, uma francesa, um casal do reino unido e um casal de Singapura.
A primeira parada foi na Zipline Fortica. É uma plataforma de vidro que se estende por um penhasco e permite uma vista da paisagem. É uma subida bem íngreme até o mirante. É um local gratuito. Existe um restaurante no local e o guia nos convidou (ele pagou) para tomarmos uma bebida e conversarmos. Escolhi café e ainda tinha uma bebida da região, sharbat, feita com flores/rosas, as pétalas são embebidas, depois é coado e adoçado. Servido gelado. Gostei da bebida, mas nem todos apreciaram.
Na conversa, o guia Adi contou que nasceu na Bósnia, mas, em razão da guerra em 1990, foi morar na Noruega ainda criança. Parentes morreram. Sua mãe, em razão da fome, perdeu a metade do peso, chegando a 40 quilos - estando grávida da irmã dele. Quando ficou adulto resolveu voltar para cidade Natal.
Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi criado o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que foi nomeado Iugoslávia (1929) reunindo eslovenos, sérvios, croatas, bósnios, albaneses, montenegrinos e macedônios. A Guerra da Bósnia ocorreu após a dissolução da Iugoslávia e foi o momento mais sangrento na Europa após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Em 1991 foi declarada a Independência da Bósnia-Herzegovina, posterior à consulta popular por plebiscito. No entanto, havia um crescente conflito entre os três grupos étnicos: sérvios, bósnios e croatas. Os sérvios-ortodoxos queriam se manter parte da Iugoslávia, já os croatas-cristãos e os bósnios-muçulmanos queriam ter seus Estados independentes. O ditador Slobodan Milosevic financia milícias sérvias para impedir a separação da Bósnia. O país entra em guerra, os sérvios ocupam a capital Sarajevo e iniciam uma limpeza étnica contra os bósnios-muçulmanos. Fazem ataques aéreos, torturas, estupros coletivos, campo de concentração.
No Massacre de Srebrenica houve o assassinato de mais de 8.000 bósnio-muçulmanos, ou seja, uma terrível execução em massa. Inclusive tem um filme dilacerante a respeito: “Quo Vadis, Aida?” (2020), que foi indicado ao Oscar de filme internacional.
Em 1993 a Croácia tenta anexar a Herzegovina, região sudeste da Bósnia (onde fica Mostar). bósnios e sérvios lutam contra os croatas pela região, por outro lado, sérvios e croatas lutam para combater os muçulmanos na região. No mesmo ano, a ONU envia uma missão de paz. Em razão da comoção mundial com o genocídio, a OTAN envia uma ofensiva para bombardear os sérvios. Em 1995 é assinado um acordo de paz, colocando fim na guerra.
Ele nos mostrou que aprendem 3 idiomas na escola: bósnio, sérvio e croata, mas que, na prática, são variantes da mesma língua com o mesmo som, mas escritos de forma diferente (o sérvio é escrito em alfabeto cirílico).
Perguntei o motivo de uma rua estar toda decorada com bandeiras da Croácia e contou que maioria na região é de origem croata e existe divisão. Contou que um turista uma vez foi com a camisa de futebol do país, mas numa parte da cidade que entende que ali é Croácia e apanhou. Com indignação, disse que existem 3 escolas: para sérvios, bósnios e croatas. E que sua filha não tinha contato com as crianças das outras etnias/religiões e ele gostaria que todos convivessem numa única escola. Fica muito evidente a “herança” da guerra ainda reverbera no país.
Depois da
conversa, passei escrever e falar Bósnia e Herzegovina sempre, pois fica nítido
que existe uma tensão permanente no país e existem duas regiões, sendo que na
Herzegovina ficavam os lugares visitados, no sudeste do país, perto da Croácia.
A região nunca conseguiu autonomia.
Sou fascinada por dervixes rodopiantes e queria visitar Blagaj. Dervixes são praticantes do sufismo, que é uma corrente do Islã (contestada por muitos religiosos). A reintegração do espírito com o divino nasce do canto e da dança. O poeta Rumi (também conhecido por Mevlana) teria criado esse estilo de meditação.
Inclusive fechei um tour por esse motivo, pois teria dificuldade de fazer a visita de forma independente. Só tinha a experiência de vê-los uma única vez, em Istambul, na Turquia, quando fui assistir uma apresentação. Blagaj Tekke é um mosteiro de dervixes construído por volta de 1520 com características otomanas em um penhasco ao lado do Rio Buna. No entanto, lá não era possível vê-los, apenas visitar o mosteiro vazio e não é permitido tirar fotos, embora tenha várias imagens online (ingresso 5 euros). Acabei não entrando. Ninguém do tour quis entrar e tínhamos um tempo pré-definido em cada lugar, mas o guia disse que se eu quisesse entrar me esperaria.
Fiquei conversando com uma menina francesa muito simpática que trabalha com audiovisual e tinha um ótimo equipamento com câmera mirrorless fuji e drone (acho que não tomava banho há dias, pois dentro do carro fechado respirar estava insuportável). O restante do grupo já tinha se dirigido para o restaurante Bunski Biser para experimentar o doce da região: bolo de figo, que achei muito doce, e tomei um suco de romã, que amo, mas aquele parecia feito com xarope, não diretamente da fruta (5,16 euros). Aceitava Wise. Conversei com o casal de Singapura, que, embora ainda jovens, me disseram que estavam aposentados e viajando pelo mundo. Falaram que tinham acabado de passar um mês no Brasil. Ela me disse que o melhor sorvete que experimentou na vida é o Bacio de Latte de pistache!!!
A próxima parada foi em Počitelj, que é uma cidade medieval histórica nas margens do rio Neretva, na estrada principal entre Mostar e Metković no município de Čapljina. Conhecida por sua arquitetura medieval e otomana bem preservada e casas de pedra, que teve sua construção em 1393. Perdeu a importância durante o domínio austro-húngaro (1878), que contribuiu para sua preservação até a Guerra da Bósnia. A World Monuments Watch (https://www.wmf.org) colocou a cidade entre os 100 patrimônios culturais ameaçados do mundo.
O guia pediu permissão ao Imam para que o grupo pudesse entrar na Mesquita Hajji Alija, construída em 1563. Ainda pegou emprestado roupas para as mulheres que precisavam. Eu mesma tinha deixado meu casaco na van, logo, precise vestir a abaya. Alguns países muçulmanos não permitem a entrada de não-muçulmanos (Marrocos), em outros a entrada é permitida, mas não em momentos de culto (Turquia), contudo, entramos exatamente no momento em que estavam orando.
Todos seguiram para o topo da cidade, nas ruínas da construção medieval, mas preferi descer, pois não aguentaria em razão dos joelhos. Na descida tinha uma senhora vendendo xarope de romã na porta da sua humilde residência. Ela me ofereceu o biscoito que estava comendo e não tive como rejeitar. Desci e sentei, enquanto esperava conversei com um casal do Egito que estava em viagem de lua de mel. Quando disse que quero conhecer o país deles se ofereceram para mostrar a capital, mas acabei não pegando o contato.
A próxima parada foi num lugar deslumbrante: Kravice Falls (ou Kravica Waterfalls) https://kravica.ba/en/for-visitors/. As Cataratas de Kravice são uma das maravilhas naturais mais impressionantes da Herzegovina com 25 metros de altura localizada perto de Ljubuški. O ingresso custa 20 kunas (10 euros). O guia propôs comprar e sairia por 8 euros para cada, mas só se todos aceitassem (bósnios têm desconto). Só tinha 10 euros trocado em espécie comigo e sabia que não poderia comprar mais nada, mas não quis ser desagradável e aceitei (preferia pagar com cartão).
Tem estacionamento, banheiros para trocar de roupa e uns três restaurantes. Levei mochila com maiô, toalha, no entanto, antes quis colocar o pé na água e, pra mim, foi inviável porque estava congelada. Não sinto prazer em água gelada. Achei o lugar belíssimo e deve ficar lotado no verão.
A irlandesa e o casal britânico pularam na água imediatamente, pois disseram que é a temperatura da água no verão para eles. Inclusive fiquei chocada quando ela disse que pagou apenas 40 euros na passagem para Sarajevo. Mostar tem um aeroporto, que passamos perto, mas está coberto por mato e parece abandonado.
Para quem fica na água, pode ser incômodo porque lá vão muitas pessoas que ficam só apreciando a vista na borda do rio, mas não percebi assédio (comum em alguns países islâmicos). Realmente sem qualquer importunação. Adi comentou que não gostam das pessoas do Oriente Médio, pois muitas vezes vão lá e querem comprar tudo e todos. O restaurante tinha sidras de vários sabores, mas fui em dois e nenhum aceitava cartão – lá vendem álcool normalmente.
Por fim, paramos em Bunski Kanal Most. Bunski Kanali é o onde o rio Buna encontra o Neretva, criando uma confluência de águas turquesas.
Assim que fui deixada no hotel, segui para o centro histórico de Mostar para comer, pois estava faminta. Entrei no mesmo restaurante do dia anterior, comi cevapi no TimaIrma. O casal dos EUA apareceu e sentou na mesma mesa. A dona do estabelecimento me abraçou, pois lembrou de mim do dia anterior. Parecia muito séria, mas foi super agradável comigo. Na hora de pagar foi difícil, pois a filha não estava para passar o cartão na máquina, nem lembro se tive que passar o crédito. Acho que o país poderia se modernizar, afinal, fica na Europa e quase não aceita cartão (débito ou crédito), dificultando bastante a vida do turista, pois hoje em dia a maioria usa cartão multimoedas. Quando fui caminhar para tentar comprar algum suvenir as lojas já tinham fechado. Na volta, contei moedas (euro) e comprei um suco num mercadinho (que não aceitava cartão).
📍DIA 8 - DUBROVNIK, CROÁCIA
O ônibus sairia às 10:30 e não podia me atrasar, pois vi que naquele dia não tinha outro. Acordei cedo e contabilizei os euros que tinha, pois tinha que pagar 2 euros para a bagagem (minha mala é P, logo, quem viaja com mochilão consegue levar dentro do ônibus). Fui em outra padaria que aceitava euro e comprei um pão doce e um chá. Ainda tive tempo para andar pelo centro histórico, que estava fechado, mas é ótimo para fotografar.
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| Neum, cidade que é o único acesso da Bósnia Hezergozina ao mar |
A hospedagem de Dubrovnik perguntou o horário da previsão de chegada, disse que seria 14h (o ônibus tinha previsão de chegar 13:30), mas cheguei depois.
Quando planejei essa viagem tinha 2 medos por tantos percursos de ônibus: furtarem minha mala ou mochila. E não ter banheiro, pois tenho bexiga hiperativa e faço xixi várias vezes ao dia. Peguei todos os trechos pela manhã, pois estaria acordada e abraçada com a mochila. A minha mala tem uma estampa mais incomum (da Farm). E, apesar de escolher todos os ônibus com banheiro, todos estavam trancados. Felizmente, consegui segurar até chegar nos banheiros das paradas, mas pra quem tem algum problema é incômodo. Imagine ter uma diarreia dentro do ônibus? Na parada tive um pequeno desespero, pois tinha uma máquina para pagar para usar o banheiro e estava quase fazendo nas calças.
No caminho o tempo estava bem fechado. A rodoviária ficava a 1km da hospedagem, mas o caminho é tortuoso, sem caminho para pedestre em algumas partes. Tive que atravessar correndo porque não tinha sinal (depois percebi que na cidade você coloca o pé na faixa e todos os carros param, mas só soube observando a população local).
Dubrovnik foi o lugar mais difícil para escolher hospedagem, pois muitas ficam em penhascos com indicação de degraus que você tem que subir, além de ser uma cidade realmente cara. Muitas vezes a casa era linda com bom preço, mas tinha que subir 200 degraus ou pegar um ônibus e ainda subir. Por fim, escolhi ficar no bairro Gruž, que tem a rodoviária, o porto, saída de barcos de passeio, supermercado. Escolhi um apartamento na avenida principal e a única escada que precisei subir foi para o segundo andar do apartamento, que tinha vista para o mar. Acomodação renovada, banheiro novíssimo com chuveiro potente. Claro que conforto tem um preço. E tinha um diferencial, meu voo de partida seria 19:45, portanto, queria um lugar que pudesse ficar com minha bagagem e a maioria se negava (que é comum em Airbnb), mas essa confirmou que poderia (tinha um depósito no primeiro andar). Ainda deixei um plano B, que era deixar bagagem a em um dos endereços do site https://radicalstorage.com por 6,75 euros.
Achei o apartamento (Studio A) com facilidade, na porta mandei Whatsapp para a dona, que mora ao lado. Uma mulher super bonita. Entrou e me mostrou o estúdio, fotografou meu passaporte. Se surpreendeu porque estava sozinha (ela deixou uns mimos para duas pessoas: laranja, maçã, chocolate, chá e café), mas foi ótimo porque comi tudo. Ainda disse que não tive sorte porque fez sol nos dias anteriores e parecia que choveria aquela semana inteira. Paguei R$447,33 por diária e ficaria por três dias. No verão os valores triplicam, pois pesquisei para visitar no verão, mas era inviável para uma viajante solo. Tinha guarda-chuva, me deu um mapa. Encontrei apenas alguns problemas: não consegui ver tv, tinha Roku, que nunca usei, mas acho que estava com algum problema. A cama era muito dura (e uso colchão ortopédico por conta da hérnia de disco). E teve um dia que não dormi pelo barulho de obra na rua.
Não tinha muita coisa para fazer com o tempo chuvoso e estava esgotada. Decidi me dar um dia de descanso. Andei apenas na marina que ficava na frente, depois segui para o Hipermercado Tommy, que ficava a 400 metros. No prédio tinha outros estabelecimentos. Comprei: pão de forma, suco, duas sidras, tortelloni de ricota com espinafre, dois iogurtes, molho basílico (tomate e manjericão), salame (13 euros).
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| Moto que aluga por app |
Cheguei em casa e tive dificuldade para entrar (a fechadura era digital). Tive que chamar a dona que veio de pijama (deve ter me xingado) e mostrou que precisava colocar força na porta pra abri-la. Preparei a massa e abri uma sidra (que é minha bebida preferida). Depois tomei um banho revigorante antes de deitar.
Se tivesse sol teria passado o dia na praia.
📍DIA 9 – DUBROVNIK, CROÁCIA
Acordei e preparei meu café da manhã para finalmente conhecer algo na cidade.
Não tinha pesquisado sobre o deslocamento de ônibus (poderia pegar uber), mas no apartamento tinha um livro com instruções. Perto tinha o ponto “Grawe” e para visitar a cidade antiga bastava descer na estação final “Pille”. Pode pegar os ônibus: 1A, 1B, 2, 3, 6, 8 e 9. O bilhete pode ser pago diretamente para o motorista, mas é mais caro. Pode comprar nos quiosques “Tisak” ou “Libertas”. O tíquete de 24 horas custa 5,31.
Embora costume comprar quase tudo antecipadamente, para evitar imprevistos com a forma de pagamento, em Dubrovnik deixei para decidir no local. O ingresso para visitar as muralhas custas o mesmo valor do Dubrovnik Pass https://www.dubrovnikpass.com/, 40 euros por 1 dia. Tinha a opção de 3 dias por 50 euros (como faria um tour no dia seguinte não seria uma opção). Os valores mudam na baixa temporada. E o passe ainda tinha outros atrativos para visitar. Na noite anterior comprei pelo site e paguei com o Wise – acho que foi a primeira vez que usei numa compra online.
Aqui tem o pulo do gato porque o Dubrovnik Pass inclui a passagem de ônibus, mas você tem que pegar o bilhete em um dos pontos de troca. No dia que comprei pensei em fazer a troca num lugar dentro do porto, mas faltava pouco tempo pra fechar. Perto do ponto tinha o quiosque Libertas e mostrei no meu e-mail o QRcode do passe. A atendente fez a leitura do código e me deu o bilhete de ônibus válido por 24 horas. No passe estavam incluídos os seguintes lugares:
- City Walls + Lovrjenac Fortress (40 euros)
- Rector’s Palace (15 euros)
- Maritime Museum (10 euros)
- Ethnographic Museum (8 euros)
- Marin Držić House
- Dubrovnik Natural History Museum
- Friars Minor Franciscan Monastery Museum
- Museum of Modern Art Dubrovnik
- Dulčić - Masle - Pulitika Gallery
- Pulitika Studio
- Archaeological exhibitions 5 euros
- 24h Bus Ticket
Para quem não quer visitar as muralhas, tem a opção de comprar pacote de 10 museus por 20 euros. https://www.dumus.hr/en/agencies/entrance-tickets/. Pode comprar também só a entrada da muralha (que tem o preço do passe, com mencionado acima): https://shop.citywallsdubrovnik.hr/en
Assim que desci do ônibus fiquei deslumbrada com a cidade amuralhada, que ainda não estava superlotada em razão do horário, 8h da manhã. Dubrovnik é um dos lugares que sofrem com o “overtourism” (excesso de turistas impactando negativamente a cidade), principalmente em decorrência dos inúmeros passageiros de cruzeiros. É a cidade com mais turistas por habitantes, chegando a 27 turistas para cada habitante! Tem como resultado a gentrificação, quando a população tem um aumento do custo de vida e precisa procurar outras regiões para viver (um dos motivos da crítica ao aluguel por temporada, como Airbnb, pelo mundo).
Tendo em vista que a parte antiga é habitada colocam algumas multas para tentar amenizar a perturbação causada, como andar de roupa de banho pela cidade (Dubrovnik, Split, Hvar) resulta em 150 euros (não quer dizer que as pessoas respeitem a lei). Beber álcool em público resulta em 700 euros.
Em determinado horário do dia não pode entrar com mala de rodinha. Tem hospedagem dentro, mas não acho uma boa ideia. Achei até com valores mais baixos que no local que fiquei. Tem mais contras que prós, embora sempre prefira ficar na região mais central.
O que impactou (negativamente, na minha opinião) foi a série Game of Thrones (que nunca assisti). Tem lojas, suvenires, trono, tour em razão da série. Como um local histórico vai ficar reduzido a uma série de tv dos EUA? Embora não tenha visto, sei que deve ser impactante, pois ouvi falar dos cenários quando estive em Malta, Sevilha (Espanha), Aït-Ben-Haddou (Marrocos).
A cidade antiga de Dubrovnik é Patrimônio da Humanidade, segundo a Unesco. A “Pérola do Adriático”, situada na costa da Dalmácia, foi uma potência marítima após o século 8. Foi impactada por um terremoto em 1667, mas preservou as igrejas, mosteiros, palácios dos períodos góticos, renascentistas e barrocos. Durante a guerra em 1990 também teve danos em razão de conflito armado. É uma cidade medieval planejada e preservada.
Assim que vi a entrada para os muros entrei, aproveitando que não tinha fila. Depois que entra não pode sair e voltar, tem que fazer todo percurso ou deixar os muros sem ver tudo. Levei cerca de 3 horas, pois fiz paradas nos museus que estavam no caminho e tirei dezenas de fotos.
As dimensões atuais das muralhas foram definidas no século 13, mas ampliadas até 1660. São 1940 metros de extensão, composto pela muralha da cidade, três fortalezas, dezesseis torres. Chega ter até 25 metros de altura.
Parei no Atelier Pulitika Studio/Galeria Dulčić-Masle-Pulitika https://ugdubrovnik.hr/en/index.php?file=exhibitions/studio-pulitika, incluído no Dubrovnik Pass. O pintor Duto Pulitika nasceu em Dubrovnik e deixou suas obras para o museu de arte moderna. Suas sobras ficaram na Galeria Dulčić-Masle-Pulitika (estúdio do falecido pintor). Infelizmente o museu de arte moderna estava fechado naquele dia.
Em seguida, entrei no Maritime Museum (Museu Marítimo), que tem dois andares. Foi fundado em 1949 por iniciativa da Academia Iugoslava (atual Academia Croata de Ciências e Artes). Desde 1987, faz parte dos Museus de Dubrovnik. A maior parte do acervo provém de doações. Aproveitei para usar o banheiro.
Sentava em todos os lugares que era possível para descansar, pois o sol apareceu e ficou bem quente. Foi interessante ver a escola, a quadra de basquete, a vida acontecendo enquanto vários turistas caminham pelas muralhas.
Saí da muralha por volta de meio-dia e segui para o Friars Minor Franciscan Monastery Museum. O Mosteiro provavelmente foi construído em 1317. Além de uma farmácia preservada, de uma biblioteca com manuscritos da época, existem pinturas de mestres desconhecidos.
Por fim, visitei a Igreja ortodoxa sérvia dedicada à Santa Anunciação (Church of the Holy Annunciation) datada de 1877 e está localizada dentro da cidade murada.
Estava faminta e naquela região tem tanta gente que fica insuportável procurar algo para comer (além dos preços abusivos), com dor nos pés (tinha bolha no dedinho e o dedão roxo, que caiu a unha posteriormente), além dos joelhos. Decidi pegar o ônibus e ir almoçar no apartamento. Fiz capeletti, abri uma sidra. Como estava com calor, coloquei uma bermuda.
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| A vista do apartamento |
Peguei o ônibus novamente em direção à cidade antiga. Cogitei fazer algum passeio de barco para ver o pôr do sol. Entrei no Ethnographic Museum que apresenta uma coleção de cultura tradicional se transformou no departamento etnológico do Museu de Dubrovnik e, em 1950, inaugurou sua primeira exposição de artesanato popular etnográfico original da região no segundo andar do Forte de São João.
O Palácio dos Reitores (Rector´s Palace) foi construído no final do século XV para o reitor eleito que governava Dubrovnik. O palácio gótico-renascentista abriga o Departamento Histórico-Cultural do Museu de Dubrovnik, com salas de exposição organizadas para exibir o cenário original com móveis e objetos antigos de uso diário, bem como pinturas de mestres locais e italianos. Foi reconstruído algumas vezes, mas mantém uma unidade na composição.
Caminhei pela parte Old Town de onde saem os barcos de passeio. Adiante tem escada e corrimão para quem quer entrar no mar, que estava agitado.
Segui até a praia de Banje Beach, considerada uma das dez mais bonitas da Europa, segundo o site da Forbes. É a praia mais famosa de Dubrovnik, com areia fina e água cristalina. Fica ao lado de Old Town, que proporciona um belo cenário.
A praia em si não achei nada demais, mas lembro que já estive em duas praias que estão sempre figurando em listas de melhores do mundo no site Tripadvisor, Praia do Sancho (Noronha) e Eagle beach (Aruba), e não vi uma beleza surreal. Ocorre que visitei essas praias no período vespertino. Acredito que a praia é sempre mais bonita pela manhã com sol a pino, em razão da coloração do mar, logo, minha percepção pode estar prejudicada.
Desci as escadarias (com dificuldade), tirei o tênis, deixei a bolsa na areia e coloquei o pé na água, mas é congelante. Não consigo entrar. Sentei na areia e comecei conversar com uma mulher ao lado, era uma turista dos EUA. Contou que antigamente viajava com a filha, mas recentemente viaja só, pois ela trabalha. Falou que é muito fã de futebol e já esteve no Brasil com um amigo mexicano. Me deu o Whatsapp (não tinha rede social) caso queira visitá-la algum dia em Seattle (disse que pode me hospedar).
Voltei andando até o ponto de ônibus e lembrei que não tinha visitado Lovrjenac Fortress. Fechava às 19h, então tive que correr. Fiz um esforço mental para subir as escadarias. É uma fortaleza medieval que fica no topo
desci no meu ponto, que fica na frente do Hipermercado Tommy e entrei para fazer umas compras. Peguei morango, uma sidra, um iogurte, quatro sachês de café, um tortellini de presunto cru e um pote de molho pesto (12,40 euros). Fiz o jantar e fui organizar minhas coisas para o passeio do dia seguinte.
Logo no dia que precisava madrugar resolveram fazer obra na pista (asfaltando) na frente do apartamento. Dormi quase na hora de levantar.
📍DIA 10 - BATE-VOLTA KOTOR E PERAST, MONTENEGRO
Fiz várias simulações para conseguir visitar Montenegro (Budva e Kotor), pois num tour o tempo é curto para conhecer a cidade, mas só o valor da passagem ida e volta para a rodoviária ficaria mais caro. Não tinham muitas opções de tour, tampouco eram bem avaliados.
Comprei o tour no site da Viator por R$293,23, que seria realizado com a operadora Select Dubrovnik d.o.o. Tinha 2 possibilidades com a mesma empresa: ônibus com cerca de 50 pessoas ou van, que era o dobro do preço, e ainda, muitos falavam sobre o desconforto.
Pedi para me buscarem no apartamento, no entanto, me responderam que seria contramão e não teria como estacionar o ônibus. Me responderam que me buscariam num ponto próximo às 6:30, que ficava na frente do mercado Tommy. Tinha a informação para levar o Passaporte.
Saí de casa um pouco após às 6h, fiquei no ponto, mas sem muita certeza se estava no lado certo, pois sinalizavam que não esperam ninguém. Quando o ônibus apareceu entraram mais umas três pessoas. Sentei sozinha. Ainda parou em outras hospedagens mais afastadas. Em tese, a viagem dura cerca de 3 horas, mas levou mais de 4 horas. A guia pega todos os passaportes e leva na cabine de controle de imigração e depois entrega todos, não precisamos descer.
O tempo estava bem fechado, mas tinha guarda-chuva no apartamento e coloquei na mochila. Fomos avisados que teria uma guia local para mostrar o centro de Kotor, depois teríamos um tempo livre para andar por Old Town. Precisamos pagar 3 euros para entrar na cidade.
Montenegro é o país mais novo da Europa, pois se tornou independente apenas em 2006, após referendo para separação da Sérvia. O nome significa “montanha negra” e estando lá entendemos o motivo. A língua oficial é a montenegrina (próximo do sérvio, mas com pronúncia própria).
Assim que começamos o tour caiu um temporal e ficava quase impossível tentar ouvir e ver a guia explicando com tantos guarda-chuvas. Ela ficou cerca de 20 minutos e depois se despediu. A guia do ônibus marcou o ponto de encontro às 13:30 no portão principal.
Mostrou a Torre do Relógio, construída no século 17, que fica localizada na Praça das Armas e é um dos cartões-postais.
Também vimos a fachada da igreja St. Tryphon Cathedral, construída em 1166, sendo o principal templo católico da cidade e uma das principais construções românicas no Adriático. São Trifão é o padroeiro de Kotor.
Achei curioso que Kotor é conhecida como a cidade dos gatos, inclusive estampam os suvenires, bem como tem esculturas, museu, dispenser para o turista colocar a moeda e cair comida para os gatos.
Kotor é Patrimônio da Humanidade. Na Idade Média o porto natural da cidade foi um importante centro artístico e comercial. Tinha grande número de monumentos, como quatro igrejas românicas e as muralhas, que foram danificados no terremoto de 1979, mas restaurados com ajuda da Unesco. O valor da sua arquitetura da cidade fortificada, palácios, conjuntos monásticos em harmonia com a paisagem rochosa. Era o principal ponto de conexão com Veneza na costa sul do Adriático. Suas escolas de arte, ourivesaria e arquitetura exerceram uma influência profunda e duradoura nas artes da costa adriática.
Muitas pessoas fazem a trilha até as ruínas da Fortaleza de São João (San Giovanni), que um passeio muito procurado e permite uma vista da cidade, mas sequer cogitei em razão do meu estado precário. Leva cerca de 2,5km, necessitando de 1,5h para realizar ida e volta. Entrada 15 euros. Li que tem um caminho alternativo que permite uma visita gratuita.
Entrei na Saint Luke Church, a pequena igreja de São Lucas é ortodoxa sérvia (inicialmente foi igreja católica romana, mas no século 17 também foi utilizada pelos ortodoxos compartilhada com católicos, mas se transformou em apenas ortodoxa), construída em 1195 com arquitetura bizantina e gótica, tem uma única nave e uma cúpula. Nunca sofreu danos e está preservada.
Outra igreja ortodoxa sérvia é a Church Of St. Nicholas. A igreja de São Nicolau (padroeiro dos navegantes e viajantes) foi construída entre 1902-1909. No mesmo local havia outra igreja que foi destruída por um incêndio.
Subi na muralha para ver a Baía de Kotor. As muralhas pertencem a um complexo de fortificações que vão até a Fortaleza de San Giovanni. A construção iniciou no século 9, mas foi expandida e reforçada posteriormente, durante o domínio veneziano, visando proteger de invasões.
Até queria sentar para almoçar, mas em razão do pouco tempo e de uma cidadezinha lotada, comprei uma fatia de pizza na “Pizza Pronto” e uma Coca-Cola - lanchei em pé numa viela. Aceitava cartão, pois tinha outra pizzaria que só aceitava dinheiro em espécie.
No Sea Gate (Portão do Mar), o portão principal de entrada da cidade velha, foi construído em 1555 enquanto a cidade estava em posse de Veneza. Sobre o portão tem a data da libertação do nazismo. Tem uma frase do comunista Tito “O que é dos outros não queremos, o que é nosso não entregaremos”. Encontrei três colombianas (elas tiraram minha foto) que tinha conhecido no calçadão de Split e comentei sobre esse passeio, elas pegaram meu Whatsapp para virmos no mesmo dia, mas ficaram em outro ônibus. Disseram que posso aparecer quando quiser em Cali que me receberiam (era mãe, filha e sobrinha). Existem outros dois portões: River Gate e Gurdic Gate.
A guia apareceu, nos reuniu e fomos em direção ao barco que nos levou até uma ilha artificial onde está localizada a Igreja Nossa Senhora das Rochas (Our Lady of the rocks). Consta que em 1452 dois marinheiros encontraram uma Virgem Maria sobre uma rocha no mar naquele local. Construíram a igreja em 1630 no estilo barroco. É um local de peregrinação católica. O tempo era curto. Cobravam para entrar na igreja e preferi caminhar, depois entrei na lojinha e comprei algumas lembranças pra minha mãe.
A última parada era Perast, que foi um importante centro marítimo. Kotor e Perast são pequenas cidades altamente características e autenticamente preservadas, enriquecidas por uma arquitetura de grande qualidade. Seu planejamento urbano está bem adaptado e integrado à paisagem.
Segui caminhando pela charmosa orla e entrei na St. Nicholas Church, que tinha uma torre de 55 metros. Decidi sentar no restaurante Sijavoga para comer a torta creme (uma fatia com um café por 8 euros). A torta é boa, mas idêntica à que experimentei em Bled. A guia estava lá lanchando, me disse que era da Macedônia do Norte e que cresceu assistindo ao filme “Rio” e todas as vezes que ela pensa nisso ela se emociona, que era o maior sonho conhecer o Rio de Janeiro, que tinha organizado para visitar em dezembro.
Retornei para o ônibus, que partiria às 16h. Para minha surpresa, não tinha lugar pra sentar, pois os turistas foram deitando, não mais ao lado dos seus companheiros. Fiquei no fundo e perguntei alto se eu iria em pé. Chamei a guia e ela fez um escândalo pediu para uma adolescente sentar ao lado da mãe, como foi na vinda, e fui sozinha. Afinal, sou do Rio e ela ama Rio. Os demais turistas eram dos EUA, sem generalizar, pois encontrei várias pessoas simpáticas, nesse tour todos estavam com família ou casal e não troquei uma palavra com ninguém e pareciam donos do mundo, ainda bem que alguém colocou ordem. Ela ainda convidou as pessoas para um bar com karaokê, mas não tenho energia para saídas noturnas após um dia andando, infelizmente.
Cheguei no apartamento tarde. Só consegui tomar um banho demorado, fazer um jantar e dormir.
📍DIA 11 – DUBROVNIK (E IDA PRA ZAGREB), CROÁCIA
Acordei e o dia estava lindo e ensolarado! Podia ter madrugado para aproveitar alguma praia, mas preferi tomar café e ficar na cama até mais tarde, uma vez que estava com muita dor de barriga. Fiquei receosa porque passaria o dia na rua, pois o check-out era às 10h e meu voo de volta às 19h45.
A dona do studio entrou em contato no Whatsapp para informar sobre o local pra eu deixar minha mala, também perguntei onde pegar o ônibus para o aeroporto.
Deixei a mala e a mochila no térreo, peguei a chave e segui caminhando para ver a praia, pois não teria como tomar banho (sequer procurei se tinha algum day use perto). Percebi que do outro do lado que estava (tinha vista pro mar) saiam vários passeios de barco.
Fui para a Uvala Lapad Beach e a cor do mar é incrível, mas a maioria das pessoas estavam na parte de concreto. Percebi que tinham muitos ouriços no fundo. A parte mais cheia era a frente do Hotel Vis, que chamam de Vis Beach. Não tinha restrição para não-hóspede. Sentei na sombra e fiquei apreciando. Até pensei em me hospedar ali enquanto pesquisava, mas só acho boa ideia se for para aproveitar a praia na maior parte do tempo. Detesto água gelada, mas se fosse um dia que estivesse com hospedagem talvez eu aproveitasse.
Teria tempo para fazer um passeio para ilha de Lokrum, mas queria chegar no aeroporto com algumas horas antes, pois não tinha conseguido fazer o check-in online. Parei para comer na pizzaria Zamagna (16,50 euros). Pedi uma pizza e um chá gelado. Depois segui para buscar minha mala e mochila.
Não comprei antecipadamente a passagem de ônibus para o aeroporto. As avaliações são muito negativas. Cheguei a cotar o uber e dava cerca de 25 euros, mas o ônibus era 10 euros. No dia anterior acessei o site da Platanus e comprei https://platanus.hr/shuttle-bus/ . Existem algumas paradas: 1. Main bus station in Gruž, 2. Grawe station, 3. Old town (Cable car stop), 4. Srebreno station (in front of One Suite hotel). Antes achei que a rodoviária seria a melhor opção, mas a Grawe Station era próxima do apartamento, bastava atravessar a avenida e andar uns 300 metros. Tive sorte que assim que atravessei o ônibus chegou. Fui na intenção de pegar do horário das 16h, mas o que saiu 15h estava atrasado. Só mostrei o Qcode no celular. Coloquei a mala no bagageiro. É um serviço rápido e confortável. A passagem não pode ser comprada na hora, inclusive vi turista tentando, o motorista deixou entrar e quando chegou no ponto que tinha guichê disse para descer e comprar a passagem.
Iria passar meu tempo na Sala Vip, mas, para minha surpresa, fui informada que o check-in da Croatia Airlines naquele voo para Zagreb só abriria 2 horas antes e teria que ser feito no balcão.
Assim que decidir ir para os Balcãs comprei esse voo de retorno (era o último lugar) na Croatia Airlines por 57,87 euros. Naquele dia tinha voos muito cedo e não queria arriscar não conseguir chegar no aeroporto. Comprei a passagem sem bagagem despachada. Não ficou claro se conseguiria ir com a minha mala ou se teria que pagar, mas já estava preparada pra esse gasto.
Fiquei muito tempo esperando até que abriu o guichê uma hora antes do embarque e foi correria porque o voo estava com overbooking – nesse momento meu coração já estava acelerado, pois o meu retorno estava todo organizado milimetricamente para eu chegar em Trieste, de onde voltaria para o Brasil e qualquer infortúnio me faria não conseguir retornar.
Já estava com a carteira na mão caso precisasse pagar a bagagem. A atendente ia despachar e decidi perguntar se teria custo ela disse que não, então disse que levaria comigo, pois pegaria o último ônibus do aeroporto de Zagreb e não queria esperar pela bagagem.
Ainda consegui aproveitar alguns minutos na Sala Vip Adriatic Lounge no 3º andar e dava para ver os aviões decolando. Tinha sanduíches, café, bebidas geladas e quentes, vinho, frutas, macarrão, burek. E tinha banheiro.
O voo atrasou quase uma hora para o meu desespero. Cheguei em Zagreb e corri esbaforida para pegar o ônibus, pois o último sairia às 22h30. Comprei previamente na Croatia Airline bus, mas não tinha qrcode e fiquei com dúvida sobre a comprovação da compra https://plesoprijevoz.hr/en/zagreb-croatia/. Tinha também uma outra opção que era ZET (transporte público), mas ficaria distante da hospedagem e teria que pegar outro transporte.
O ônibus já iria sair. Mostrei a impressão que fiz após a compra, mas que não tinha nada que comprovasse como Qcode. O motorista riu e deixou eu entrar. Desci na rodoviária e me localizei, pois teria que caminhar uns 15 minutos na absoluta escuridão.
Escolhi o hotel por proximidade com a rodoviária. Tinha Airbnb mais barato, mas não ficava com a bagagem. Algumas avaliações diziam que não ficavam e indicavam deixar na rodoviária, mas decidir mandar mensagem, perguntando se poderia ficar com minha mala até meio-dia e a resposta foi positiva. Fiquei na Villa Zrina e paguei R$387,00. Estava com dúvida se teria alguém na recepção, mas tinha um senhor. Fiquei com um pouco desconfiada porque me ofereceu uma bebida destilada típica feita com frutas: rakija. Até aceitei, mas li avaliações que oferecia café (relato de homens). Ele me mostrou o quarto. Fechei a porta, coloquei a mala atrás e depois de alguns minutos tive a sensação de alguém ficar em pé perto (tinha vitral). Não fiquei confortável.
Tinha levado 2 sanduíches da sala vip e banana. Lanchei e deixei outro para tomar café da manhã – até poderia ir nas padarias da rodoviária, mas não queria perder tempo.
📍DIA 12 - ZAGREB (E IDA PARA TRIESTE), CROÁCIA
Acordei, tomei café, deixei a mala e a mochila na recepção. Chamei o uber para me deixar na Igreja de São Marcos. Assim que desci, abri o mapa no celular e ia entrar na rua próxima quando o policial disse que estava fechada e não teria como ver a igreja. Fiquei um pouco desorientada, continuei andando para ver as construções e quando vi numa rua que tinha algum movimento vejo a igreja de longe. St. Mark Church é o símbolo da capital do país, localizada na Praça de São Marcos no bairro de Gradec, na cidade alta. Foi construída originalmente no século 13, mas passou por reformas ao longo dos séculos, com restauração gótica e neogótica. O elemento que chama atenção é o telhado todo decorado com azulejos instalados em 1880, com o brasão do Reino da Croácia, Dalmácia e Eslavônia e o brasão da cidade de Zagreb. Acredito que ainda esteja em restauração, pois tinham grades no entorno, impossibilitando uma aproximação.
Em um dos prédios que passei tinha uma homenagem ao ilustre croata Nikola Tesla.
Finalmente cheguei num museu que sempre quis conhecer – e não é de arte! Museum of Broken Relationships https://brokenships.com/, que chamo de Museu dos Corações Partidos. O primeiro espaço nasceu em 2010 criado por artistas croatas. O ingresso custou 7 euros. As pessoas enviam suas histórias sobre o término de algum relacionamento com algum objeto e são expostos no museu. Enquanto estive lá a trilha sonora era The Smiths. Já teve uma filial em Los Angeles, atualmente tem uma em Chiang Mai. Acredito que inspirou o filme Broken Hearts Gallery (2020). Comprei uma ecobag na loja para minha sobrinha e uma borracha para mim (13,90 euros).
Uma curiosidade é que a cidade de Zagreb é dividida em Cidade Alta (Gornji Grad), que é medieval e histórica, e Cidade Baixa (Donji Grad), que elegante do período austro-húngaro.
Ainda na Cidade Alta caminhei até um mirante, que permite ter uma visão da parte baixa, principalmente da Catedral de Zagreb, em estilo neogótico com as torres mais altas da Croácia. Em seguida, fui para Kramenita Vrata (Stone Gate), que é um portão de pedra medieval que abriga uma capela com a imagem da Virgem Maria. A partir daquele ponto cheguei na Cidade Baixa.
A colorida rua Tkalciceva é muito interessante, pois tem inúmeros restaurantes e bares com valores muito mais atrativos que as regiões banhadas pelo mar na Croácia. Era domingo, então tinha bastante movimento, mas ainda cedo para almoço.
Estive ainda no Mercado Dolac, que vende frutas, legumes, flores, artesanatos. Para comparação, o morango custava 2,50 em Split, 4 em Dubrovnik e 1,5 em Zagreb. Comprei um suvenir pra minha mãe e minha irmã (não tinha espaço na mala para comprar nada). Entrei no restaurante “Bistro Dolac” e pedi lula com batatas fritas e uma Coca-cola (14 euros).
Andei pela Praça Ban Jelačić, que é a principal da cidade, o nome é em homenagem ao líder militar e tem uma estátua equestre no centro. Parei diante da Catedral de Zagreb, que é o principal templo católico da Croácia. A primeira foi construída no século 11, foi destruída após invasão e reconstruída, sofreu incêndio e foi renovada no estilo neogótico. Em 2020 teve um terremoto que danificou as duas torres, que ainda não foram restauradas. Tem ainda o monumento Fonte da Virgem Maria e os Quatro Anjos (1873), os anjos representam fé, esperança, inocência e humildade.
Chamei o uber até a hospedagem, peguei minha mala e mochila e segui para a rodoviária. No início da viagem passei pela rodoviária, mas do lado oposto e o interior não tinha um restaurante ou cafeteria interessante, mas na frente da rodoviária tem duas cafeterias ótimas, além de um mercado!!!
Li que a rodoviária tinha um lounge da Flixbus, que foi ótimo para sentar e carregar o celular. Fiquei atenta na tela para aguardar a saída do meu ônibus que sairia às 14:05 e chegaria em Trieste às 18:10. Tem que ficar atenta porque algumas vezes o ônibus não para no portão indicado no ticket, e ainda, esse ônibus iria para Veneza, logo, a placa na frente tinha tal indicação. Fez uma parada para pegar passageiros em Rijeka, que é a cidade mais próxima da Itália. Entrou uma família numerosa, com comida nas mãos e fizeram confusão porque tinha gente no lugar deles. Inclusive tem trem de Triste para Rijeka, que é uma cidade litorânea, passando pela Eslovênia https://potniski.sz.si/en/.
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| Rodoviária de Zagreb |
O ônibus passa pela fronteira da Eslovênia e da Itália, logo, o ônibus parou duas vezes, além da parada para irmos ao banheiro. Em ambas foram pedindo para mostrar o passaporte e europeus os policiais não pegavam, mas no fundo do ônibus tinham dois rapazes paquistaneses e tiveram que descer nas duas vezes, e um ficou com na última verificação. O meu passaporte eles olharam e me devolveram, mas em uma das paradas, na Eslovênia (e eu tinha estado lá sem qualquer imigração), ficou vários minutos olhando. Não falei nada, mas se ele mandasse descer, perderia o ônibus e perderia meu voo de volta pro Brasil, e, para uma imigração que não quer estrangeiros lá, não seria algo inteligente a ser feito.
Fiquei atenta para descer no ponto certo em Triste porque não era a parada final. Tinha lido umas avaliações negativas da região, mas desci e não vi nada demais. Cheguei com atraso, mas ainda estava claro. Abri o celular para ver o sentido que deveria seguir (já tinha feito o caminho no Google Maps antes da viagem). As ruas estavam vazias. A dona do apartamento não tinha me passado qualquer informação de como entrar. Apertei o número do apartamento e abriu a porta, me informou o andar que deveria descer.
Fiquei no B&B I FILOKSENIA, que é uma hospedagem com quarto privado, mas o banheiro compartilhado (acho que são três quartos na casa) e a dona mora lá, o valor foi R$329,46. Na pesquisa achei a região com hospedagem cara. A dona é uma grega, que me recebeu na sala, pediu o pagamento da taxa de turismo (2 euros por dia), mostrou a cozinha, o banheiro e me levou até o quarto, abriu a porta para a varandinha.
No fim da viagem já estava esgotada, mas se parasse para tomar banho não conseguiria pegar o restaurante aberto (fechava às 23h). Perguntei se a cidade era segura, me respondeu que era e que caminha até de madrugada quando sente vontade.
Estava perto do Grande Canal, então passei por lá, vi a estátua do James Joyce sobre a Ponte Rosso, escritor que viveu em Trieste. O canal, construído entre 1754-1756, é navegável e tinha vários barcos. Foi feito para que o sal chegasse no centro da cidade e fosse facilmente descarregado. Andei até o calçadão, caminhei pelo Píer (Molo Audace/Molo San Carlo) de 246 metros que avança sobre o mar, construído entre 1743-1751. Tirei foto da escultura Le Ragazze di Trieste.
Decidi conhecer a famosa L'Antica Pizzeria da Michele, que ficou imortalizada no filme “Comer, rezar, amar” (mostram a matriz em Nápoles). O atendimento foi ótimo, sentei pedi uma pizza margherita (8 euros) e uma Cola-cola (muito mais barato que na Croácia). A pizza é enorme, do tamanho da mesa: boa, mas borrachuda.
No retorno, decidi tirar a pele da bolha que estourou no meu mindinho do pé e estava com cheiro podre. Peguei minhas coisas e fui para o banheiro, que precisa de reforma, pois é muito antigo, só tinha banheira - odeio ficar em pé me equilibrando para tomar banho. Tinha shampoo e sabonete líquido. Na primeira vez que tentei estava ocupado (é a parte sofrida de compartilhar banheiro), mas tinha um lavabo também.
📍DIA 13 - TRIESTE, ITÁLIA
Meu voo sairia às 19:15 e meu check-out era às 10h. Previamente tinha perguntado se poderia ficar com a bagagem. Me deu a chave do apartamento, pois teria que sair para ver a irmã no hospital, e disse que eu poderia entrar, pegar a mala a hora que quisesse e deixasse a chave na mesa.
Tomei banho, encontrei a Silvana na cozinha e perguntou se eu queria café e fez na cafeteira italiana. No dia anterior me mostrou que tinha uma Lavazza profissional enorme na sala, mas estava sem manutenção. Me serviu biscoitos. Conversamos um pouco. Me disse que deveria visitar o Castello di Miramare, mas como precisava pegar ônibus, não entrou na minha programação, no entanto, não tratei o dia de volta como perdido!
Estava com as últimas gotas de energia, pé machucado, joelho podre, me restava ficar pela vizinhança. Vi que o Castello di San Giusto (fortaleza medieval) estaria fechado na segunda-feira. Passei pelo Grande Canal novamente e a paisagem fica muito mais bonita num dia ensolarado. É muito interessante passear por uma cidade italiana que não é turística, pois o fluxo é normal do dia a dia das pessoas que vivem por lá.
Enquanto explorava a cidade vi o Museo di Arte Orientale e tinha entrada gratuita. O museu é lindo e vale ser visitado. Tinha gravura dos mestres japoneses, mas também vasos chineses, roupas, móveis, armas, esculturas.
Fui até o Museu Bora (do vento) que tem entrada gratuita https://www.museobora.org/, mas chegando lá vi que tinha que agendar a visita.
Passei muito tempo no Museo Revoltella di Trieste (ingresso 8 euros) fundado em 1872 pelo Barão Pasquale Revoltella https://museorevoltella.it/english/. É um museu de arte moderna que até o século 19 contava com obras de artistas italianos, após a Bienal de Veneza obras foram adquiridas. O acervo inclui Casorati, Sironi, Carrà, Mascherini, Bolaffio, Morandi, De Chirico, Manzù, Marini, Fontana e Burri. Além das salas de exposições, dois andares estão com os móveis e decoração da casa do barão.
Ainda com tempo, passei no ernome Eataly, mas não tinha espaço na mala para trazer nada. Conheci anteriormente o de NYC e de Munique.
Tendo em vista que estava com fome, parei no restaurante que fica na frente do museu: Assaje. Pedi um menu de 14 euros que tinha 2 pratos, pão, café, água, tiramisu e pão. Não gosto muito de risotto, o segundo prato era peixe frito e salada - quase me arrependi de não ter escolhido o menu com pizza (12 euros). A comida estava boa (fiquei muito cheia) e o preço era muito bom, embora tenha visto prato de até 7 euros.
Voltei para o apartamento, peguei minha mala e mochila e segui para a Estação Central de Trieste. Comprei o bilhete na hora por 5 euros. Confirmei (duas vezes) se precisaria validar, mas quando comprado no guichê não precisa. Muitas pessoas compram na máquina, então tem que procurar o validador, pois tem conferência esporádica e se não tiver validado (com a data da viagem) a multa é alta. Teve conferênia após uns dez minutos de viagem. O trem é bem confortável e faz um caminho com vista para o mar e chega no aeroporto em 28 minutos, numa região com vinícola. Basta descer e atravessar a passarela coberta que está dentro do aeroporto. A cidade é pequena e muito bem conectada.
Meu retorno foi complicado porque já não conseguia colocar o pé no chão e estava com dor generalizada. A conexão em Roma foi muito curta, mas consegui comprar perfumes para presentear (mãe, sobrinha e irmã) e comprar um limoncello. Quando cheguei em casa meu pé direito estava muito inchado. Fui no ortopedista dois dias depois e não parecia ser nada grave. Uma vez aconteceu o mesmo quando fui para Londres (ficou inchado por dias) e no retorno fui no hospital para verificar se era trombose e o resultado foi neagativo.
Os Balcãs estavam nos meus planos desde antes da pandemia. Adiei a viagem por alguns anos, principalmente porque no verão os valores eram estratosféricos. Apesar de ler poucos relatos de pessoas que viajaram apenas de transporte púbico, verifiquei que é possível. Fiquei surpresa com a segurança e a beleza dos lugares. Espero voltar para conhecer Albânia, Macedônia do Norte, Kosovo...
Resumo dos custos:
Os valores abaixo correspondem aos pagamentos feitos antes da viagem, mas tive outros gastos com uber, ônibus, alimentação, lembranças, ingressos, seguro viagem.
HOSPEDAGEM
| CIDADE | NOME DO LOCAL | DIÁRIA (R$) | TOTAL (R$) |
|---|---|---|---|
| 🇸🇮 Ljubljana | ibis Styles Ljubljana The Fuzzy Log | 230,18 | 460,36 |
| 🇭🇷 Zadar | Zee Apartment | 341,00 | 682,00 |
| 🇭🇷 Split | Maja rooms | 329,00 | 329,00 |
| 🇧🇦 Mostar | Pension Most | 120,41 | 240,81 |
| 🇭🇷 Dubrovnik | Studio A | 447,33 | 1.342,00 |
| 🇭🇷 Zagreb | Villa Zrina | 387,00 | 387,00 |
| 🇮🇹 Trieste | B&B I FILOKSENIA | 329,46 | 329,46 |
| TOTAL GERAL EM HOSPEDAGEM | R$ 3.770,63 | ||
| ROTA | TRANSPORTE | EMPRESA | VALOR (R$) |
|---|---|---|---|
| Aeroporto Trieste ➡️ Liubliana | Van | GoOpti | 112,37 |
| Liubliana ➡️ Bled (Ida) | Ônibus | Liubliana Bus Station | 39,00 |
| Liubliana ➡️ Zadar | Ônibus | Flixbus | 183,97 |
| Zadar ➡️ Split | Ônibus | Flixbus (Antonio Tours) | 127,17 |
| Split ➡️ Mostar | Ônibus | Centrotrans | 125,59 |
| Mostar ➡️ Dubrovnik | Ônibus | Centrotrans | 152,03 |
| Dubrovnik ➡️ Zagreb | Voo | Croatia Airlines | 382,52 |
| Zagreb ➡️ Trieste | Ônibus | Flixbus | 127,98 |
| Aeroporto Zagreb ➡️ Centro | Ônibus | Pleso Prijevoz’s | 52,88 |
| Trieste ➡️ Aeroporto Trieste | Trem | Trenitalia | 33,05 |
| TOTAL EM TRANSPORTE | R$ 1.336,56 | ||
PASSEIOS
| ESTAVA EM | DATA | DESCRIÇÃO DO PASSEIO | VALOR (R$) |
|---|---|---|---|
| 🇭🇷 Zadar | 17/05/2025 | Lagos Plitvice (Via Viator/Zadar In and Out) | 304,84 |
| 🇧🇦 Mostar | 20/05/2025 | Blagaj, Kravice Falls, etc. (Via Viator/Future Travel Mostar) | 225,20 |
| 🇭🇷 Dubrovnik | 23/05/2025 | Kotor, Perast (Via Viator/Select Dubrovnik d.o.o) | 293,23 |
| TOTAL EM PASSEIOS | R$ 823,27 | ||
💰 Resumo do Investimento: Balcãs 2025
*Valores totais para uma pessoa. Não inclui gastos variáveis como alimentação, seguro viagem e lembranças.
























































































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