Veneza, a pérola do Adriático

A partir das simulações realizadas, observei que um voo direto para Istambul ficaria consideravelmente mais caro que para Veneza, saindo do Rio. Decidi unir o econômico ao agradável, pois só conhecia, na Itália, Roma e Florença. O roteiro de 15 dias na Europa incluía Veneza, Burano, Murano, Torcello, Istambul, Santorini, Mykonos, Delos e Atenas. Além do voo de ida e volta, tive que pensar na logística do transporte entre as cidades/países. Mostrei os países que pretendia visitar a um amigo (Victor), que prontamente decidiu viajar comigo.



Veneza e seus canais são considerados patrimônio mundial da humanidade pela Unesco. Situada ao Norte da Itália, na região de Veneto, foi fundada no século 5 e está distribuída em 118 ilhas. Foi uma grande potência marítima no século 10. Andar pela cidade é viajar nas obras de grandes artistas italianos como Giorgione, Ticiano, Tintoretto, Veronese.

A primeira surpresa que tive foi na escolha de hotéis. O custo da cidade é consideravelmente alto! Foram dias de pesquisa para encontrar um hotel bom, bonito e relativamente barato. Para quem pretende passar mais dias na cidade, pode optar por Mestre (onde fica o aeroporto Marco Polo), mas para ficar na ilha, em Veneza, é necessário desembolsar um valor considerável.


Optei pelo Hotel Alla Fava (http://www.hotelallafava.com/), que fica ao lado da Igreja Santa Maria della Fava. Fiquei bem impressionada, pois era relativamente perto de um ponto do vaporetto (barco do aeroporto), embora tenha que subir 2 pontes com degraus, num lugar bem silencioso (parece raro na cidade). O interior era muito limpo, bem decorado. A internet funcionava bem e o café da manhã era maravilhoso, com pães frescos, laranja para fazer suco, frutas, máquina de cappuccino. Foi o melhor café da manhã da viagem. Tinha a opção de quarto mais barato com banheiro compartilhado, mas prefiro pagar para ter um privado. E ainda, existe a dificuldade de encontrar quarto com duas camas de solteiro.

É importante ressaltar que cada hóspede tem que pagar 2 euros, a título de taxa de turismo, por cada dia de hospedagem. Deve ser pago em espécie, na hora do checkout, pois não está incluído no valor da diária.

Você sabe que chegou na Europa quando o hotel não tem elevador e ninguém se oferece para te ajudar. Pelo menos o quarto ficava no 1º andar...

 
A funcionária ainda estava arrumando quando cheguei (risos).

Voei Rio-Veneza com a Lufthansa, com conexão em Frankfurt. Apesar da greve que iniciou dois dias antes do embarque, o meu voo não foi afetado. A empresa foi pontual. Os comissários eram bem atenciosos, mas achei o serviço aquém do oferecido pela Klm ou Air France, por exemplo. Para parcelar a compra é necessário ligar pra companhia aérea. No atendimento, no aeroporto, a funcionária não sabia se poderia pontuar na Tam. Não tinha qualquer amenidade para a classe econômica (na Air France recebi), bem como não existem lanches disponíveis na aeronave - fora dos horários das refeições. A empresa não oferece stopover gratuito, que sempre me interessa. Só permite marcar o assento 23 horas antes do horário do voo (parece que é "moda" na aviação comercial agora).

A conexão em Frankfurt foi tranquila, me perguntaram apenas se estava de férias e quantos dias ficaria. O voo seguinte partiu no horário.
 
Tendo em vista a localização do hotel, a melhor opção para sair do aeroporto era o vaporetto da Alilaguna: http://www.alilaguna.it/en/tickets1/fares. Existe a opção de comprar o ingresso no site ou no guichê, e ainda, a opção de ida ou de ida e volta. Os valores variam. Na frente da esteira de bagagem tinha um guichê da empresa que vendia os tíquetes, mas também podem ser comprados no porto. Paguei 27 euros no bilhete de ida e volta.
Linha laranja e suas paradas
 

Bastou seguir as placas que indicavam onde pegar a embarcação. Precisará sair do aeroporto - são uns 10 minutos caminhando, mas é sinalizado, tem cobertura, basta atenção com o trânsito. Existem algumas linhas (identificadas por cores). No meu caso, tinha que pegar a linha laranja (arancio). Chegando lá, aguardei por uns 20 minutos a saída do transporte. Observei que a maioria dos passageiros estavam com mala pequena, já que Veneza possui muitas escadas com degraus, que dificulta o transporte das malas maiores. O vaporetto é muito lento e leva mais de 1 hora para chegar ao destino (uma lancha deve fazer o percurso em uns 5 minutos, mas os motores mais potentes criam ondas maiores que ameaçam a estrutura dos edifícios). 
Desci no ponto “Rialto” (Rialto é a ponte mais famosa da cidade). Por sorte, o ponto ficava exatamente do lado que estava o hotel, logo, não precisei atravessar a grande ponte. Bastou uma curta caminhada e já estava no hotel. Veneza é um pouco labiríntica, mas o site do hotel falava para localizar a Disney Store e seguir. Costumo fazer o caminho no google street view antes de viajar, pois já chego sabendo identificar os prédios.
 
A ponte Rialto atrás, com publicidade.
A porta do hotel fica no cantinho, onde passam duas pessoas.

Após deixar as malas no quarto, precisava urgentemente comer. Tinha visto que a melhor pasta (macarrão) era o Dal Moro's - Fresh Pasta To Go e ficava a poucos passos do hotel. Os atendentes se esforçam e falam português! Apenas duas opções de massas, mas 8 opções de molhos (bolognese, pomodoro, marinara, frutti di mare, Alfredo, cacio e pepe, aglio oglio e boscaiola). Além de ter a opção de adicionar temperos. A atendente brincou e disse “parece o Spoleto”. Com certeza é muito melhor que a rede de fast-food brasileira. Para mim foi uma surpresa, pois, numa viagem anterior a Itália, tive péssimas experiências gastronômicas. Escolhi, na primeira vez, o espaguete com molho marinara. Incrível! Indico de olhos fechados. Os preços variam de 5 a 7 euros. Não tem lugar para sentar...




Depois caminhei pela Piazza San Marco, para conhecer o incomparável conjunto arquitetônico. Passei novamente por Rialto para apreciar o Canal Grande e lembrei que Marco Polo se lançou no mundo através daqueles canais, unindo o Ocidente ao Oriente. Após o deleite inicial, me recolhi, pois já tinha agendado um tour às 9, no dia seguinte, para Murano, Burano e Torcello, que contarei num post apartado.
 

Só consegui ver a Piazza San Marco vazia bem cedo, no caminho para o porto de onde sairia o passeio da Ali Laguna, pois a cidade é realmente muito turística. No retorno do passeio, depois de passar no hotel, segui para a Basílica de São Marcos. A igreja foi fundada em 828, quando relíquias do padroeiro foram trazidas de Alexandria. Foi construída no estilo bizantino, tanto na arquitetura quanto na decoração. A entrada é gratuita, mas a fila pode ser longa. Existe uma opção de “furar a fila”, vendida no site da basílica por 2 euros.






Não sabia exatamente o horário da visita e optei por aguardar na fila, que não demorou mais de 10 minutos. Infelizmente só pode visitar uma pequena parcela da igreja gratuitamente, pois cobram ingresso no interior para ver alguns módulos. Também é proibido fotografar o interior do templo. Passei na loja e comprei terço para minha mãe e minha sobrinha, além de algumas medalhinhas.


Depois segui para o Campanário de São Marcos, que tinha uma longa fila, sem opção de venda antecipada. Custou 8 euros. É o melhor ponto para ter uma vista panorâmica de Veneza. Por sorte, existe um elevador no interior da construção.




 




 
Em seguida, numa caminhada de mais de 1 km, fui conhecer o famoso cicchetti (pequenos aperitivos sobre o pão) e o spritz (bebida típica com aperol e prosecco) na Osteria Al Squero. O sabor dos petiscos era incrível, mas o drink me pareceu amargo. Cada cicchetti custava 1,20 e a bebida 2,5 euros. Embora tenha turistas, em razão da boa avaliação no Tripadvisor, encontrei muitos locais aproveitando para comer na mureta em frente à Osteria, que tem poucos lugares para sentar no interior. O preço é ótimo!



Depois foi a vez de procurar o tiramisù mais elogiado da cidade (a sobremesa teria sido criada na região de Veneto, onde fica Veneza), no I Ter Mercanti, mercado gourmet, que faz vários tipos de tiramisus, com combinações bem inusitadas (banana e caramelo, laranja vermelha e chocolate, morango), mas optei pelo tradicional, que custou 3,50 euros.

Os doces são feitos na entrada da loja, permitindo ao transeunte assistir sua confecção

Depois atravessei Rialto (que está totalmente em obra, cheia de tapumes) e procurei um restaurante aleatoriamente para comer uma pizza e fiquei desapontada (restaurante Ai Coghi). Primeiro em razão do atendimento, perguntei o tamanho da pizza e o garçom mostrou, com as mãos, um tamanho brotinho, então pedimos duas, mas, quando chegou, a pizza era enorme! Segundo, o sabor era ruim. Massa dura que não partia com a faca, além da cobertura parecer a mesma para qualquer sabor. Não é fácil encontrar boa comida na Itália, por mais incrível que possa parecer! E amo comida italiana.


Sabores da Itália

No terceiro dia, organizei a mala, fiz o checkout, após o café da manhã, e deixei a mala no hotel, pois o voo para Istambul só sairia às 19h do aeroporto Marco Polo. Decidi que seria um dia de museu e o escolhido foi a Coleção Peggy Guggenheim http://www.guggenheim-venice.it/ - é um dos vários museus da Fundação Solomon R. Guggenheim. O prédio localizado num canal de Veneza tem a coleção particular de Peggy, que foi esposa do surrealista Max Ernst e sobrinha do Solomon. A entrada custou 15 euros.  Embora pequena, a coleção é muito interessante, além de conter no prédio uma mostra temporária de artistas italianos com obras de 1960-1969.



Alexander Calder
Jenny Holzer

Exposição "Imagine": New Imagery in Italian Art

Acho as gôndolas lindas, indubitavelmente símbolos de Veneza, mas realmente não tinha vontade de andar nelas. Contentei-me em apreciá-las e fotografá-las. O preço era fixo nas paradas: 80 euros. Nos sites, existe a possibilidade de passeios compartilhados por até 6 pessoas, por 25 euros cada (http://www.venicelink.com/products/tour).


Queria comprar máscaras do carnaval veneziano para minha mãe e minha sobrinha. Descobri que a maioria delas, hoje em dia, são made in China. Logo, a compra tem que ser atenta para identificar uma “made in Italy”. Os preços são mais caros, aparentemente possuem um acabamento melhor. Possuem selo e carimbo, que também não garantem muita coisa. Queria uma grande, mas pensei que não chegaria inteira, pois levei uma mala já cheia.

Não parecem originais...
As máscaras compradas
No retorno, para pegar a mala, passei na Disney Store e comprei uma camisa da Minnie em Veneza para minha sobrinha (raramente compro algo para mim nas viagens que faço).
 

Depois comi, mais uma vez, a pasta do Del Moro´s, dessa vez a melhor que já comi, de frutti di mare. Acompanhada por um vinho foi delicioso. Comi na escadaria da igreja na frente do hotel! Hahaha



Peguei a mala por volta das 16 horas. Li que algumas vezes o barco já vem cheio e não para no ponto. Ou ainda que o vaporetto enguiça no meio dos canais, que pode levar a perder o voo. Embora tivesse chegado antes dos demais passageiros, na hora que o barco chegou foi uma confusão e muitas pessoas passam na sua frente sem a menor cerimônia! Por sorte, tinha lugar para todos.

A passagem para Istambul foi comprada com milhas no Smiles e o voo seria pela Alitalia. No dia anterior, na hora do check-in, identifiquei que o segundo trecho (Roma – Istambul) foi modificado em duas horas. Tive que avisar ao transfer por e-mail e torcer para que lesse. Apesar da mudança no horário, achei que 12.500 pontos é um valor interessante para voar dentro da Europa e boa opção para quem quer gastar as milhas Smiles (só paguei R$159 de taxas).
Cores e sabores.

Veneza é uma cidade fotogênica e todos os seus ângulos são interessantes e belos, porém, é pequena, logo, para ver o básico, acredito que 2 dias sejam suficientes. Com mais tempo talvez seja interessante adicionar uma visita ao Palácio Ducal e aos demais museus da cidade.
O Museu da Música comemora Vivaldi, nascido em Veneza



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