Madri

Tive 4 dias em Madri, no retorno de Marraquexe. Cheguei no aeroporto Barajas e novamente passei pela imigração, se da outra vez nem olharam para mim, agora perguntaram o que faria em Madri. Após recolher minha mala, peguei um mapa da cidade no centro de informações turísticas. Pela primeira vez fui para o Velho Continente sem guia em papel, tinha alguns no celular.

Ao contrário de muitas cidades, Madri tem uma estação de metrô dentro do aeroporto, mas optei pelo ônibus "Exprés Aeropuerto", custa 5 euros e funciona 24 horas, tem o ponto final na Estação Atocha, que ficava a dois minutos do hostal que me hospedaria. Precisei apenas localizar o Museo Reina Sofia.

A bonita Estação Atocha

O hostel tinha uma localização excelente, elevador, mas o wi-fi nem sempre funcionava e caía várias vezes, no entanto, o quarto e o banheiro estavam limpos e o preço foi ótimo. O quarto alojava até 3 pessoas e a recepcionista ficou assustada por ter apenas uma. Se por um lado você paga mais viajando sozinha, por outro, somos reis e rainhas das nossas próprias escolhas, sem precisar disputar banheiro, ouvir ronco ou ter que levantar antes do seu próprio tempo.

Já era 19 horas do domingo e fiquei sem saber o que fazer exatamente. O museu já tinha fechado, mas os bares ainda estavam abertos. Caminhei pela vizinhança, comi e revisei o roteiro. No hostal, me informaram que as lojas no centro ainda estariam abertas, mas não tive a menor vontade de visitar a H&M (é incrível como sempre tem um mar de brasileiros nas lojas dessa rede).

Tirei uma dúvida na loja DCH D'Churros, pois o churros é um acepipe super conhecido no Brasil, mas o que seria "porra"? Questionei e descobri que porra é um churros maior.

No dia seguinte, levantei cedo, mas não muito. Fui tomar café da manhã no McDonald´s que ficava próximo - me julguem. Caminhei pelo o Paseo del Prado e em 5 minutos cheguei no museu mais distante de onde estava hospedada (na mesma rua ficam 3 grandes museus): Thyssen-Bornemisza.http://www.museothyssen.org/en/thyssen/home



Madri tem o "Abono Paseo del Arte", ou seja, um ingresso que contempla os três grandes museus: Museo Nacional del Prado, Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía e Museo Thyssen-Bornemisza por 25,60 euros. 

Ao achegar ao Thyssen, me informaram que o ingresso não daria direito a visitar a exposição temporária, apenas a permanente. Como naquele dia, segunda-feira, a partir do meio-dia o museu era gratuito, paguei apenas a exposição temporária "Cézanne Site/Non-Site", por 11 euros. Nunca tinha visto tantos trabalhos do Cézanne reunidos e é possível fazer um panorama interessante sobre os temas centrais das suas obras: paisagens, nus e natureza morta.


Esperei, dentro do museu, o início da visita ao acervo permanente. Caminhei pelos três andares para apreciar a imensa coleção: Van Eyck, Carpaccio, Lucas Cranach, Durero, Caravaggio, Rubens, Frans Hals, Van Gogh, Gauguin, Kirchner, Mondrian, Klee, Hopper, Rauschenberg. O museu comemora seu aniversário de 20 anos.

O verdadeiro gênio do Surrealismo: Max Ernst
 


Atravessei o belo Paseo del Prado e estava no maior museu da Espanha e um dos maiores do mundo: Museo Nacional del Prado. O ingresso custa 14 euros. Comprei o ingresso com "O guia do Prado" por 23 euros. O guia sozinho custa 18 na loja do museu. É interessante observar que a maioria dos museus permitem a entrada gratuita. No Prado, todos os dias a partir das 18 horas, com exceção de domingos e feriados, a partir das 17 horas.

O Museu do Prado tem uma extensa coleção dos mestres espanhóis: Rubens, Velásquez, Goya, Murillo, Ribera, mas também obras de valor inestimável para a história da arte de artistas de outras nacionalidades, como Van Dyck, Veronese, Tiziano e Rafael.


Antinoo, sempre lindo

O quadro mais festejado é o enigmático "As meninas", de Velásquez, mas a minha maior emoção foi ver com os meus próprios olhos o maravilhoso "O jardim das delícias", de Hieronymus Bosch.

As meninas
O jardim das delícias
Parei para almoçar no restaurante de um hotel próximo, Hotel Mora, e constatei que a cidade é barata. Tinha a opção de dois pratos, bebida e sobremesa por 10 euros, como quis apenas um, paguei 5 euros e a bebida era uma garrafa de vinho (média), não apenas um copo raso. Escolhi flan de sobremesa. Vi que as tapas acompanhadas por vinho custavam 2 euros.
Pollo en la plancha y patatas



Segui para o hostal para fazer uma pequena sesta e decidi voltar ao Reina Sofía no período gratuito, a partir das 19 horas. Caminhei para o Caixa Forum, com ingresso a 4 euros e fila gigantesca. Duas exposições em foco: Genesis, do Sebastião Salgado, e Pixar, 25 anos.






O Museo Reina Sofía tem fila todos os dias para o horário gratuito, mas é muito rápido. Por fora não tinha ideia do tamanho da construção e da coleção ali encontrada. São 4 andares! Como não poderia ser diferente, a obra "Guernica", do Picasso, encontrada no segundo andar, fica com dezenas de pessoas na frente. O museu tem obras do Dalí que jamais havia apreciado, inclusive tinha duas reproduções no quarto do hostal. É impossível ver tudo em duas horas (fecha às 21 horas).







No dia seguinte fiz um bate-volta até Toledo. Na volta, experimentei tapas num bar próximo, Pecaditos. Cada tapa custava 1,20 euros. Tapas são petiscos diversos. Podem ser frios servidos dentro do pão, patatas bravas, chorizo, atum, cebolas fritas, queijos, espetinhos de camarão, croquetes de diversos sabores, etc. Não tive o prazer de comer os pintxos, tapas com palitinhos (parece ser tradição no norte da Espanha).

Jamón ibérico, bravas dos salsas y brochetta.
 
Chorizo
No outro dia fiz um bate-volta para Aranjuez. Na volta, experimentei tapas em outro bar próximo: Copas rotas. Um achado! Pena que só entrei no último dia. Qualquer tapa por 1 euro. Qualquer copo de vinho ou cava (espumante espanhol) por 1 euro. E qualquer drink por 4 euros. Tinha caipirinha. Comi algumas tapas e fui aproveitar o sol e o tempo lindíssimo para conhecer o Parque del Buen Retiro. Durante todos os dias a temperatura estava na casa dos 30 graus ou mais (mesmo na primavera), embora fizesse um friozinho pela manhã.
vino blanco, patatas bravas, Jamón gran reserva, jamón com tomate y Aros de cebolla.
O Parque del Buen Retiro é simplesmente lindíssimo, e, para mim, o melhor parque público que visitei, comparando com o Central Park, Tuileries ou Tiergarten. Ficava a 5 minutos de onde estava hospedada. O parque fica aberto até meia-noite. Foi criado entre 1630 e 1640. Não caminhei por toda a extensão do pulmão madrilenho, que é imenso. Visitei o belíssimo Palácio de Cristal, que tinha uma instalação em seu interior, "Splendide Hotel", de Dominique Gonzalez-Foerster. Consistia em várias cadeiras de balanço com livros atrelados. Sentei e fiquei ali por quase uma hora. Na proximidade, encontramos um espaço de exposições gratuito, Palacio de Velásquez, com a mostra "Idea: Pintura Fuerza".


O Palácio de Cristal
 



Palacio de Velásquez
 


Retornei e aproveite o horário de gratuidade do Museu Reina Sofía. Após descanso, voltei ao Copas Rotas para comer 9 tapas! Com muito vinho. Pude verificar a rivalidade entre o Real Madrid e o Barcelona, jogo que passava no bar.
 
Chillida no Pátio do Reina Sofía

Alexander Calder no Pátio do Reina Sofía

Essas últimas são Jamón, anchova com pimentão e patata ali oli.


Um amigo perguntou o que tinha conhecido em Madri, se estive no Palácio Real, na Plaza de Toros, na Puerta de Alcalá ou na Puerta del Sol. Não conheci nenhum dos lugares questionados, mas não desprezei Madri, vivi Madri. Me senti tão bem no local que estava, com apenas cinco minutos chegava em todas as atrações. Em dois minutos estava na Estação Atocha, para fazer dois bate-voltas. Embora menos turística que Barcelona, posso dizer que adorei Madri e tenho certeza que voltarei.
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