Cidade do México ou Cidade da Frida Kahlo


"À medida que viajamos em busca da beleza, obras de arte podem [...] influenciar os lugares aos quais gostaríamos de viajar." 
Alain de Botton
Casa Azul ou Museo Frida Kahlo

A primeira dica sobre a Cidade do México é: não acredite em tudo o que você lê - embora os relatos turísticos sejam escassos. DF é uma metrópole com todos os problemas (inclusive os relacionados à violência urbana) e maravilhas que isso pode acarretar.

O ser humano é movido essencialmente por motivação. Sempre quis visitar a "Casa azul", hoje, "Museo Frida Kahlo", sim, era o meu único objetivo. Tudo o que conheci além da casa da Frida foi uma surpresa.

O roteiro ficou dividido da seguinte maneira:

Dia 1 (11/09/2012) - Cheguei tarde, jantei e caminhei pelo bairro;
Dia 2 (12/09/2012) - Tour a Teotihuacan, Basílica de Guadalupe, zona arqueológica de Tlatelolco, loja de artesanato, restaurante com comida típica e dança folclórica;
Dia 3 (13/09/2012) - Xochimilco, Museo Dolores Olmedo e Museo Frida Kahlo;
Dia 4 (14/09/2012) - Bosque de Chapultepec, Castillo de Chapultepec, Museo Arqueologico, Museo Soumaya e Museo Frida Kahlo;
Dia 5 (15/09/2012) - Acordei cedo e fui ao supermercado, depois almocei e fiz o checkout.



Comprei a passagem pelo site da decolar (o valor estava quase o mesmo do site das companhias aéreas), que permite múltiplos destinos - na volta ficaria em Bogotá. O voo de ida foi realizado pela Taca e o de volta pela Avianca. Embora a aeronave da Taca não tivesse entretenimento individual, a simpatia dos comissários compensava qualquer coisa. Teve uma conexão de 1 hora em Lima e foi tudo muito rápido, sem precisar passar por controle de imigração.

A pesquisa do hotel, como de costume, é realizada no tripadvisor.com, para saber a opinião dos outros viajantes. Optei por um hotel 3 estrelas (Hotel del Principado) e o qualifico como muito bom, mesmo custando a bagatela de R$60,00 (a diária). Um hotel 5 estrelas, como o Hilton, custava apenas R$250,00. 

Para solo traveler, como eu, recomendo alguns cuidados para cidades grandes (qualquer cidade, na verdade): leve 2 cartões de crédito, 2 visa travel money e deixe sempre um no hotel. Divida o dinheiro. Use porta-dólar. Coloque a bolsa/mochila pra frente. Faça cópia dos documentos e deixe arquivado no e-mail e no celular. Ponha uma cópia impressa na sua mala, em caso de extravio.

Se você tem visto norte-americano, não precisa ter outra preocupação (só levá-lo, mesmo que esteja em outro passaporte), caso você não tenha, será necessário preencher o visto eletrônico: http://www.inm.gob.mx/index.php/page/Inicio_Autorizacion_Electronica/pt-br.html 
Recomendo levar dólar e fazer o câmbio no aeroporto apenas para pagar o táxi. Tem um trem que sai do aeroporto e deixa na cidade, mas, em razão do preço do táxi executivo, 90 pesos (20 reais), preferi não arriscar. Se tiver comprado a passagem com cartão platinum ou black, não esqueça que você já tem seguro. Ligue para a operadora e pegue o número para socorro em caso de emergência. Não custa nada ser prudente.

Preferi ficar no bairro conhecido como "Zona Rosa", área bem animada e gay. Outros bairros que permitem passeios tranquilos são: Polanco e Condesa. 

Cheguei tarde (18:00h) no hotel. Fiz o check in e perguntei sobre a possibilidade de agendar um tour para Teotihuacan. O preço era razoável e deixei agendado. Quando perguntei sobre Xochimilco, disse que seria muito fácil chegar ao destino sozinha.

Após um banho demorado, desci e perguntei o sentido mais seguro para caminhar na Zona Rosa. Embora cansada, não desanimei e fui comer a famosa comida mexicana num restaurante próximo: Parrila Leonesa. Lembro que degustei tacos, burritos, guacamole, limonada, quesadilla e me custou 90 pesos (20 reais). No segunda visita, ganhei uma bandeira do país, prova da cordialidade mexicana.



Olhos lacrimejantes. Motivo: pimenta!
 


Pela proximidade com os EUA, muitas lojas estão instaladas por lá: seven eleven 24 horas em cada esquina, a burgueria Wendy´s e etc. Além de ter um vasto comércio de rua: com comidas inimagináveis. E tudo é bem mais barato que no Brasil.

No segundo dia, já tinha reservado, no hotel, um passeio para o sítio arqueológico de Teotihuacan. Lembro-me de já ter estudado aquelas pirâmides algumas vezes. A cidade fica a 40 km do DF e é um passeio imperdível. As pirâmides do sol e da lua são construções dos povos pré-colombianos. 
Pirâmide da Lua

Pirâmide do Sol
No caminho para Teotihuacan, conheci a zona arqueológica de Tlatelolco, segundo a Wikipédia, as diversas escadarias que se observam foram as fachadas principais das distintas etapas construtivas do Templo Maior, construído entre os anos 1337 e 1515. O altar a Sul, dedicado a Huitzilopochtli é de dimensões superiores àquele a Norte, dedicado a Tláloc, o qual apresenta nas fachadas Norte e Oriente decorações em baixo relevo.



 

O metrô é ótimo, com diversas linhas que te deixam na maioria dos pontos turísticos. Basta pegar um mapa no hotel e garanto que você não se perderá. A passagem custa R$0,50.

O passeio mais distante é Xochimilco, que fiz sozinha. Pegue a linha azul até Tasqueña (fim da linha) e procure a passagem para o trem (terá que pagar novamente). Pegue o trem até a última estação: Xochimilco. Não tem como errar, pergunte o local da estação das trajineras (barcos) que vão te levar para um passeio nos canais. Um aviso: é um subúrbio (quem não mora em subúrbio fica assustado - risos), então, você verá casas simples, mas um povo muito educado e gentil.

Xochimilco

Embarcadero
Os mexicanos são muito acolhedores! Nunca vi um povo mais simpático. Fiz o passeio sozinha (custou 200 pesos) e foi caro para os padrões de DF. E é divertido, você encontra famílias inteiras passando o dia por lá, levam suas comidas e contratam mariachis!!! Ay, ay, ay, ay! Um fato engraçado: uma trajinera com inúmeras senhoras bem idosas parou perto de mim e me chamaram "Estás solita? Venga para acá." ahahah Fofas!!! Agradeci e segui adiante.

A região de Xochimilco tem ampla produção de flores, portanto, o barqueiro perguntou se gostaria de parar em algumas "ilhas" para apreciar a plantação. Como não tinha o intuito de comprar, desci apenas uma vez e tirei boas fotos.

No caminho percorrido pela trajinera, podemos avistar a conhecida "Isla de las muñecas". É um lugar um tanto quanto macabro. Diz a lenda que uma menina foi encontrada afogada em circunstâncias misteriosas nesta ilha e que os bonecos foram possuídos por seu espírito. Testemunhas contam que os bonecos se movem, abrem os olhos e sussurram.
 




Saindo de lá, recomendo visitar o Museo Dolores Olmedo. Além de ser uma construção lindíssima, tem uma enorme coleção de Diego Rivera e algumas obras, desconhecidas do grande público, da Frida. Pegue o trem na estação Xochimilco e desça na estação La Noria. O museu fica a uma quadra da estação.

Busto do Rivera no Museo Dolores Olmedo

Já era 16 horas e não tinha almoçado, portanto, foi o melhor sanduíche de ovo que já comi na vida, no café do Museu Dolores Olmedo.
A Basílica de Guadalupe é um dos 3 maiores centros de peregrinação religiosa do mundo (perde para Meca e Vaticano apenas).Os visitantes são realmente devotos da Virgem e procuram milagres.

Basílica de Guadalupe
A Virgem de Guadalupe

Minha ambição é conhecer a maioria de museus que puder durante a minha vida. E, na Cidade do México, tive uma grata surpresa: o Museo Soumaya, inaugurado em 2011. Tentei ir caminhando até Polanco, saindo do Bosque de Chapultepec, depois decidi pegar um táxi, mas já estava na esquina do museu. Pertence ao homem mais rico do mundo: Carlos Slim. E, ao contrário de todos os museus da cidade, não cobra ingresso! São seis andares de uma coleção de deixar qualquer um de queixo caído. Fantástico. Não conheci o antigo Soumaya, que fica na Plaza Loreto.

Museo Soumaya
Rodin
Dalí

Miró

Recomendo uma visita ao Bosque de Chapultepec. É considerado o maior bosque da América Latina. Além da paisagem verde no meio da selva de pedra, acolhe vários museus. 




  
Não conheci o Museo Rufino Tamayo e o Museo de Arte Moderno, por falta de tempo, mas, por outro lado, visitei o Castillo de Chapultepec, que é o Museu Histórico, com murais, quadros e objetos que contam a história mexicana.




Castillo de Chapultepec, mural de David Alfaros Siqueiros
Ainda no Bosque, você encontrará o museu mais completo de antropologia do mundo (sim, melhor que Met ou Le musée du quai Branly): Museo Nacional de Antropologia. São inúmeras peças de todos os povos pré-colombianos: maias, astecas, olmecas. É um museu pra se perder.

Museo Nacional de Antropologia




A pedra do sol ao fundo
O Museo Frida Kahlo mexeu tanto comigo que fiz duas visitas, embora fique um pouco distante, em Coyoacán. A estação de metrô não é próxima do museu, então recomendo que pegue um táxi (7 pesos). Na volta, optei pelo ônibus (minúsculo) até a estação de metrô. Só após a visita descobri que pode pagar para fotografar o interior da casa.





Vocês conseguem entender a emoção de circular pela casa da Frida Kahlo? Ela está em todos os cantos da casa e do jardim. Tudo parece intacto: móveis, almofadas e pincéis. Ao chegar ao seu quarto, é impossível conter as lágrimas, senti a dor que ela sentiu. É a sensação dilacerante da compaixão. Na saída, o último quadro: Viva la vida. Serve-nos uma suculenta melancia, diz que devemos viver a vida, enquanto se despedia pra nunca mais voltar. :(
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No último dia, antes de seguir para o aeroporto, na rua do hotel (calle Londres), visitei o supermercado "Sumesa". Sempre segui no sentido oposto, por ser mais movimentado, com lojas e restaurantes, e ainda, por ser a direção da estação de metrô e por recomendação do hotel, no entanto, a poucos metros tem um belo museu de cera (entrei apenas no hall, pois estava com pressa). A visita ao mercado foi ótima, comprei tequila (uma garrafa de boa marca custou aproximadamente 15 reais), pimenta, suco de romã.


O que mais me incomoda é saber que, por limitação de dinheiro e tempo, jamais conhecerei o mundo inteiro.

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