Santiago, Chile, 2008

A aterrissagem é incrível, pois sobrevoa os Andes. E a primeira constatação: não existem nuvens no céu e não chove no verão.

Como a viagem foi decidida no fim de semana e voamos na segunda-feira, apenas no ponto de táxi do aeroporto conseguimos encontrar um hotel, com quarto duplo, para dividirmos as despesas e ficar mais barato para ambos. Por incrível que pareça, o hotel era muito bem localizado, perto de todos os pontos turísticos, no “Parque Forestal”, que é um parque linear às margens do Río Mapocho, que corta toda Santiago e abriga os museus MAC e MNBA.

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No primeiro passeio de reconhecimento ruas de comércio popular como as do Saara no Rio de Janeiro, no entanto, muito mais baratas. E como tomar um refrigerante com dólar e sem loja de câmbio aberta, num lugar que não aceitava cartão (tarjeta)? Foi difícil. Mas logo que chegamos ao centro um oásis chamado McDonald´s - já dava pra me sentir em casa.

Ligar pro Brasil é super prático pelo “Brasil direto”, da Embratel, com um número bastante simples: 800360220.

É engraçado ir para um país sem saber o que visitar, pois não tive tempo para traçar uma rota com os pontos turísticos. Mas existiu uma ajuda preciosa que foram as comunidades do Orkut, com dicas importantes.

Muitos lugares no Chile ainda merecem uma visita: Viña del Mar (estava ao lado, mas não fui), o Deserto do Atacama, o vulcão Osorno, o lago Llanquihue, de Puerto Varas, a Ilha de Páscoa, o Vale nevado e a Cordilheira dos Andes.

Existem grandes lojas de departamento no Chile: Falabella, La Polar, Paris, Ripley, etc. E costumam vender de tudo, inclusive roupas e perfumes importados. Os preços são muitos atrativos. A Ellus é uma marca muito recorrente e uma calça custa entre R$40,00 e R$100,00. E ainda, os eletrônicos são infinitamente mais baratos, por exemplo, um Videogame Playstation 2 que custa aqui R$650, lá custa R$350.

Acho muito engraçado o fato de todos os brasileiros acharem o espanhol um idioma muito fácil e não desprenderem tempo para seu aprendizado, mas, ao meu ver, existem muitas diferenças e algumas engraçadas, tais como os “heterosemanticos” e “heterogenéricos”. Como meu amigo ao pedir no Saara “Yo quiero uma camisa vermelha” (risos histéricos), quando deveria dizer “Yo quiero una polera roja”. Meu espanhol não é nem razoável, embora já tenha me dedicado veementemente ao idioma, há uns 8 anos atrás.

Não existem universidades públicas no Chile, no entanto, são muitas as ofertas de cursos universitários, me parece o maior comércio que existe, pois há divulgação em todos os cantos possíveis e são inúmeras as faculdades.

O metrô de Santiago é surpreendente, pois ele corta toda a cidade e te deixa próximo de qualquer lugar, pois são cinco linhas. Custa menos de R$2,00. Não possui escada rolante, mas oferece elevador para os casos especiais. Tem conexão Wi-fi, que reflete no número de pessoas sentadas no chão com seus laptops. Tem TV, normalmente está tocando duas canções que amo “En el muelle de San Blás” e “No ha parado de llover”, ambas do Maná. Não tem ar condicionado, pois na maior parte do ano a temperatura é baixa.

Os taxistas são como os do Brasil: não podem ver turistas que querem se dar bem. Alguns são honestos, mas é bom ter uma noção de preço antes de entrar no carro. Se o taxista cobrar pelo taxímetro (e mesmo quando não), custa menos que no Brasil. A frota de carros no Chile é bastante diferente da encontrada por aqui, com predomínio das montadoras Honda, Suzuki, Hyundai, etc. Os ônibus são antigos, muitos “minhocões”, aqueles que possuem dois carros unidos. O metrô deixa na porta da rodoviária, com muitos tur-buses, que são confortáveis e deixam em qualquer lugar do país. Estive na rodoviária para poder conhecer Isla Negra (que fica na cidade de Quisco) e Valparaíso, uma cidade portuária, mas, como o tempo voou, mesmo ao lado, não estiquei até Viña del mar, conhecida pelos festivais de música, praias e jardins.

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Os chilenos são simpáticos, no entanto, reservados. A moda parece ser usar o cabelo roxo, verde ou lilás (pelo menos na área das belas artes era!). Achei o pessoal, do local onde estava e por isso andava mais pela noite e observava melhor, muito alternativo.

Os Chilenos amam Madonna, tanto que sempre acessei o fórum chileno sobre a rainha do pop, e logo na primeira caminhada me deparei um cartaz “Noche de Divas”, com um especial “dela”, e estava programada minha ida naquele momento. Mas no exato dia, sábado, não sabíamos como chegar à boate, então fui perguntar a um casal, que me disseram “No, no, muy mal” e ofereceram para deixar numa boate mais próxima. Olha a programação: o melhor dos anos 80 chileno, salsa, mambo e tchá-tchá-tchá. Mas nem sob tortura! No dia seguinte descobri que a boate que tocaria Madonna não era recomendada por ser relativa ao público GLS! Ah! Perdi a festinha da Madonna em terras andinas.

Pablo Neruda (Neftali Reyes Basolato), que utilizou a alcunha em deferência ao poeta tcheco Jan Neruda, é, sem dúvida, uma figura singular para os chilenos, ou melhor, para toda a humanidade. Teve três casas que hoje são museus cuidados pela Fundación Pablo Neruda. Em Isla Negra, sua principal casa, La Sebastiana, em Valparaíso, e La Chascona, em Santiago.

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La Chascona (palavra de origem indígena local que significa pessoa descabelada), apelido de sua terceira mulher, Matilde, também é uma casa muito bonita, suas residências eram construídas com o tempo, criavam-se anexos. É incrível a harmonia conseguida por Neruda numa organização de objetos tão diferentes. Na casa há dois “comedores”, o de Matilde, com louça no estilo Acapulco, móveis mais modernos e cores vibrantes. Neruda preferia o estilo sóbrio, com louças inglesas e copos coloridos (para ele o sabor da bebida mudava se o copo fosse colorido) de origem portuguesa e os móveis de madeira. Infelizmente não se pode fotografar no interior das casas de Neruda.

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Dois restaurantes são indicados: o Giratorio (no bairro da Providencia) e Como água para chocolate (no bairro da Bellavista). O primeiro é um estilo que não existe no Brasil, como já indica o nome, é um restaurante que gira o tempo inteiro e nos permite a visão de 360º da cidade de Santiago. O lugar é muito bonito, com freqüência de muitos brasileiros, a presença de um piano, que sempre toca música brasileira. A comida é boa e não custa muito. Já o “Como água para chocolate” é mais requintado, embora tenha uma arquitetura mais rústica. Na entrada encontramos uma cama como mesa, contendo um travesseiro – achei hilário o trocadilho, afinal, é restaurante de comida afrodisíaca. A comida é de gastronomia e vale a pena visitá-lo.

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A comida chilena é bem apimentada. Adoram abacate e encontramos “palta” até mesmo no cachorro-quente! O abacate deles é bem pequeno, diferente do encontrado no Brasil. Pela enorme costa no Oceano Pacífico o Chile é um país rico em pescado, por isso boa parte da comida leva frutos do mar. Em relação ao Brasil, a comida custa mais caro, no entanto, todos os demais itens são mais baratos.

Declaro-me apaixonada por frutas e as chilenas são ótimas, mas não estão entre minhas prediletas. As mais populares: abacate (palta), uva, nectarina, damasco, pêssego (durazno), framboesa, cereja, melancia (sandía), laranja (naranja), ameixa (ciruela) e maçã (manzana).

Na “Plaza de Armas”  encontramos diversos prédios históricos, como o “Correo Central”, que se tornou monumento histórico desde 1976, o edifício da “Real Audiencia” (Museu Histórico Nacional), o ”Cabildo” (Prefeitura de Santiago). No lugar que se encontra o correio central foi a casa do conquistador chileno Pedro de Valdívia, em 1941, posteriormente se tornou palácio dos governadores, e, a partir de 1820, sede da presidência. Lá também fica a “Iglesia Catedral”.

O Paseo Ahumada é uma rua de grande comércio, com todas as grandes lojas e movimento intenso de pedestres.

La Moneda” foi transformada na sede do governo em 1846, pelo então Presidente Manuel Bulnes. É um suntuoso Palácio, que tem uma cerimônia de troca da guarda a cada 48 horas. Embaixo do “La moneda”, encontramos o “Centro Cultural Palacio La Moneda” que é extraordinário, com inúmeras salas de exibição, cafeteria, cinema, etc.

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No topo do Cerro San Cristóbal encontramos uma enorme estátua da Imaculada Conceição, que fica iluminada à noite e pode ser vista desde os quatro pontos cardeais. A subida pode ser realizada de “funicular”, um trenzinho. Ao lado fica o zoológico da cidade. De lá a visita pode continuar de teleférico, que pára em algumas estações para que o parque seja aproveitado. No caminho para o cerro, encontramos o “Patio Bellavista”, com restaurantes, lojas de artesanato, hotel. Na rua de acesso, encontramos dezenas de restaurantes, para todo tipo de gosto, com muito néon. Em um dos restaurantes, pedi uma “pizza completa”, achei que seria algo parecido com a nossa “portuguesa”, para meu profundo desgosto continha mariscos nojentos, queijo, tomate, palmito e um grande bife por cima, quase desmaiei.

O Cerro Santa Lucia (antes chamado de “Huelén”) foi o local onde Don Pedro de Valdívia se estabeleceu com seu exército, em fevereiro de 1541. O lugar é de beleza infinita, que pode ser visitado gratuitamente. É necessário estar com o físico em bom estado para chegar ao topo, permitindo a visão de toda a cidade.

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Na frente do Cerro tem o Centro Artesanal Santa Lucia, com 150 lojas (tiendas) de artesanato, para os turistas que não resistem e querem levar algum suvenir.

Fiquei hospedada em frente ao MNBA e ao MAC, o Mac só descobri no penúltimo dia, pois fica encoberto, para quem está no hotel, pelas árvores. A arquitetura é muito bonita, de estilo francês. O MNBA tinha melhor acervo para exposição, inclusive uma homenagem a Picasso, com gravuras dos maiores artistas mundiais. O MAC parece extensão do MNBA, só uma exposição era realmente de arte contemporânea, a do desenhista de moda Dai Rees. Pertence a uma faculdade, não sei se esse é o motivo de não ter qualidade, acho que tem outro museu de arte contemporânea na cidade, mas não tive tempo de pesquisar melhor. Todos os museus cobram entrada, a maioria aceitou a carteira de estudante da UNE, que me fez economizar uns trocados.

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O Museu de Arte Pré-colombiana tem grande importância, datado de 1800, quando funcionava a “Casa Real de Aduana”, com um acervo impressionante: maias, incas, astecas e inúmeros outros povos aborígines. A entrada é “salgada” pra quem costuma ver arte de graça no Rio de Janeiro, uns R$12,00, por isso havia apenas turistas dentro do museu, não tinha um chileno sequer. Nunca vi tantos americanos em toda a minha vida! A cidade tem muitos turistas, inclusive com aqueles ônibus ingleses vermelhos de dois andares, double deck bus, que sai de Las Condes, mostrando a cidade aos visitantes, mas com um preço absurdo.

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Concha y Toro é a terceira maior vinícola do mundo, que pertencia à família homônima, no entanto, posteriormente, tornou-se uma S.A., e já não pertence aos chilenos, embora tenha alguns acionistas. O lugar é lindo, uma casa suntuosa, que já não tem habitantes, apenas a administração da empresa. Apresenta uma arquitetura eclética, com estilo italiano e chileno clássico. Jardim inglês, árvores de todo o mundo. As visitas são guiadas em espanhol ou inglês. Recebemos uma taça (copa) que serve até o fim do passeio como recipiente para provarmos os produtos fabricados: os vinhos. E no fim descobrimos que se trata de um brinde. Terminei o tour um tanto quanto bêbada, já que não costumo ingerir bebidas alcoólicas. A loja dentro de Concha y Toro vende vinhos infinitamente mais caros que nos mercados, como Santa Isabel e Jumbo.

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Concha Y Toro

Santiago é uma cidade muito mais segura que o Rio de Janeiro, e, decerto, o Chile é um país mais seguro que o Brasil . Não vi um “pivete” em toda Santiago. Encontrei apenas um menino pedinte no parque florestal, mas que vestia calça social e tênis. Até os catadores de lata se vestiam descentemente. Vi apenas dois mendigos. Mesmo os lugares mais ermos, como o Parque florestal, depois da meia-noite, eram “passeáveis”. Senti-me muito segura. Sem qualquer problema para fotografar e caminhar. Fica registrado que nunca andei tanto em toda a minha vida, e acreditem, não sentia mais meus dedos do pé direito.

Não entendi muito bem a divisão de bairros e distritos de Santiago. Conheci Las Condes, um bairro muito parecido com a Barra da Tijuca. Muitos condomínios e um Shopping impressionante: o Parque Arauco. Um cinema gigantesco, com uns três andares, logo na entrada. A ótima cafeteria Starbucks, inclusive, as multinacionais alimentícias norte-americanas marcam presença (Mc Donald´s, Taco Bell, Pizza Hut, Burger King, etc). Lojas da Benetton, Calvin Klein, Prada, Tommy, e todas as outras que puder imaginar. Lá encontrei um livro sobre a POP ART, da Taschen,  escrito por Tilman Osterwold, grande, capa dura, 240 páginas, por apenas R$35 reais! As sorveterias são incríveis no Chile (mesmo pra quem não ama sorvete, como eu)!

Sobre os bancos, existe um Santander em cada esquina, encontrei ainda um Itaú, de resto apenas o Banco do Chile. Os bancos abrem cedo, ao contrário dos demais serviços, que iniciam às 10:00h. Lá só escurece às 21:00h!!!

Já no fim de tarde do último dia encontramos o “Caveirão chileno”, chamado de “Guanaco”. Em frente ao MNBA tinha umas mil pessoas, pensamos que era um hábito local, pois fecharam a rua e jogavam garrafas pet, quando de repente surgiram dois guanacos jogando água pra todo lado, uma correria generalizada, e ainda descobri que a água é tóxica e vem acompanhada por gás de pimenta. Meus olhos ardiam, queimava tudo até o estômago, meu rosto apresenta até hoje os sinais daquela divertida barbárie. Se fosse no Brasil teríamos levado tiro sem saber o motivo. Mas a polícia (cabineros) de lá é muito educada.

Amei o Chile e espero um dia voltar para conhecer outras cidades.

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