Havana (3ª parte)

Na terceira etapa da viagem, retornamos a Havana e optamos por nos hospedar em Centro Habana, bairro entre Habana Vieja e Vedado. É verdade que não encontrei, nos blogs, tal indicação, pelo contrário, uma conhecida, que já tinha visitado Cuba por duas vezes, não me recomendou, disse que sentiu medo ao caminhar no bairro. 

Ficamos na Casa de Raquel y Pablo, reservada no site airbnb. Assim que o táxi nos deixou, encontramos várias campainhas na parede do prédio. Guilherme tocou a primeira que viu, mas depois observamos que cada uma tinha um número relacionado a um apartamento. De repente, Pablo apareceu para nos receber. Felizmente levou minha mala. Perguntou o que tinha na bagagem, pois estava muito pesada. Disse que estava cheia de garrafas de rum (risos).


O apartamento está localizado no segundo andar. Tem  uma cama de casal e uma de solteiro, banheiro privado, ar-condicionado, ventilador, frigobar, além de uma sacada. Eles possuem internet em casa, mas não usamos o serviço. O casal é muito simpático e recomendo a qualquer pessoa. A localização é excelente, uns 100 metros do Paseo del Prado, uns 150 metros do Malecón. Pagamos R$80,00 por diária, ou seja, R$40,00 para cada.
O açougue que fica na frente do apartamento, não tinha muitas opções
Vista da varanda do apartamento

As casas de família possuem um símbolo com a descrição "arrendador en divisas" na parede/porta para identificá-los. A reserva pode ser feita em diversos sites:

Na maioria dos sites, os preços são expressos em euro (média de 35 euros) e o pagamento é feito no local, mas prefiro pagar antecipadamente as reservas, então recorremos ao airbnb. Raquel me disse que o serviço funciona por lá a menos de um ano. Era possível alugar apartamentos inteiros, no entanto, me parece enriquecedor ter uma experiência com os locais num país como Cuba. E ainda, como a internet (em geral) só pode ser acessada em "hotspots" públicos, ficar em um hotel ou casa de particular facilita na hora de obter informações sobre a cidade.


Tínhamos previsto chegar um pouco mais cedo, mas o ônibus vindo de Varadero demorou mais de 3 horas. Deixamos as coisas no quarto, Pablo nos entregou as chaves (uma pro quarto, outra da casa, uma de um portão do andar e outra da entrada do prédio) e saímos para encontrar um restaurante.



Abri o app Maps.me e pesquisei alguns "paladares" na redondeza. Ainda brinquei com Guilherme que ele gostaria do "Dos pelotas" (risos). E, por incrível que pareça, o restaurante era encantador, com preços na moeda nacional (CUP), mas convertiam para CUC no menu. A garçonete era muito simpática. A comida era farta, boa, além de ser barata. Os sucos eram naturais, feitos na hora. Pedi frango picadinho com legumes companhado por "moros y cristianos" (arroz e feijão) e um suco de melancia. A conta (para duas pessoas) totalizou 8,20 CUC. Só depois fui verificar que está na 10º posição no Tripadvisor entre os 802 restaurantes de Havana.

Os restaurantes familiares, em Cuba, são conhecidos como "paladares", inclusive confirmei com Raquel, minha anfitriã, a origem do nome: uma novela brasileira, mais precisamente "Vale Tudo". A personagem de Regina Duarte vendia sanduíches na praia, mas quando abriu seu primeiro restaurante deu o nome de "Paladar". Os cubanos são apaixonados pelas novelas brasileiras!








Depois do almoço seguimos para o Malecón, que fica a poucos metros. O céu estava ensolarado e caminhamos por mais de 2km, observando os pescadores, os casais apaixonados, os grupos de amigos. Pensei em seguir até Vedado, mas Guilherme preferiu voltar, pois o sol já estava se pondo. O Malecón é o ponto de encontro dos cubanos, se encontram para passear, acessar a internet, conversar. A orla vai de Habana Vieja até Vedado.


Os animados cubanos







Retornamos ao hotel, tomamos banho e descansamos até às 22 horas, quando decidimos sair em direção ao icônico paladar "La Guarida". O local foi cenário de um dos melhores filmes latinos: Morango e chocolate (Fresa y chocolate). Na época, gostei tanto que adquiri o DVD. Diversas celebridades já jantaram no estabelecimento: Obama, Beyoncé, Natalie Portman, entre outros. Em agosto de 2016 a cantora Madonna (minha ídola) comemorou o aniversário de 58 anos no restaurante.


Andamos por alguns minutos, pois fica em Centro Habana, mas não era próximo da casa onde nos hospedávamos. As ruas estavam muito escuras e, de repente, encontramos um grupo jogando futebol, posteriormente avistamos a placa do restaurante. O prédio é um palacete do início do século XX, entramos e vimos um grupo jogando baralho no térreo. Acredito que naquele andar morem muitas pessoas, tinha até uma cama no corredor. É, no mínimo, curioso. Subimos as escadarias cinematográficas, tiramos fotos com o grafite na parede. No andar seguinte, encontramos um salão amarelo vazio com a fiação exposta.



No terceiro andar, finalmente encontramos a entrada do restaurante. Havia duas "hostess", que quiseram saber sobre a nossa reserva (não tínhamos reservado). Disseram que para jantar no restaurante teríamos que esperar, mas poderíamos ir para o bar, que ficava no andar seguinte. Aceitamos a sugestão. Aproveitamos a varanda com iluminação fraca e cadeiras, depois seguimos pelos corredores, onde cruzavam cozinheiros e garçons, subimos a escada caracol. De lá subimos outra escada para apreciarmos a paisagem do terraço, mas estava muito escuro e a cidade não é bem iluminada. Descemos e fomos até o bar.

Sentei no bar e pedi um daiquiri e uma porção de croquetes (15 CUC). Como esperava, não era barato. Guilherme pediu apenas um mojito. Aproveitei a decoração (bar com cadeiras brancas e neon lilás) para tirar algumas fotos. O ambiente é agradável, mas sofisticado. Estávamos bem descontraídos.







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