Havana (2ª parte)


Habana Vieja é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. A cidade foi criada em 1519 pelos espanhóis, se tornou um dos maiores centros de construção naval do Caribe. Na segunda metade do século XVI se transformou no maior porto da região. Havana manteve suas muralhas e suas 5 grandes praças: Plaza de Armas, Plaza Vieja, Plaza de San Francisco, Plaza del Cristo e Plaza de la catedral. Na proximidade das praças existem construções notáveis intercaladas com monumentos no estilo barroco e neoclássico.

Mural de Che na Plaza de Revolución

No segundo dia em Havana, tínhamos uma missão: comprar passagem para Varadero, pois viajaríamos no dia seguinte. Enquanto planejava a viagem, deixei para adquirir a passagem no site da Viazul, que é a única companhia de transporte rodoviário para turistas. Meu amigo estava sem o cartão internacional, logo, esperamos mais uma semana, contudo, só encontramos passagem de volta, tendo em vista que a ida no horário noturno não nos interessava. Mandamos e-mail para a empresa, que respondeu rapidamente, dizendo para comprarmos na rodoviária com alguns dias de antecedência - só disponibilizavam um pequeno percentual online.
Café da manhã
No café da manhã perguntei para a responsável pelo hostal naquele dia (cada dia é uma pessoa) onde poderia contratar um transfer para Varadero. Escreveu no papel o nome de dois hotéis, pela proximidade, seguimos para o Hotel Plaza. Pensamos que no dia seguinte estaríamos com as malas. No hall do hotel funciona a agência Cubanacan. Perguntei sobre o transfer para Varadero, disse que tinha disponibilidade e custava 25 euros. A saída seria ali mesmo, no dia seguinte, às 9 horas. Não recebemos qualquer recibo e tudo é registrado num caderninho com letras cursivas.

O nosso objetivo era fazer um passeio de carro antigo pela cidade. Tem muita oferta por toda Habana Vieja, e, enquanto pesquisava nos blogs, encontrei a informação que o valor médio do passeio era de 35 Cucs. Fomos perguntar aos motoristas, mas todos diziam que era 35 por pessoa (se for 1 pessoa 35, duas 70), na terceira tentativa inclusive um motorista nos intimidou, dizendo que alguns falam um preço menor e depois mudam no percurso, pois o valor seria tabelado e podem chamar a polícia pro turista que não quiser pagar. Fiquei furiosa - creio que estavam querendo ganhar dinheiro muito fácil.   


Decidimos pegar o "HabanaBusTour" no Parque Central, que funciona de 9 da manhã às 19h. O passageiro pode descer e voltar em qualquer ponto turístico e depois pegar o ônibus seguinte. O tíquete custou 10 CUC. Nosso objetivo era descer na "Plaza de la Revolución", no bairro "Vedado", que é distante para ir caminhando.



O dia estava ensolarado, mas preferimos ficar na parte superior do ônibus de dois andares. Normalmente não gosto de fazer tour nesses ônibus, mas em Havana acho uma opção cômoda. O ônibus segue pela orla, com vista do Malecón, passa por Vedado até Novo Vedado. 


Essa linda me deu tchau



O famoso Hotel Nacional


Descemos na Plaza de la Revolución, famosa por ser o centro de manifestações políticas e culturais em Cuba. Obra do francês Jean Claude Forestier em 1920, é uma das maiores praças do mundo com seus 72 m2. Até 1959 era conhecida como Plaza Cívica. Na fachada do prédio de cimento do "Ministerio del Interior" fica o mural de dois revolucionários que encantam os turistas: Che Guevara e Camilo Cienfuegos. A de Che é a réplica de uma foto tirada por Alberto Korda em 1960, que tem a inscrição "Hasta la victoria siempre". No centro da praza fica o Memorial José Martí.


Meu amigo queria entrar no museu que fica no Memorial José Martí, mas como cobrava ingresso e não tinha muito interesse, preferi não entrar. Há uma torre de 138 metros de altura e na frente fica uma escultura de mármore de 17 metros de José Martí, herói nacional de Cuba. 



Em seguida, caminhamos até o ponto do ônibus, que demorou uns 15 minutos. E ninguém respeitou a fila. O retorno é realizado basicamente pelo mesmo caminho, quando é  possível conhecer, mesmo que superficialmente, o bairro de Vedado, que tem mansões, cinema e muitas pessoas circulando.


 




Em busca de wi-fi

O famoso cine Yara


Universidade de Havana
Retornamos ao Parque Central por volta das 15 horas! O ônibus é lento, logo, se tiver pressa, recomendo fazer o passeio de carro, pois tem o tempo estipulado, 1 ou 2 horas.  

Enquanto retornávamos para o hostel, aconteceu algo bem desagradável: o assédio masculino. Na rua mais movimentada de Havana, a Obispo, perdi meu amigo de vista, que estava caminhando mais rapidamente, logo, segui em direção ao hostel. Uns três homens me abordaram, enquanto outros caminhavam ao lado. Dizendo que deveria casar com um homem cubano, que são ótimos. Tentava andar apressada, mudar de calçada e novamente vinham me abordar. Já estive no Marrocos sozinha e achei a aproximação pior. Um sujeito me seguiu até a porta da hospedagem! Se tivesse viajado só teria outra impressão de Havana e ficaria bastante irritada e até com medo. Nos momentos em que estava acompanhada não falavam absolutamente nada.

Cheguei no hostel e 5 minutos depois meu amigo apareceu. Estávamos com fome e fomos até o restaurante Van Van, relatado no post anterior. Guilherme pediu um prato tradicional de Cuba: Moros y Cristianos (arroz e feijão misturados), enquanto preferi comer frango.

Passamos pelo Hotel ambos mundos, local onde viveu Ernest Hemingway, em 1930, posteriormente vimos uma Habana Vieja revitalizada, com construções restauradas, ruas floridas e arborizadas. Seguimos pela "calle Mercaderes", que foi reconstruída e está quase original do século XVIII, além de ter inúmeros museus (Museo del Tabaco, Museo de los bomberos, Museu casa de África, etc) e restaurantes. Na esquina com a rua Obrapía encontramos uma escultura de Simon Bolivar nos convidando para uma pracinha aconchegante.








Chegamos na Plaza de Armas, que é a praça colonial mais antiga de Habana Vieja, projetada em 1520, mas antes era conhecida como "plaza de la iglesia", o nome atual só foi aplicado a partir do século XVI. Atualmente abriga uma feira de livros antigos, além de ter uma estátua de Carlos Manuel Céspedes, que iniciou a independência de Cuba. Nas proximidades da praça encontramos o Museu de História Natural, o Museu da Navegação, o Museu da cidade, entre outros.




Fui na bilheteria do Castillo de la real Fuerza saber o valor do ingresso (4 CUC) e se ainda poderia ser visitado (faltava 15 minutos para fechar). O prédio é um grande exemplo de arquitetura militar, dos tempos de domínio espanhol, no Caribe. É um dos motivos de Habana Vieja ser considerada patrimônio da humanidade, pois é uma das fortalezas mais antigas das Américas. O Castillo foi construído entre 1558 e 1577. A torre é conhecida como "torre da espera", uma vez que Dona Inés de Bobadilla, esposa do conquistador Hermando Soto, que governava Cuba. Enquanto tentava dominar a Flórida, a esposa subia todos os dias tentando avistá-lo, mas nunca regressou.







Nessa imagem, no canto esquerdo, dá pra ver o Cristo de Cuba

No retorno, finalmente conhecemos um dos símbolos de Havana: La bodeguita del Medio. O restaurante ficou famoso em razão do seu mojito, bebida feita com rum, água com gás, hortelã e açúcar. Ernest Hemingway eternizou o lugar com sua frase "my mojito in la bodeguita del medio. My daiquiri in el floridita." O papel foi emoldurado e fica exposto no primeiro andar do estabelecimento. No local já estiveram Pablo Neruda, Salvador Allende, entre outros.



O primeiro andar está sempre lotado e as pessoas se espalham pelas ruas ou se espremem no salão, mas tem outros andares mais vazios. Então seguimos até o terceiro andar. Cada ambiente tem um nome e é decorado com fotos de pessoas importantes que já visitaram o lugar, camisas, assinaturas. Sentamos, pedimos o mojito (6 CUC) e ficamos aproveitando o grupo que tocava músicas latinas.


Retornamos pro hotel para banho e descanso, mas depois saímos com o objetivo de encontrar um local para jantar, pois não queria repetir Van Van. Seguimos para o "El Dandy", localizado na rua Brasil, mas, embora fosse bem avaliado no Tripadvisor, não achamos o ambiente interessante. Bem próximo, encontramos um restaurante com fila, fato que nos chamou a atenção, era o "El Chanchullero", bar de tapas. Ambiente descolado e valores ótimos! Aguardamos na fila por mais de 30 minutos.


A fila era basicamente formada por turistas. O restaurante tem 3 andares. O terraço parece ser mais animado, contudo, fomos conduzidos ao segundo andar. O garçom perguntou se nos incomodávamos em dividir a mesa, mas não nos importamos. Era um casal de canadenses, aparentemente pai e filha. Ajudamos os dois a selecionar o que comeriam, pois a menina era vegana! Não tinha qualquer opção vegana no restaurante. Pedi um pescado (6 CUC) com um Daiquiri (5 CUC), enquanto Guilherme pediu "Ropa Vieja", que é o prato típico de Cuba, que consiste em uma carne assada desfiada. 

Carro na Plaza del Cristo



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