Basquiat: traços de uma vida

Basquiat: traços de uma vida é o primeiro filme do artista plástico Julian Schnabel, contemporâneo de Jean-Michel Basquiat. Em algumas entrevistas, concedidas à imprensa no lançamento do filme, Schnabel disse que gostaria de mostrar a herança cultural deixada por Jean, e não falar de um artista-negro-usuário-de-heroína. Todavia, o filme evidencia com mais vigor a relação do artista com o sistema de arte e suas estratégias, tornando menos relevantes os questionamentos sobre sua obra.
            O elenco do filme é repleto de astros e estrelas (hollywoodianas), tais como: David Bowie, Courtney Love, Benicio del Toro, Gary Oldman, William Defoe, Dennis Hopper, Claire Forlani e Tatum O’neal.
            Schnabel disse que procurou um artista desconhecido para interpretar Jean-Michel, pois seria importante que o público acreditasse ser o próprio artista. Jeffrey Wright parece ter conseguido o esperado pelo diretor, declarando que a escolha foi “um momento mágico”. A semelhança entre o ator e o Basquiat é realmente enorme, e a partir daí a cinebiografia consegue aproximar o espectador do Jean real. O laboratório do ator incluiu aulas de pintura — para que ele compreendesse o processo de criação —, estudo dos movimentos, dos gestos e do timbre de voz.
            Embora a narrativa pareça um tanto glamorosa, Schnabel, como artista plástico, observou de muito perto a carreira de Basquiat, e ambos tinham os mesmos amigos e agentes. No filme, Schnabel cria o personagem Albert Milo, vivido por Gary Oldman, que o representou.
            Enquanto aparecem os créditos com os nomes dos atores, no início do filme, são mostrados o menino Jean e sua mãe Matilde, quando ele tinha aproximadamente seis anos, diante da grande obra de Pablo Picasso “Guernica”, no MoMA — seu contato com a arte nasceu desde muito cedo. A coroa é destacada, que em forma de animação aparece na cabeça de Jean-Michel — a coroa será um símbolo constante em toda sua trajetória artística.
            Então o filme inicia com Rene Ricard — crítico de arte da revista Artforum, que escreveu o primeiro artigo sobre Basquiat — sentado em um banco, em 1979, onde ele diz: “Ninguém quer ser de uma geração que ignore outro Van Gogh.” Sobre essa questão, haverá inúmeras críticas sobre a crítica de arte — de que os críticos passaram a não emitir suas opiniões, aceitando tudo, por medo de serem injustos com um gênio.
            O filme narra a história do grafiteiro, sem-teto, ávido por sucesso, que conseguiu chegar ao topo, porém, não evidencia a qualidade de sua obra, deixando mais claro a trama de interesses do mercado, que culminou no sucesso de Basquiat, e que também participou no seu declínio.
            Sobre o filme, Affonso Romano de Sant’anna destacou: “...aquele Basquiat, que saiu da sarjeta para o ciclo de amigos de Andy Warhol, numa grande operação de marketing mostrada no filme ‘Basquiat’ - que deve ser visto para se entender as relações entre ‘arte contemporânea’ e marketing.” Talvez a crítica possa ser compreendida: em muitos artigos é colocado que Jean-Michel reunia o que o mercado precisava naquele momento, como Robert Hugues mencionou, ele era a criança selvagem, um primitivo urbano, que foi, na verdade, utilizado por um mercado de arte que tem obsessão por novidades. E o filme deixa evidente a grande articulação do sistema de arte, envolvendo galeristas, colecionadores, críticos, e mesmo de artistas — Andy Warhol é apresentado como o melhor amigo de Basquiat, e muitos afirmam que ele o manteve no auge por algum tempo, porém existem controvérsias a respeito.
            Schnabel afirma que tudo mostrado no filme realmente aconteceu, ele diz ter sido testemunha ocular de 90% daqueles eventos — o que constrói a imagem de um artista interessado em fama, e não muito em arte. E essa abordagem pode ser delimitadora e excludente: é necessário observar as obras para emitir qualquer parecer sobre Jean-Michel. Para um espectador sem conhecimento prévio de seus trabalhos provavelmente ficará a imagem de um artista construído, como uma figura interessante, todavia, com uma obra irrelevante. O que ocorre, por muitas vezes, é que sua vida ofusca sua obra. Então, para que haja discernimento, é necessário analisar a vida conjuntamente com a obra — que consegue, no mínimo, agenciar inúmeras qualidades plásticas.

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Desenhando com terços



“Desenhando com terços” - Uma observação crítica acerca da liberdade de expressão artística.


"Desenhando com terços", Márcia-X

Só peço para ser livre. As borboletas são livres.
(Charles Dickens)


A origem dos direitos do homem

Na Antigüidade, o poder do Estado era ilimitado, mas alguns direitos humanos já eram reconhecidos, como no Código de Hamurabi, no pensamento de Amenófis ou na República de Platão.

Em Atenas, berço de relevante pensamento político, não se imaginava a possibilidade de uma legislação contrariando o Estado.

A Inglaterra foi pioneira quando, em 1215, os bispos e barões impuseram ao rei João a Magna Carta. Era o primeiro freio que se opunha ao poder dos reis.

Surge no século XVIII, com as Constituições Francesa e Americana, o Constitucionalismo, quando a sociedade humana exigiu que houvesse uma lei de ordem genérica que organizasse os direitos individuais e coletivos.


Civilização é o processo de libertar o homem dos outros homens.
(Ayn Rand)

Legislação

O conceito de liberdade de expressão está intimamente relacionado às democracias, no que tange à censura. O desafio para uma democracia é o equilíbrio: defender a liberdade de expressão e de reunião e ao mesmo tempo impedir o discurso que incita à violência, à intimidação ou à subversão.

A Carta Magna de 1988, no art. 5° caput, estabelece que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade...”, (grifo nosso); no inciso IX, encontramos que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença” (grifamos). E ainda, no referido artigo, inciso XIV “é assegurado a todos o acesso à informação...”.

Em âmbito internacional, a liberdade de expressão é garantida pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem:   
Artigo 19

Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras.


Liberdade é obediência às leis que a pessoa estabeleceu para si própria.
(Rousseau)

A relação entre arte, erotismo e religião

A relação entre arte e religião existe desde o período Paleolítico, quando a arte era instrumento de uma técnica mágica, nascia com um propósito de encanto, como os homens eram nômades e extrativistas utilizavam-se das imagens para conseguirem o desejado – ainda sem o conceito de religião e de arte.

Os gregos eram politeístas. Sua mitologia influenciou toda a arte e a filosofia ocidentais, fornecendo-lhes os mitos e arquétipos básicos. Utilizaram-se inúmeras vezes de formas eróticas que estavam intrinsecamente ligadas à sua religião.

É comum encontrarmos templos religiosos no Nepal ou na Índia com decorações do Kama Sutra, apesar de caráter erótico, pertence à literatura religiosa da Índia. Segundo sua visão, o homem atingiria sua plenitude quando praticasse o Dharma, o Artha e também o Kama. O prazer guiado pelo equilíbrio e pela moral é o tema do famoso livro. 

Templo Hindu

A Deusa da Serpentes é o maior símbolo da mitologia minoica (de Creta), que demonstra uma mulher segurando duas serpentes, representação dos falos masculinos. A religião Minóica era centralizada ao redor da seita da deusa de fertilidade, cujo consorte morre e é renascido a cada ano, representando a regeneração de natureza.
"Deusa das serpentes"

Entre culturas distintas, a opinião a respeito da limitação do discurso livre tem uma grande variação, que também é acentuada ou atenuada pela época em que ocorreram os fatos. A cultura se tornou guardiã dos valores da "humanidade”.


A grande meia verdade: liberdade.  
(William Blake)

Censura à liberdade de expressão artística

Censura, segundo o dicionário Michaelis é: 1. Ato ou efeito de censurar. 2. Cargo, dignidade e funções de censor. 3. Exame crítico de obras literárias ou artísticas. 4. Instituição, sistema ou prática de censurar obras literárias, artísticas ou comunicações escritas ou impressas. 5. Condenação eclesiástica de certas obras. 6. Admoestação, repreensão.

Existem exemplos largamente comentados sobre obras artísticas, literárias ou cinematográficas que sofreram censura, por ofenderem a fé religiosa, tais como: Salomé, de Wilde, Madame Bovary, de Flaubert, Like a prayer, de Madonna, entre tantas outras obras que sofreram censura por relacionarem seus trabalhos à religião, que se trata de um campo minado, onde se deve caminhar com muito cuidado.

Oscar Wilde (1854-1900), acusado em 1895 por crime de perversão de menores e condenado a dois anos de prisão, escreveu Salomé, concluída no ano de 1892, que foi proibida pela censura em Londres por apresentar personagens bíblicos, principalmente no que tange à relação entre Salomé e João Batista.

Gustave Flaubert (1821-1880), o famoso escritor francês, foi levado aos tribunais acusado de ofensa à moral e à religião, num processo contra o autor e também contra Laurent Pichat, diretor da revista Revue de Paris, onde foi publicada pela primeira vez Madame Bovary.

A obra clássica de Flaubert fala sobre o adultério feminino, que foi um escândalo para a sua época, contudo, o escritor foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena.

O medo da censura era tão grande que alguns escritores da época faziam sua “própria censura” antes de publicarem seus livros, com receio que fossem condenados. Relatos da época alegam que a escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941) escrevia seus contos e posteriormente excluía os conteúdos que pudessem causar algum dano a sua integridade física.

Em 1989, a Pepsi tinha anunciado um dos maiores patrocínios para a época. Madonna (1958- ) seria a estrela da nova campanha de comerciais da empresa e receberia em troca patrocínio para a sua nova turnê. Tudo envolvia a quantia de US$ 5 milhões de dólares. O comercial foi lançado e mais de 250 milhões de pessoas em 40 países viram pela TV o anúncio. Logo depois, quando o clipe de Like a prayer foi transmitido pela MTV, o mundo se escandalizou, pois Madonna aparecia beijando um santo negro, e dançando na frente de crucifixos pegando fogo. Os bispos da igreja católica se sentiram ofendidos e resolveram protestar, pediram para que ninguém mais comprasse produtos Pepsi. Sendo assim, depois de dois dias, o comercial foi retirado do ar e a Pepsi cancelou o contrato firmado.

Madonna enfrentou alguns problemas com a igreja católica na turnê “Confessions Tour”, por apresentar uma cena de crucificação que irritou a igreja. Na passagem em Roma, o Papa fez a ameaça de excomungá-la, acentuado pela crença de Madonna na "Kabbalah", da mística do judaísmo, que seria uma traição em potencial à fé católica. Na Alemanha, a polícia foi aos shows com intenção de prendê-la se maculasse a imagem da Igreja. E ainda, na Rússia, a igreja ortodoxa russa pediu que a população não fosse ao show.


A liberdade é defendida com discursos e atacada com metralhadoras.
(Carlos Drummond de Andrade)
“Desenhando com terços”

Na manhã de 19 de abril de 2006, a obra intitulada "Desenhando com terços”, da artista plástica brasileira Márcia Pinheiro de Oliveira (1959-2005) – mais conhecida como Márcia X – apresentada na exposição “Erótica – o sentido da arte”, foi retirada com base na notícia-crime do empresário Carlos Dias Filho, no 1º Distrito Policial do Rio. O católico se disse ofendido pelo desenho de dois pênis formados com terços. 
 
Performance/Instalação - 2000-2003

O Ministro da Cultura, Gilberto Gil, se pronunciou a respeito da querela, dizendo que é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”, e ainda, que toda censura é inaceitável e que esperava que o CCBB reconsiderasse sua decisão. 


As mais antigas cruzes conhecidas foram gravadas em pinturas rupestres que datam de dez mil anos a.C. Aparentemente, elas estariam ligadas a uma espécie de culto da fertilidade. Terços também são utilizados por povos orientais (não são exclusivos da fé cristã) e sua invenção nem sequer é devida à espécie homo sapiens, visto que achados de um determinado sítio arqueológico revelaram que um grupo de homo erectus, de quinhentos mil anos atrás, chegou a confeccionar colares de contas. Por tudo isso, não deveria haver espanto perante o trabalho de Márcia X.

Segundo o curador da exposição, a intenção era mostrar tanto “(...) peças arqueológicas como obras de arte de autores contemporâneos, modernos e tradicionais, nacionais e internacionais, para configurar uma reflexão sobre a arte e os meandros que percorre para interpretar o impulso sexual”.

A série “Desenhando com terços” nasceu em 2000, da performance e instalação realizada na Casa de Cultura de Petrópolis, e, segundo o crítico de arte Roberto Navas, para fruir o trabalho de Márcia-X é necessário ver além da sentido profano transmitido de imediato:

Poucos trabalhos de Márcia X. poderiam ter um ratio de ação tão extenso como este. Que a cúria metropolitana em seu momento se sentisse sensibilizada com ele, é, precisamente, um dos seus atributos. Sintoma, mas felizmente não só isso, pois o jogo de corpo/espírito é maior, diríamos que a quatro bandas: daí as tensões de imagem/símbolo/vida/ideologia. Além de estarmos já longe do antigo patrimônio espiritual das condutas e do monopólio exclusivo da moral – e são vários os países católicos que poderiam entender o icebergue conceitual que a performance-instalação explora –, o que aqui está à vista é tão importante como o que não está. Seu verdadeiro cerne passa sinuoso entre os batimentos do corpo delatado, construído, e a ideologia também é construída sobre ele. Extremos e extremidades então são colocados como epígonos potenciais. Aqui um objeto simbólico (religioso) recebe um deslocamento estético, estabelece um salto de sentido, e não se trata mais da função e sim da visão. E lembremos que o campo da apropriação de elementos (quando não da guerra de imagens) sempre atuou em todos os âmbitos ao longo da história. Assim, a desconstrução estética está em direção inversa à realidade mimética, mas promove uma nova equação da tríade imagem/ideologia/vida. Por isso a dessacralização que existe é fantasmática, evoca uma distância simbólica. De fato, a obra está mais perto de um memento mori do que de uma orgia profana. Há algo de epitáfio, de memorandum, sobretudo quando a dimensão coletiva da instalação concede-lhe esse poder (thanatos costuma disfarçar-se de seu contrário). Desenhando com terços – onde o ritual de fazer desenhos com objetos já é uma operação fronteiriça – persegue outro registro mais amplo; no fundo, uma varredura de código, de estereótipo. É o território da subjetividade conquistada. Lei da imagem, da arte.

É fato que qualquer intenção de artista é de abrir a malha de uma rede apertada, toda obra de arte é o resultado de uma tensão prolongada entre uma série de desejos e uma série de resistência à sua execução – resistências que provêm de motivos inadmissíveis, preconceitos sociais, incompreensão do público, e objetivos que já assimilaram estas resistências ou se mantêm firmemente em oposição a elas.

Quando a resistência em determinada direção é impossível de vencer, a invenção e poder expressivo do artista procuram atingir o seu objetivo por uma via acessível, e raramente tem ele próprio consciência de que a sua obra constitui um mero substituto da que realmente procurava.

Mesmo na mais liberal das democracias o artista não se move em perfeita liberdade, mesmo aí encontra inúmeros obstáculos inteiramente estranhos à sua arte. A diversa medida da liberdade pode ser da maior importância para ele, pessoalmente, mas em princípio não existe diferença entre os ditames de um déspota e as convenções sociais da mais liberal das ordens políticas. Se a força em si mesma fosse contrária ao espírito da arte, as obras de arte perfeitas só poderiam surgir em um Estado de completa anarquia. Porém, na realidade, os pressupostos de que depende a natureza estética de uma obra de arte transcendem a alternativa representada pela liberdade política e pela coação.


De nada adianta a liberdade se não temos liberdade de errar.
(Gandhi)

O outro lado da moeda

A exemplo do empresário que se sentiu ofendido pelo trabalho da artista plástica Márcia-X, decerto outras pessoas são solidárias no sentimento, e baseiam suas críticas no Artigo 208 do Código Penal:

Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo

Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Conclusão
 
A liberdade de expressão constitui princípio fundamental da personalidade, necessário para que o homem possa realizar-se em todo o seu potencial. Nos termos postos por Robert Alexy, deve ser encarado como um mandado de otimização, sendo a redução de seu alcance admitida apenas em casos particularíssimos, sempre com fundamentação consistente e pública. Reduzir arbitrariamente a liberdade de expressão artística é sufocar o espírito criativo da sociedade como um todo, impedindo o livre debate que sempre caracterizou a evolução do pensamento ocidental por excelência.


Site com os trabalhos da Márcia-X: www.marciax.art.br/

Comercial da Pepsi, 1989:

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Zephyr in the sky at night


"Zephyr in the sky at night
I wonder
Do my tears of morning
Sink beneath the sun?"
Madonna, Ray of Light


Zéfiro é o Deus grego do vento oeste e frequentemente mencionam que seu sopro tornava as águas férteis e os cavalos mais ágeis. Uma das recordações pictóricas que tenho de Zéfiro está no famoso quadro "Primavera", de Botticelli. O ser azul, no canto da composição, aquele homem soprando, sim, é Zephyr! O deus alado segura a ninfa, as folhagens balançam. Segundo Ovídio, num dia de primavera, Zéfiro avistou Clóris (ou Flora, na mitologia romana) e se apaixonou perdidamente por ela, como prova de amor a nomeou rainha das flores.


"Primavera", Botticelli

 
Clipe "Ray of light", Madonna:

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Pink Elephants and lemonade

“Pink elephants and lemonade, dear Jessie
Hear the laughter running through the love parade”


Alguém já ficou intimamente intrigado com o trecho supracitado? Vocês acham que realmente a interpretação deve ser literal: elefantes rosas e limonada? Afinal, a canção é infantil e escrita pra “Querida Jessie”. O clipe mostra personagens fofos e etc. Mas já notaram que o termo "seeing pink elephants" também é utilizado pra dizer que a pessoa tem alucinação decorrente de bebida alcoólica. A limonada estava “aditivada”? Mas aí vem a óbvia dedução que é referência à continuação de “Dumbo”, intitulada "Pink Elephants on Parade", como menciona a wiki, Dumbo e o rato Timothy ficam bêbados acidentalmente e começam a ver elefantes rosas cantando, dançando e tocando trompete!
O “site” informa que o termo é utilizado pra falar de intoxicação. Mensagens subliminares...

Clipe "Dear Jessie":

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FLASH MOB!

Os amigos pediram e decidi postar meu simplório texto, porém visionário (não havia qualquer teorização "online" sobre o assunto, sequer entrada na wikipedia), escrito em 2003, sobre o movimento que tomou conta do globo: flash mob! Foi interessante perceber que, surgido naquele ano, seria uma manifestação popular, com o intuito de divertir. Foi publicado num jornalzinho do curso de Artes da Uerj, chamado "Resenhas".


Resenhas, dezembro de 2003, nº3

FLASH MOB!

Um dos movimentos que ultimamente tem "dispersado" meu sono é certamente a flash mob. E isto acontece de forma ambígua e contraditória, porque leva meus pensamentos a um conflito imediato: como posso simultaneamente atribuir um valor negativo e positivo a determinado "objeto de estudo"? E, a partir dessa inquietação, tipicamente pós-moderna, busquei fontes para melhor análise.

Como se trata de um movimento recente, a Internet é onde encontramos material para entender os "tumultos instantâneos": em sites e blogs, que se multiplicam ao piscar dos olhos quando o assunto é flash mob.

O movimento teria surgido em maio desse ano, criado por um grupo underground de Manhattan, conhecido como Mob Project[1] . Trata-se, em linhas gerais, de um grupo de pessoas que se encontram em determinado local e hora, com performance pré-determinada em um roteiro, que são enviados aos participantes via correio eletrônico. E, desde então, tem ganhado projeções globais - mais um motivo para que estejamos atentos às suas repercussões.

Mas o que a flash mob tem a ver com arte? Decerto, encontramos inúmeros comentários refutando totalmente a idéia de que esses tumultos tenham algo de cultural. Há alguns dias, li um artigo de Affonso Romano de Sant´Anna, que levantou a questão do niilismo criado por Duchamp, dizendo que flash mob é um produto típico de uma sociedade superficial.

Flash mob, aos meus olhos, parece estar intimamente ligada aos happenings realizados nos anos sessenta, mesmo que não partam exatamente dos mesmos paradigmas. Kaprow[2] tentava combater os intermediários da Arte, e a partir daí, elaborou uma forma de expressão onde todos pudessem colaborar. As duas manifestações possuem uma estrutura similar, já que em ambas temos performances e um script direcionando seus co-autores. Se o Happening pretendia articular sonhos e ações coletivas, pode ser que os nossos sonhos, em pleno século 21, estejam um pouco anuviados, em contrapartida, mais coletivas que nunca - por tratar-se de uma comunidade urbana e global.

Hoje, ocorrem flash mobs em escala mundial, sem que haja um lugar fixo de realização. Pode ocorrer em São Paulo, em Boston ou Londres, permitindo assim, que fronteiras sejam inexistentes, e é um movimento cambiante, capaz de agregar inúmeras situações, onde a mídia torna-se grande flexibilizadora das ações. Apolítica, gratuita, são algumas das taxações feitas pelos antimobs, que se organizaram imediatamente para retaliar o movimento. Mas o caráter efêmero é próprio do que ele pretende ser. Tal como os happenings, não são acontecimentos que estão à venda. Sobre quais valores nossa sociedade está localizada? Já há algum tempo não podemos falar em bases sólidas, principalmente no que tange à arte.

Talvez haja mais arte na vida, que na própria arte - era um dos lemas do idealizador dos happenings, Allan Kaprow. E, talvez, divertir-se possa ser um ótimo motivo para que essas mobilizações aconteçam. Pelo menos, para mim, arte tem que promover alguma reação no meu mundo sensível, e, pode divertir sem multiembasamentossuprateóricos. "Brincadeira e o uso brincalhão da tecnologia sugerem um interesse positivo nos atos da contínua descoberta. A atitude brincalhona pode tornar-se no futuro próximo um benefício social e psicológico."[3] Parece que o "futuro próximo" chegou...


[1] http://www.mobproject.com/
[2] Allan Kaprow foi o criador do "Happening".
[3] KAPROW, Allan. A educação do Não-Artista, Parte I. Concinnitas. RJ, ano 4, nº 4, mar. 2003. p. 223.



O maior "flash mob" do mundo, 2009, Black Eyed Peas, I Gotta Feeling:


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Antínoo e Adriano - uma história de amor

Estátua de Antínoo no
Museu Arqueológico Nacional de Nápoles
Ao que parece, o cinema está próximo de retratar a vida do Imperador Adriano. Nascido Públio Élio Trajano, Adriano foi imperador de 117 a 138 e se destacou como mecenas da arte e se apaixonou pelo que seria o homem mais bonito de todos os tempos: Antínoo, um jovem encantador (trinta e quatro anos mais jovem que o imperador romano).
A francesa Marguerite Youcenar escreveu um livro ficcional sobre o imperador, "Memórias de Adriano" (1951), com o 4º capítulo dedicado ao belo grego Antínoo: Saeculum aureum.
Antínoo e Adriano escreveram no tempo uma das mais belas histórias de amor que tenho conhecimento.
O efebo foi muito bem descrito pela autora supracitada "O belo galgo ávido de carícias e de ordens instalou-se em minha vida. Admirava sua indiferença, quase altiva, por todas as coisas que não se referissem a seu prazer ou a seu culto".
Adriano estava imbuído por um sentimento nobre que refletia na forma de governar "Roma, amor: A divindade da cidade eterna identificava-se pela primeira vez com a mãe do amor, inspiradora de todas as alegrias. Esse era um dos planos da minha vida. O poderio romano assumia assim seu caráter cósmico e sagrado, a forma pacífica e tutelar que eu ambicionava conferir-lhe". A morte de seu amado obscureceu seu mundo...

Busto de Adriano, Museu Arqueológico Nacional de Atenas

"Evidentemente, não incrimino a preferência sensual, demasiado vulgar, aliás, que determinava minhas escolhas em matéria de amor. Paixões semelhantes atravessaram constantemente minha vida; esses freqüentes amores só me haviam custado, até então, um mínimo de juramentos, mentiras e males [...]. O hábito nos teria conduzido ao fim sem glória, mas sem desastre, que a vida oferece a todos os que aceitam seu lento enfraquecimento pela saciedade. Teria visto a paixão transformar-se em amizade, como querem os moralistas, ou em indiferença, o que é mais freqüente."
Memórias de Adriano, Marguerite Youcenar



Antínoo (fragmentos)*, Fernando Pessoa

Ainda chovia. Em leves passos veio a noite
Fechando as pálpebras cansadas dos sentidos.
A mesma consciência de eu e de alma
Tornou-se, qual paisagem vaga em chuva, vaga.
O Imperador imóvel jaz, e tanto que
Semiesqueceu onde ora jaz, ou de onde vem
A dor que era inda sal nos lábios seus.
Algo distante fora tudo: um manuscrito
Que se enrolou. E o que sentira a fímbria era
Que halo é em torno à lua quando a noite chora.

A cabeça pousava sobre os braços, estes
No baixo leito, alheios a senti-lo, estavam.
Os seus olhos fechados cria abertos, vendo
O nu chão negro, frio, triste, sem sentido.
Doer-lhe o respirar tudo era que sabia.
Do tombante negrume o vento ergueu-se
E tombou; lá no pátio ecoou uma voz;
E o Imperador dormia...
Os deuses vieram....
E algo levaram, qual não senso sabe,
Em braços de poder e de repouso invisos.

Suas boca e mãos os jogos de repôr sabiam
Desejos que seguir te doía a exausta espinha.
Às vezes parecia-te vazio tudo
A cada novo arranco de chupado cio.
Então novos caprichos convocava ainda
À de teus nervos, carne, e tombavas, tremias
Nos teus coxins, o imo sentido aquietado.
* O original foi escrito em inglês.

Leia "Memórias de Adriano" em: http://www.scribd.com/doc/7021406/Marguerite-Yourcenar-Memorias-de-Adriano
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Peru: Machu Picchu, Cusco e Valle Sagrado, 2010


"Piedra en la piedra, el hombre, dónde estuvo? Aire en el aire, el hombre, dónde estuvo? Tiempo en el tiempo, el hombre, dónde estuvo?"
Pablo Neruda, "Alturas de Machu Picchu", poema X.



Os povos pré-colombianos ainda são um mistério para a humanidade. Os Maias, os Incas e os Astecas exercem grande atração sobre as pessoas. Machu Picchu foi descoberta há 99 anos, por Hiram Bingham,  portanto, o que existe são suspeitas sobre a estrutura daquela sociedade "primitiva".

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A Escola de Atenas

Afresco A Escola de Atenas, 1508-11. Museu do Vaticano
A Escola de Atenas é uma das pinturas mais aclamadas de Rafael Sanzio (artista do pleno Renascimento, início do século XVI), pois reúne, em uma mesma imagem, ilustres pensadores que discutem as artes liberais - construindo uma abordagem interessante da arte sobre a filosofia.

O Renascimento foi a volta ao estudo da cultura clássica greco-romana. Período onde os artistas se libertavam do domínio da igreja, predominante durante toda a Idade média. Podiam, enfim, refletir seus desejos, fazer descobertas e examinar todos os aspectos da natureza e do mundo.


Platão e Aristóteles
No centro da composição encontramos dois dos maiores filósofos de todos os tempos: Platão e Aristóteles. As obras mais ricas em experiência da vida social que exerceram forte influência sobre o mundo moderno foram dos referidos filósofos. 

A filosofia grega é um dos alicerces do pensamento ocidental (também podemos falar no direito romano e na moralidade cristã). Os gregos queriam saber do que eram feitas as coisas, tanto que não tinham pudor em relação à natureza.

Aristóteles foi discípulo de Platão e depois fundou o Liceu, sua própria escola. Seu estilo é diferente de seu mestre, com uma linguagem mais pesada, pois seus textos são fragmentos e anotações de suas aulas. O filósofo também se envolveu na vida pública, mas não de modo tão intenso como Platão. Foi conselheiro de vários príncipes e educador de Alexandre, o grande.

Platão tem olhos voltados para o céu, Aristóteles olha para a terra e reabilita a experiência sensível. Eles representam duas concepções, duas ambições filosóficas e duas tendências ao espírito humano. Platão oferece um ideal insustentável, Aristóteles não tem outro objetivo senão observar a realidade sem preconceitos, mantendo-se a meio-termo do idealismo e do realismo.
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Dores do mundo - Arthur Schopenhauer



"Querer é essencialmente sofrer, e como o viver é querer, toda a existência é essencialmente dor. Quanto mais elevado é o ser, mais sofre... A vida do homem não é mais do que uma luta pela existência com a certeza de ser vencido... A vida é uma caçada incessante onde, ora como caçadores, ora como caça, os entes disputam entre si os restos de uma horrível carnificina; uma história natural da dor que se resume assim: querer sem motivo, sofrer sempre, lutar sempre, depois morrer e assim sucessivamente pelos séculos dos séculos, até que o nosso planeta se faça em bocados."

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Exit through the gift shop

Hoje saiu a lista dos pré-candidatos ao Oscar 2011, categoria documentário, e um dos filmes me chamou atenção: "Exit through the gift shop", dirigido por Banksy.
Banksy - There is always hope
Sempre alimentei uma dúvida: seria Banksy o artista Thierry Guetta, a.k.a. "Mr. Brainwash" (responsável pela arte gráfica da coletânea "Celebration", da Madonna)? O filme só me deixou mais curiosa, pois de forma alguma elucida tal suspeita.
Banksy é um artista inglês que continua com identidade desconhecida, famoso por suas intervenções urbanas, utilizando muitas vezes o stencil. E o mistério excita cada vez mais a comunidade global.
Não pretendo fazer um relato sobre arte urbana, tampouco resenhar o referido documentário, mas despertar o interesse para que assistam o filme mais inteligente sobre arte que vi nos últimos tempos.

Mr. Brainwash
São mostrados diversos artistas que realizam arte de rua, a partir do arquivo pessoal de Thierry Guetta, chegando ao Banksy, no entanto, o artista percebe que falta argumentos para o filme de Guetta, levando Banksy a sugerir que ele faça sua própria exposição.
Guetta surge como "Mr. Brainwash", contrata dezenas de "ajudantes", e, sem jamais ter realizado uma única mostra, vende milhões em poucos dias.

A ironia é delirante. O escárnio ao mercado de arte é sensacional. Arte?



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Isla Negra, El Quisco, Chile


  

Visitar Isla Negra é uma experiência inesquecível, pela beleza encantadora do lugar: de frente para o Oceano Pacífico. Em Isla Negra encontramos uma das 3 casas de Neruda. O poeta era apaixonado pelo mar, todas as casas dele têm arquitetura relacionada aos barcos, como peças de navios. E, acima de tudo, um grande colecionador, de copos, garrafas, quadros, esculturas. Lá encontramos a tumba de Neruda.
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