Aquarela, desenho contemporâneo, "et cetera"

O Deserto do Atacama é um dos lugares que almejo conhecer e, sabendo disso, uma colega me brindou com uma revista da Tam sobre a zona árida Chile, no entanto, a maior surpresa foi a matéria sobre as Cataratas do Iguaçu, pois enviaram um aquarelista e não um fotógrafo, como habitual.
Revista "Tam nas nuvens"

Nascia uma grande vontade de aprender a técnica da aquarela para poder aplicá-la na minha próxima viagem - preciso conseguir retratar paisagem, pessoas, animais ou arquitetura. Dou passos lentíssimos. (nunca tive paciência para fazer traços limpos, por exemplo)

Reconheço, antecipadamente, o distanciamento com a arte contemporânea (já flertei com o desenho contemporâneo numa série intitulada "sensível", elaborada com lã vermelha sobre papel sulfite). O desenho é o meio primordial da comunicação simbólica, um linguagem utilizada desde o paleolítico - quando relacionava questões físicas e metafísicas. 

"Sensível". Dimensão: 87 cm x 62 cm
Percebemos a ação do tempo. Realizado em 2001.

"Sensível". Percebemos a ação do tempo. Realizado em 2001.
Outro dia folheava (virtualmente) o livro "drawing now: between the lines of contemporary art" e tive certeza que a maioria das obras jamais seriam fruídas pelo público em geral - não apenas pela ausência de beleza estética, mas por ainda manter a compreensão apenas no campo conceitual. Por outro lado, Sol LeWitt dizia que o artista não tem controle sobre como o observador vai perceber o trabalho e que pessoas diferentes entendem o mesmo trabalho de forma diferente.
The resurgence of interest in drawing may have something to do with what Arthur Danto has identifi ed as the point that marks the ‘before and after of art’.4 He suggests that at some point in the twentieth century (precisely, 1965), the role of art changed so enormously with regard to its cultural signifi cance that it appears to have reached a hiatus or crisis point, according to your point of view. If the story of art is a ‘great and compelling narrative’, Danto suggests that we have reached the point where we recognise its end. The story of art emerged in the Renaissance, with artists as ‘great’ masters, moved through the progressive and heroic period of modernism, and has now reached the ultra self-consciousness of postmodernism, where the artist’s practice has become part of a discourse that critiques rather than represents. A more extreme view, expressed by Jean Baudrillard, states that art can only now reiterate what has gone before.

Drawing now: between the lines of contemporary art
Recebi um e-mail da galeria Emma Thomas, informando sobre a feira ArtRio. Um dos artistas representados é bem festejado, inclusive no meio acadêmico, entretanto, jamais (se tivesse poder aquisitivo) compraria algo do Contente. Ao meu ver, ninguém coloca o dedo na ferida - os legitimadores da arte (críticos, galeristas e historiadores) passaram a gostar de tudo! O artista contemporâneo menospreza a técnica (uma questão ultrapassada e vulgar). A ideia é subverter. Por que existe rigor técnico na música, no cinema e na fotografia?

Nayland Blake


Anne-Marie Schneider


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